Investir na Bolsa de Valores é para todo mundo?

Entenda o que é renda variável, como ela funciona, se esse tipo de aplicação é ou não para você e quais os primeiros passos para começar a investir em ações

26 de fevereiro de 2021

o que é necessário para investir na bolsa

A Bolsa de Valores, que agora tem o nome de B3 – Bolsa Brasil Balcão, já foi um ambiente quase exclusivo de investidores profissionais ou pessoas com muito dinheiro. Isso no passado. Cada vez mais, a Bolsa tem se popularizado entre os brasileiros e conquistado a adesão de pessoas comuns, que não são especialistas no tema e procuram formas de rentabilizar suas economias.

Nos últimos três anos, o número de investidores pessoas físicas da B3 passou de pouco mais de 600 mil a quase 3,3 milhões. Somente em 2020, ano marcado pela pandemia, a bolsa recebeu mais de 2 milhões de novos investidores, como podemos ver no gráfico a seguir. 

quantidade dos investidores na bolsa de valores

Fonte: B3 – Histórico pessoas físicas

O perfil dos investidores da bolsa de valores

Esta pesquisa feita pela B3 mostra que o perfil dos novos investidores é jovem (idade média de 32 anos). Apensar da maioria ser formada por homens (74%),  chama a atenção o crescimento constante de mulheres nesse mercado. 

Em 2020, enquanto o número de homens investidores cresceu 84%, o total de mulheres investidoras subiu 118%, passando de 388 mil a quase 850 mil. Esse dado diz muito sobre os efeitos da educação financeira protagonizada por mulheres nos últimos anos.

Não é só para quem tem muito dinheiro

A pesquisa da B3 mostra que os brasileiros estão entendendo que, para diversificar seus investimentos e chegar à bolsa, não precisam de grande quantidade de dinheiro.  “Nos últimos dois anos, o valor do primeiro investimento das pessoas físicas caiu 58%, saindo de R$ 1.916, em outubro de 2018, para R$ 660, em outubro de 2020” diz o relatório da pesquisa. 

Os investidores mais jovens estão entrando na bolsa com valores menores ainda. Em outubro de 2020, o valor médio era de R$ 225 entre os investidores de 16 a 25 anos de idade.

Por que tanto interesse pela bolsa de valores? 

Para entender o aumento de investidores nos últimos anos, é preciso compreender o significado do mercado de renda variável. Tradicionalmente, o Brasil sempre atraiu investidores pelas suas altas taxas de retorno nas aplicações de renda fixa, como a poupança, o Tesouro Direto e os Certificados de Depósito Bancário. Em tempos de juros altos, fazia sentido aplicar o dinheiro nessas modalidades considerados mais seguros e tão rentáveis quanto a bolsa de valores. 

Em 2015, por exemplo, a Selic, taxa básica de juros da economia, girava em torno de 14% ao ano, ou seja, aplicando em renda fixa, o investidor poderia ter um ótimo rendimento sem grandes riscos ou esforços. Atualmente, com a taxa Selic a 2% ao ano e a inflação em torno de 3,5% a 4% ao ano, aplicar em renda fixa  pode até significar retorno negativo, ou seja, perda do poder de compra. O investidor então precisa assumir mais riscos se quiser obter retornos mais atrativos. É aí que entra a bolsa de valores. 

Na prática, o investidor da bolsa torna-se sócio de empresas ou empreendimentos imobiliários e participa dos seus lucros e prejuízos. Ao comprar papéis de determinada companhia, o acionista poderá ganhar dinheiro com a venda futura dos mesmos papéis mais valorizados ou com o recebimento periódico de dividendos, ou participação nos lucros da empresa. Quem adquire cotas de fundos imobiliários recebe sua renda do aluguel ou venda dos imóveis administrados por esses fundos. 

Além da promessa de retornos mais altos que investimentos mais conservadores, a bolsa também permite investir com pouco dinheiro. Com alguns centavos de real já é possível adquirir cotas de certos fundos imobiliários ou comprar opções, que são um tipo de vale que permite comprar ou vender ações por determinado valor em uma data predefinida.

Nesse caso, quem acerta a “aposta”, pode lucrar muito investindo pouco. Aliás, esse é exatamente o argumento que tem atraído tantos investidores para a bolsa de valores. Ganhar muito dinheiro rápido investindo valores baixos. Mas a promessa de ganhos milionários pode ser ilusória.

Cuidados ao investir na bolsa

Por ser um tipo de investimento de alto risco, a renda variável pode gerar ganhos e perdas muito rapidamente ao investidor desavisado, por esse motivo vale a pena tomar alguns cuidados. 

1. Não invista todo o seu dinheiro em bolsa

Nem em imóveis, nem em poupança. Diversificar é o lema de qualquer investidor. Assim você minimiza riscos e amplia as chances de rentabilizar seu dinheiro. O risco de aplicar tudo que o tem na bolsa é perder o dinheiro que você pode precisar para uma emergência ou a realização de uma meta. 

A dica é usar uma parte pequena do seu capital para comprar ações e ir aumentando aos poucos, à medida em que for ganhando segurança nesse tipo de investimento.

2. Não se assuste com as oscilações

O mercado de bolsa é nervoso, oscila a cada minuto. Se você tem o coração fraco para grandes emoções, é melhor evitar. Se resolver entrar nesse mercado, deve estar preparado para lidar com os altos e baixos e saber navegar nesse mar agitado. 

3. Compre na baixa e venda na alta

 As emoções costumam afetar fortemente as decisões do investidor e geralmente provocam escolhas equivocadas. Por isso, quando uma ação começa a se desvalorizar, muitos decidem vendê-la quando, na verdade, poderiam estar aproveitando a oportunidade para comprar os papéis a um valor mais atrativo. 

O contrário também ocorre, ou seja, as ações começam a aumentar de valor e as pessoas correm para comprá-las, quando deveriam estar vendendo. Para lucrar com a bolsa de valores, é fundamental saber o momento certo de comprar ou vender e isso deve ser feito com muita calma, estudo e autocontrole. 

4. Cuidado com as taxas de corretagem e custódia

Mesmo que seja possível comprar papéis a custos muito baixos, é importante ficar de olho nos custos, já que eles podem representar um valor alto sobre o total negociado. Avalie quanto sua corretora cobra para operar seus ativos e evite que seu lucro seja prejudicado por altos custos de operação.

5. Comece brincando

Se você não tem experiência nesse tipo de operação, estude um pouco antes de iniciar seus investimentos em bolsa. Uma maneira prática e segura de experimentar é fazer simulações. O site simulabolsa.com.br permite exercitar na prática o funcionamento do mercado de ações com R$ 100 mil fictícios, que você pode usar para fazer operações de compra e venda, pagar a taxa de corretagem e experimentar a sensação de ter lucro ou prejuízo. Depois de brincar de operar por alguns meses, você estará mais preparado para lidar com os desafios reais desse mercado.

6. Vá com calma

Encare o primeiro ano de investimentos como aprendizado, como se estivesse investindo em um curso prático. Dessa forma, sem a preocupação de ganhar ou perder, você se desobriga a lucrar e começa a conhecer o seu perfil de investidor, experimentar aos poucos e ampliar sua participação no mercado à medida que ganha confiança. Tenha paciência e fuja da tentação de ganhar dinheiro rápido. 

Como começar a investir na bolsa

O primeiro passo é abrir a conta em uma corretora de valores. A B3, empresa responsável pela administração das negociações do mercado de renda variável, disponibiliza a lista de corretoras certificadas pelo programa de qualificação operacional, que reconhece a qualidade dos serviços prestados pelas corretoras e bancos que atuam nos mercados administrados pela B3 e abrange mais de 120 instituições financeiras. 

Você pode se informar sobre a corretagem de valores no próprio banco onde você já tem a conta corrente, pois todos eles também possuem suas corretoras próprias. Nesse caso, muitas vezes é necessário apenas um cadastro simples e a operação pode ser feita diretamente no APP que você já conhece, vale a pena se informar. Após o cadastramento na conta da corretora, você receberá uma senha de acesso e poderá começar a operar seus ativos.

É importante anotar cada operação feita para que você possa acompanhar e tomar a decisão de quando vender ativos existentes ou comprar novos papéis. Você deve anotar a data da compra, o valor do ativo, a quantidade comprada, os custos com taxas de corretagem, custódia e emolumentos e as metas de lucro com cada ação, ou seja, quanto você espera que a ação se valorize antes de vender ou quanto espera receber de dividendos.

Leia sobre as empresas nas quais deseja investir, procure conhecer seus setores de atuação e entender as tendências desses setores no futuro, para identificar os mercados em ascensão e os que estão em declínio. O site fundamentus.com.br é um canal interessante para quem deseja acompanhar as análises das empresas e fundos imobiliários presentes na bolsa. A própria B3 Hub de Educação com cursos online e presenciais para você aprender cada vez mais sobre o mundo dos investimentos em renda variável. 


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