3 caminhos para planejar sua aposentadoria

Como construir sua tranquilidade financeira no futuro sem depender apenas da previdência oficial

9 de agosto de 2021

como planejar sua aposentadoria - idosos aposentados

Seis em cada dez brasileiros admitem que não se preparam para parar de trabalhar, de acordo com pesquisa feita pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e SPC Brasil em parceria com o Banco Central. O estudo mostra ainda, que uma parcela significativa da população (39%) não conseguiria, hoje, arcar com imprevistos, e 20% das pessoas sequer sabem o tempo em que manteriam seu padrão de vida caso enfrentassem alguma dificuldade.

As principais razões alegadas são falta de sobra financeira, desemprego e, também, a crença de que não vale a pena guardar o pouco que sobra no fim do mês. Seja qual for a razão, o fato é que se dependerem das decisões de hoje, os aposentados do amanhã terão a vida mais longa e o orçamento mais apertado.

Isso porque a expectativa de vida tem aumentado ano após ano no Brasil, mas os recursos poupados para a aposentadoria permanecem baixos. E com as mudanças da reforma previdenciária aprovada em 2019, a tendência é alongar cada vez mais o tempo de trabalho e reduzir o valor do benefício. Saiba mais sobre as mudanças na matéria Reforma da previdência: o que acontece com você agora?

A boa notícia é que existem diferentes tipos de investimentos que podem ser direcionados para construir uma aposentadoria tranquila, sem depender apenas da Previdência Social. Confira a seguir, três caminhos para planejar sua tranquilidade financeira no futuro.

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1 – Previdência privada ou complementar

Como o próprio nome já diz, esta é a maneira mais conhecida de investir recursos pensando em complementar o benefício da aposentadoria oficial. É possível contratar um plano de previdência complementar por meio de bancos ou seguradoras autorizadas pela SUSEP (Superintendência Nacional de Seguros Privados).

Após contratar o plano, o segurado faz depósitos mensais ao longo do tempo definido pelo contrato. Ao final do prazo, ele poderá escolher entre realizar o resgate do valor total acumulado mais o rendimento obtido ou solicitar o recebimento de uma renda mensal, conforme a cobertura, o plano e o regime tributário escolhidos. 

Uma das grandes vantagens da previdência complementar é que, no caso de falecimento do participante, os recursos não entram no inventário e são direcionados para os herdeiros automaticamente, sem burocracia. 

Os planos de previdência privada possuem muitas características que precisam ser analisadas pelo contratante de forma muito minuciosa, a fim de garantir que suas expectativas serão atendidas no futuro. Veja, a seguir, as dicas para fazer sua escolha. 

Que tipo de cobertura escolher?

 Há várias modalidades de resgate: o benefício por ser na forma de pagamento único, de renda mensal temporária, ou seja, por um prazo contratado, ou como renda mensal vitalícia,  ao longo de toda sua vida, reversível ou não ao cônjuge ou um beneficiário indicado por ele.

Impostos: tributação progressiva ou regressiva?

Como a previdência é um tipo de investimento com incidência de imposto de renda, escolher o regime certo é essencial para que não haja perdas significativas no momento do resgate dos valores. A tributação pode ocorrer de forma progressiva ou regressiva. 

Na tributação progressiva, as alíquotas aumentam progressivamente, conforme a faixa de resgate ou renda. Ou seja, quanto maior for o valor da retirada, maior será a porcentagem a se pagar sobre imposto de renda. Essa opção é indicada para quem pretende fazer retiradas ou manter uma renda com valores referentes às menores alíquotas de impostos. Pela tabela atual (agosto/2021), se a mensal resgatada estiver abaixo de R$ 1.903,98 mensais, o participante do plano estará isento de IR.

Já no regime regressivo, o que define a faixa de desconto não são os valores, mas sim o tempo em que o plano está vigente. Nesse caso, quanto mais tempo o beneficiário demorar para fazer suas retiradas, menor será o imposto devido. É indicada para quem começa cedo, pois após 10 anos de contribuição, a alíquota será de 10% sobre o valor definido pelo tipo de plano.

PGBL ou VGBL?

Os dois tipos de planos mais conhecidos são o PGBL ou o VGBL. Entre as diferenças, o que mais afeta o bolso do consumidor, novamente, é a forma como os recursos serão tributados na retirada. 

O PGBL é indicado para quem faz a declaração completa do IR, já que permite que você pague menos imposto de renda durante o período de contribuições. Isso porque ele conta com a possibilidade de abater até 12% da base de cálculo do IR a ser pago anualmente. Porém, no momento do resgate, o IR será descontado sobre o valor total do benefício.

Já o VGBL é indicado para quem faz a declaração simplificada do IR. Ao longo do período de acumulação, não há benefício fiscal, ou seja, não é possível descontar do IR devido, porém na hora do resgate, o IR será descontado somente sobre o rendimento obtido.

Além dessas variáveis, é importante levar em conta a taxa de administração, carregamento e a rentabilidade esperada do plano escolhido. Todas essas informações devem ser consultadas junto à instituição financeira antes de assinar o contrato. Por ser um produto que envolve o levantamento de várias informações na hora da contratação, o plano de previdência complementar é considerado uma das escolhas financeiras mais complexas do mercado. É importante pesquisar e avaliar bem antes de tomar sua decisão. Confira mais sobre esse assunto na matéria Previdência Social e Previdência Privada Complementar.

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2 – Fundos imobiliários

É comum pensar em imóveis quando se deseja um investimento para complementar a renda no futuro e, de fato, receber aluguéis pode ser uma ótima possibilidade de garantir sua aposentadoria. Entretanto, são poucas as pessoas que possuem dinheiro para adquirir uma casa ou apartamento apenas para investir. É aí que entram os fundos imobiliários, uma maneira de investir em imóveis sem precisar lidar com alguns dos transtornos, como falta de pagamento de aluguéis, gastos com melhorias, dificuldade de encontrar inquilinos, entre outros.

Os fundos imobiliários são um tipo de fundo de investimento no qual o comprador se torna sócio de imóveis como galpões logísticos, lajes corporativas, shopping centers, agências bancárias, hospitais, universidades, hotéis e imóveis residenciais. Assim, ele recebe uma parcela dos aluguéis ou do lucro sobre as construções desses bens.

Uma das maiores vantagens desse tipo de investimento é a liquidez, ou seja, a facilidade de converter as cotas em dinheiro se a situação apertar, ao contrário dos imóveis em geral que podem levar meses ou anos para serem vendidos. Outro ponto positivo é que os rendimentos dos fundos imobiliários são pagos mensalmente, todo dia 15, gerando renda mensal para o cotista, que pode ser reinvestida em novas cotas ou utilizada como ele preferir. 

Atualmente, esses rendimentos são isentos de imposto de renda. Contudo, há uma proposta em tramitação no Congresso Nacional para taxar em 15% os aluguéis recebidos das cotas negociadas em fundos de investimentos imobiliários a partir de 2022. A divulgação dessa proposta influenciou, inclusive, a rentabilidade dos fundos nos últimos meses. 

Para comprar fundos imobiliários, também conhecidos como FII’s, é preciso abrir uma conta em corretora de valores e na B3, já que as cotas são comercializadas pela bolsa de valores. Existem cotas dos mais variados valores, desde centavos até milhares de reais. No site da B3, você pode conferir mais detalhes sobre esse produto. Busque por "B3 FII".

3 – Tesouro IPCA

Um dos desafios de quem busca investimentos de longo prazo é proteger o seu poder de compra da inflação acumulada ao longo do tempo. Imagine uma taxa de inflação de 4% ao ano. Ela pode até parecer baixa, mas se for acumulada por 20 anos, representará 1.124% ao final do período. Isso significa que um produto comprado por R$ 100 irá custar R$ 1.224 em duas décadas. Se o investimento para aposentadoria não acompanhar a inflação, poderá ficar para trás dos preços dos produtos e na hora de se aposentar, mesmo que tenha acumulado um valor significativo, ele não será suficiente para custear seus gastos mensais.

Por isso, uma alternativa para quem deseja investir recursos pensando em se aposentar mantendo seu poder de compra é buscar uma aplicação com rentabilidade atrelada à taxa de juros, como o Tesouro IPCA. Esse título do Tesouro Direto preenche esse requisito, oferecendo uma rentabilidade lastreada no IPCA, ou seja, à taxa oficial de inflação do mercado brasileiro.

Ao comprar um título do Tesouro IPCA, você receberá o equivalente ao IPCA mais uma determinada taxa de rentabilidade adicional acumulada anualmente. Assim, seu dinheiro terá rendido mais do que a inflação oficial, protegendo sua rentabilidade. Os títulos oferecidos possuem diferentes prazos, como 2026, 2030, 2035 e assim por diante. Desta forma, você pode adquirir o título com a data mais próxima do momento em que deseja se aposentar. Algumas opções possuem juros semestrais, ou seja, você poderá receber a rentabilidade a cada seis meses, sem precisar resgatar o valor investido.  

O Tesouro IPCA é tributado pelo IR de forma regressiva e a partir de dois anos da data da aplicação, é cobrada uma taxa de 15% sobre os rendimentos obtidos. Além disso, será cobrada uma taxa anual de 0,25% sobre o montante investido pela custódia na Bolsa de Valores. 

Para investir em Tesouro IPCA, é preciso abrir uma conta em corretora autorizada pelo Tesouro Nacional, porém muitos bancos já oferecem este serviço diretamente em seus sites e aplicativos. Saiba mais na matéria Hora de Investir? Conheça o Tesouro Direto.

Seja qual for a opção escolhida por você, o importante é começar já a planejar e separar recursos para investir em sua aposentadoria e assim, garantir sua tranquilidade no futuro.


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