Previdência Social e Previdência Privada Complementar

Entenda a diferença e conheça os tipos de planos privados de previdência disponíveis no mercado.

Organizar as finanças

/ 16 Dez 2025 / 3 min. leitura
se aposentar bem: para que serve e como funciona a previdência social e a previdência privada

Depois de trabalhar tantos anos, chega a hora de aproveitar uma etapa mais tranquila da vida. Esse pode ser um momento cheio de oportunidades para explorar novas habilidades, dedicar-se ao que gosta de fazer, praticar atividades físicas ou viajar, por exemplo. 

Para isso, a aposentadoria deve ser bem planejada porque, em geral, ela representa uma redução da renda em um momento em que as pessoas costumam ter um aumento de despesas, principalmente com a saúde. 

Mas dá para viver bem só com a renda da previdência social? Quais são as regras para se aposentar? Quando optar pela previdência privada e como se planejar para viver com mais tranquilidade? Quais são os tipos de previdência privada? É o que você confere nesta matéria.

Previdência social: o que é?

A previdência social é o sistema público que administra os benefícios pagos pelo INSS. Ela funciona como um seguro controlado pelo governo, garantindo que o contribuinte receba uma renda ao se aposentar e o trabalhador fique amparado em casos de doença e acidente, por exemplo.

Na previdência social, todos os trabalhadores contribuem para formar a renda daqueles que irão se aposentar; é o chamado regime de repartição simples. Você paga um valor mensal, formando um bolo que é dividido entre aqueles que estão sendo beneficiados e, quando chegar a sua vez de parar, outras pessoas farão o mesmo. 

Atualmente, você pode se aposentar nas seguintes situações:

Aposentadoria por idade e tempo de contribuição

A aposentadoria por idade é concedida ao trabalhador com idade mínima de 65 anos, para homens, e 62 anos, para mulheres, sendo obrigatório comprovar no mínimo 180 meses de contribuição para a previdência.

Já a aposentadoria por tempo de contribuição é paga integralmente a quem comprovar um tempo total de contribuição de 35 anos, para homens, e de 30 anos, para mulheres. 

É necessário, ainda, estar enquadrado em uma das regras abaixo:

  1. Idade mínima: os homens precisam ter 64 anos de idade, e as mulheres 59 anos.
  2. Regra dos pontos: o cálculo da aposentadoria progressiva leva em consideração o número de pontos alcançados pelo contribuinte na soma de dois fatores: idade e tempo de contribuição. Para conseguir o benefício integral, em 2025, a soma deve ser no mínimo 102 pontos para homens e 92 pontos para mulheres. Por exemplo: uma mulher de 61 anos que tenha trabalhado por 31 anos já pode receber aposentadoria integral. A mesma conta vale para os homens de 68 que tiverem trabalhado por 34 anos.

Aposentadoria especial

Existe ainda o que chamamos de aposentadoria especial. Ela é  específica para quem trabalhou de modo habitual e permanente em condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. Ou seja, exposto a agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais por 15, 20 ou 25 anos.

Aposentadoria por invalidez

Benefício dado a trabalhadores que forem considerados incapacitados, por doença ou acidente, para exercer suas atividades ou outro tipo de serviço que lhes garanta o sustento. O benefício é pago enquanto persistir a invalidez e o segurado pode ser reavaliado pelo INSS a cada dois anos.

Saiba mais sobre as regras da previdência social.

Previdência Privada: o que é e como funciona

A previdência privada, também chamada de Previdência Complementar, é uma opção de investimento para complementar a aposentadoria. Há dois tipos de planos: o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). Na definição oficial da Susep – Superintendência de Seguros Privados, o VGBL é um plano de seguro de pessoas e o PGBL é um plano de previdência complementar aberta.

Em ambos, você faz contribuições, acumulando um volume de dinheiro durante um determinado prazo, para ter direito a um benefício ao final do período definido em contrato. Esse benefício poderá ser pago à vista ou sob a forma de renda mensal (vitalícia ou por um período previamente estabelecido).

A principal diferença entre eles está no regime de tributação (Imposto de Renda). Em ambos, o IR incide apenas no momento do resgate ou recebimento da renda. Entretanto, no VGBL você pagará o imposto de renda apenas sobre os rendimentos, enquanto no PGBL o imposto incide sobre o valor total a ser resgatado ou recebido sob a forma de renda. Saiba mais sobre eles:

#1. PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre)

Quem faz a declaração do Imposto de Renda no formulário completo pode deduzir o valor das contribuições para a previdência em até 12% de sua renda bruta anual. Mas, quando você resgatar os recursos acumulados, será cobrado o Imposto de Renda sobre o valor total pago (mensalidades mais rendimentos).

Em 2025, a data limite para investir em PGBL e aproveitar esse benefício é dia 30 de dezembro. Que tal aproveitar o final do ano para planejar o futuro e investir parte do décimo terceiro salário em um fundo de previdência?

#2. VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre)

Não tem incentivo fiscal durante a fase de contribuições, mas na hora de você receber os recursos acumulados, o Imposto de Renda incide só sobre o rendimento da aplicação.

O que você deve observar na hora de contratar uma previdência privada:

  • O tipo de plano de acordo com a tributação (VGBL ou PGBL).
  • O tipo de plano de acordo com a cobertura que você deseja contratar: por sobrevivência, por invalidez ou por morte.
  • A rentabilidade (taxa de juros) do fundo de investimento onde o valor de sua previdência está aplicado.
  • A taxa de administração e a taxa de carregamento cobradas pela instituição financeira que faz a gestão do seu plano de previdência. A taxa de carregamento pode ser cobrada na entrada, ou seja, no momento em que você faz contribuições, ou na saída, quando você pedir o resgate ou a portabilidade de seu plano para outra instituição.

Previdência e planejamento sucessório

Além de servir como um complemento para a aposentadoria, a previdência privada também ajuda no planejamento sucessório: até o momento, o dinheiro acumulado pode ser repassado aos beneficiários de forma simples, rápida e sem a complexidade do processo de inventário. Assim, ela oferece segurança para que os recursos cheguem a quem você ama sem transtornos ou longas esperas.

Saiba mais sobre como se planejar e confira uma lista de providências importantes para deixar a família amparada e protegida em um momento de fragilidade.

Por que planejar a aposentadoria é tão importante?

Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pessoas com 60 anos ou mais representam mais de 15% da população do país. São mais de 32 milhões de pessoas que, muitas vezes, chegam a essa fase dependendo apenas da previdência social para cobrir suas despesas. O valor recebido, porém, é muitas vezes insuficiente para garantir a mesma qualidade de vida e o equilíbrio financeiro existentes até então.

Segundo o Mapa da Inadimplência do Serasa, em outubro de 2025, as pessoas acima de 60 anos representavam 19,5% dos inadimplentes do país. Por isso, é importante aproveitar as fases mais produtivas da vida e se preparar para ter tranquilidade ao decidir se aposentar. O primeiro passo é fazer um planejamento financeiro familiar, registrando todos os ganhos, gastos, sonhos e planos para o curto e o longo prazo. Você pode fazer isso utilizando as planilhas e ferramentas gratuitas do Meu Bolso em Dia.

Conhecendo bem a sua realidade financeira, fica mais fácil enxergar oportunidades para poupar e investir no futuro. Existem diversos tipos de investimentos para cada situação ou perfil de investidor. Para saber mais, e planejar ainda melhor o investimento em sua aposentadoria, confira nossas matérias sobre renda fixa, renda variável, entre outros conteúdos sobre investimentos disponíveis aqui no portal Meu Bolso em Dia. 

Preparando o seu futuro

Fazendo uma conta bem simples, se você guardar R$100 por mês durante 30 anos, ao final desse período você terá R$36 mil acumulados, sem considerar a correção da aplicação financeira, que, no caso de investimentos de longo prazo, é muito beneficiada pelo efeito dos juros compostos

Se a sua condição permitir uma poupança maior, de R$300 por mês, também por 30 anos, irá somar R$108 mil no final do prazo, sem a correção. Ou seja, quanto maior for a sua capacidade de poupança, mais dinheiro terá no futuro.

Nem sempre é fácil ter disciplina para poupar, mas é possível criar uma rotina para guardar dinheiro. Se você não tem folga no orçamento, que tal encontrar uma atividade que você possa fazer especificamente para guardar dinheiro?

  • Qual é a rentabilidade deste produto se for descontada a inflação do período?
  • Quais são as taxas e encargos deste produto?
  • Qual é a penalidade se eu retirar o dinheiro antes do vencimento?
  • O que acontece com esse investimento se a taxa Selic subir ou diminuir?
  • Quais são os riscos desse investimento?

Converse sobre as opções disponíveis para você, planeje-se com antecedência e aproveite a aposentadoria com mais tranquilidade.

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Matéria publicada em 27/08/2015 e atualizada em 12/12/2025.