Tudo sobre o crédito consignado

Entenda o que é o consignado, como ele funciona, margens e limites e as novas regras do produto estabelecidas em 2026. Aprenda, ainda, a usar o crédito sem se enrolar.

Organizar as finanças

/ 12 Jun 2026 / 5 min. leitura
 Tudo sobre o crédito consignado

O empréstimo consignado pode ser uma mão na roda naqueles momentos em que você precisa de dinheiro rapidamente para resolver um problema, comprar um medicamento mais caro, um material para fazer um conserto em casa ou fazer uma viagem, por exemplo. Ele tem uma das menores taxas do mercado e, por isso, é uma das linhas de crédito mais usadas pelos brasileiros.

Dados do Banco Central mostram que o consignado representa cerca de um terço do saldo de crédito para pessoas físicas com recursos livres no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Entre dezembro de 2020 e março de 2025, a carteira da modalidade saltou de R$439 bilhões para R$691,3 bilhões, refletindo a ampliação do acesso ao produto entre diferentes públicos.

Mas, como todo produto financeiro, o uso do consignado deve ser planejado para evitar o endividamento excessivo. A recomendação é, antes de contratar, calcular o valor total a ser pago e entender se as parcelas, de fato, cabem no bolso. E, para isso, nada melhor do que estar bem informado.

A seguir, aprenda tudo o que precisa saber sobre o crédito consignado, suas regras e quais delas foram atualizadas em 2026. O que você vai encontrar aqui:

  • O que é o crédito consignado
  • Quem tem direito a ele e como contratar o produto
  • Qual a margem de contratação, ou seja, o limite de salário que pode ser usado
  • Como funcionam os juros e os prazos de pagamento do consignado
  • Quando é bom recorrer ao crédito consignado (e quando não é!)
  • Principais dúvidas: demissão, perda de emprego, falência da empresa
  • Golpe do crédito consignado: como se proteger
  • Como funciona o cartão de crédito consignado
  • Como evitar o superendividamento
  • Como evitar ligações indesejadas com oferta do consignado

O que é o crédito consignado

O empréstimo consignado é uma linha de crédito pessoal que pode ser acessada por aposentados, pensionistas do INSS e funcionários de empresas públicas e privadas que possuem convênio com as instituições financeiras que oferecem este produto. 

O consignado é um crédito pré-aprovado e de fácil contratação e suas prestações são descontadas diretamente do salário, aposentadoria ou pensão. Por isso, ele tem menor risco de inadimplência e, em consequência, uma das menores taxas de juros do mercado. Além disso, os prazos para quitação do consignado também costumam ser mais longos.

Essas vantagens podem facilitar o uso dessa linha para a conquista de objetivos como a quitação de dívidas mais caras - cheque especial e rotativo do cartão de crédito, por exemplo - e o acesso a bens e serviços que os salários e aposentadorias não permitiriam adquirir à vista.

Quem tem direito ao empréstimo consignado

Saiba quem pode solicitar o crédito consignado e quais são as regras para cada público 

Podem contratar o empréstimo consignado aposentados e pensionistas do INSS, beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), servidores públicos, militares e trabalhadores com carteira assinada. No caso dos empregados do setor privado, o acesso à modalidade foi ampliado nos últimos anos e hoje inclui trabalhadores rurais, domésticos e funcionários de microempreendedores individuais (MEI).

O Banco Central estabelece regras específicas para o empréstimo consignado, que seguem diferentes regulamentações, conforme a categoria trabalhista. Porém, existem alguns pré-requisitos comuns, como:

  • Ter mais de 18 anos;
  • Possuir renda fixa proveniente de salário, aposentadoria, pensão ou benefício elegível;
  • Apresentar os documentos exigidos pela instituição financeira;
  • Ter margem consignável disponível para contratação;
  • Possuir conta bancária para o recebimento do crédito.

Além disso, as instituições financeiras podem adotar critérios próprios de análise e concessão do empréstimo, respeitando as regras previstas na legislação para cada público.

Limites: o que é margem de comprometimento de renda

Também chamada de margem consignável, é o valor máximo que pode ser descontado do seu salário, benefício ou pensão para o pagamento do consignado, ou seja, um teto para comprometimento da renda com a contratação de crédito. Veja, a seguir, os novos limites estabelecidos a partir de 2026.

O que mudou nas regras do consignado em 2026?

Em 2026, novas regras passaram a valer para o crédito consignado de aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos federais. As mudanças foram anunciadas pelo governo federal dentro do programa Novo Desenrola Brasil e têm como objetivos ampliar a segurança das contratações e reduzir o comprometimento excessivo da renda com dívidas.

Uma das principais novidades é a obrigatoriedade da confirmação por biometria facial para a contratação de novos empréstimos consignados do INSS. Após a solicitação junto à instituição financeira, o beneficiário deve acessar o Meu INSS e validar a operação em até cinco dias corridos. Caso a confirmação não seja realizada nesse prazo, o contrato é cancelado automaticamente. A contratação também passou a exigir a participação direta do beneficiário. Com isso, operações realizadas por telefone ou por procuração de terceiros deixaram de ser permitidas.

Também houve alterações nos limites e nos prazos de contratação. A margem consignável passou de 45% para 40% para aposentados, pensionistas e servidores públicos federais, sendo 5% para uso do cartão de crédito consignado e cartão consignado de benefício. Esse valor será reduzido ano após ano, até que os cartões deixem de existir para novas contratações, em 2029. Já o prazo máximo de pagamento foi ampliado para até 108 meses para beneficiários do INSS e até 120 meses para servidores públicos federais.

As novidades também deram fim à proibição do período de carência. Agora, quem contrata o crédito consignado pode começar a pagar em até 3 meses.

Como funcionam os juros e os prazos de pagamento do consignado

As taxas do crédito consignado variam de acordo com o tipo de fonte pagadora e podem ser conferidas, a qualquer hora, no site do Banco Central. Ali, você pode conferir quanto cada instituição cobra de juros por mês e por ano: 

Acessando o Meu INSS, é possível consultar as taxas de empréstimo consignado de cada banco. Sobre os prazos de pagamento, as condições variam conforme a modalidade e o público atendido. Em 2026, o prazo máximo para aposentados e pensionistas do INSS foi ampliado para 108 meses. Já para servidores públicos federais, o limite passou para até 120 meses. No caso dos trabalhadores do setor privado, os prazos podem variar conforme a instituição financeira e as condições do contrato. 

Qual a finalidade do crédito consignado?

Sabia que o consignado representa uma das principais modalidades de crédito do país

Quando você contrata um empréstimo para financiar um carro, por exemplo, precisa usar o dinheiro exclusivamente para pagar pelo automóvel. Com o consignado, é diferente: você recebe o dinheiro na sua conta e pode utilizá-lo como quiser. Por isso, muita gente contrata o crédito consignado para a renegociação de dívidas, aproveitando o acesso a essa linha para quitar dívidas mais caras.

Posso fazer a portabilidade do crédito consignado?

A portabilidade do crédito é um direito do consumidor garantido por lei. E ela vale, também, para o  consignado. Você pode, a qualquer momento, transferir a sua dívida de uma instituição financeira para outra que ofereça condições de pagamento mais vantajosas.

Basta falar com seu banco, que tem até cinco dias úteis para dar um retorno, propondo uma renegociação. Caso não haja acordo, o banco deve enviar as informações necessárias para a instituição para a qual você deseja migrar a dívida, fazendo a portabilidade.

Como funciona o cartão de crédito consignado

Na prática, o cartão de crédito consignado funciona de forma semelhante a um cartão de crédito comum. A diferença é que, no cartão de crédito consignado, o valor da fatura é descontado — de forma total ou parcial — na sua folha de pagamento.

Se o desconto for parcial, o valor não descontado pode ser pago na data de vencimento. Caso não seja pago, será financiado com juros, cabendo a você fazer o pagamento desse valor adicional para evitar encargos ou inadimplência. O limite de crédito é estabelecido pela instituição financeira, e na data do pagamento do seu salário ou benefício, o valor equivalente ao pagamento mínimo da fatura é descontado diretamente do contracheque. 

O cartão de crédito consignado, em geral, conta com isenção de anuidade, menores taxas de juros e prazo de parcelamento da fatura estendido. Ficam, aqui, duas dicas de ouro para quem não quer entrar em dívidas: evite entrar no rotativo, pagando o valor total da fatura no vencimento, e não abuse dos saques no cartão, o que facilita o descontrole financeiro.

Cuidados na hora de contratar o consignado

O crédito consignado é uma dívida de longo prazo, e imprevistos acontecem o tempo todo. Além disso, não há a possibilidade de adiar ou suspender o débito. Se você trabalha em uma empresa privada, caso fique desempregado, terá que quitar a dívida de uma só vez, ou recorrer a outra modalidade de empréstimo, que provavelmente terá taxas de juros maiores do que as do consignado. 

Por isso, antes de decidir, tenha em mente estes riscos, e se planeje para preveni-los. Antes de contratar, reflita:

  • Preciso contratar o crédito agora ou dá para esperar?
  • A parcela cabe no meu bolso? 
  • Esse compromisso pode afetar o pagamento de outras contas?
  • Do que eu terei que abrir mão, já que precisarei viver por um período com um salário ou aposentadoria menor?
  • E se acontecer algum imprevisto, como irei honrar esse compromisso e pagar as outras contas?

Principais dúvidas sobre o crédito consignado

Novas medidas buscam reduzir o superendividamento de quem utiliza crédito consignado 

E se você for demitido?

Como você não receberá mais salário, não há como descontar as parcelas do seu empréstimo.  Se esse for o caso, é preciso negociar. Geralmente, o credor irá optar por debitar as parcelas diretamente em sua conta corrente ou emitir um boleto bancário para que você realize os pagamentos. Como a garantia deixou de existir, é provável que os juros aumentem, e, na prática, o empréstimo consignado se tornará um empréstimo pessoal comum. 

No caso do Crédito do Trabalhador, até 35% das verbas rescisórias, como saldo de salário, aviso-prévio e férias vencidas, podem ser utilizados para amortizar ou quitar o saldo devedor do empréstimo consignado. Isso significa que, se você tiver R$10 mil a receber na rescisão, até R$3,5 mil poderão ser destinados à redução da dívida. Se, mesmo com esse desconto, ainda haja saldo a pagar, é possível usar 10% do saldo do FGTS e até 100% da multa rescisória para pagar as parcelas. 

E se você trocar de emprego?

Nesse caso, procure saber se a nova empresa possui convênio com o mesmo banco para consignado, pois existe a possibilidade de portabilidade da dívida, e as parcelas continuarão sendo debitadas de seu salário até o final do contrato.

Caso o banco parceiro da nova empresa seja diferente do qual você tem o contrato, pode ser mais vantajoso fazer um novo crédito para quitar o antigo com o outro banco do que arcar com o aumento das taxas de juros.

E se a empresa falir?

Seu compromisso com o banco continuará existindo. E, caso não tenha outro emprego em vista, não há como fazer a portabilidade: você precisará quitar o compromisso. Por isso, é importante se preparar para os imprevistos!

Ter uma reserva de emergência antes de contratar um empréstimo pode fazer diferença em situações como essa. Como o consignado é um compromisso de longo prazo, vale avaliar se existe uma quantia guardada para cobrir despesas essenciais e ajudar a manter as contas em dia caso ocorra uma interrupção temporária da renda. 

Dá pra antecipar as parcelas?

Dá sim. Esse é um direito previsto no Código de Defesa do Consumidor: você não é obrigado a esperar o vencimento para pagar. E tem mais. Quem opta por antecipar o pagamento, ganha desconto referente aos juros. Por isso, vale a pena pagar antes: basta entrar em contato com o banco e informar a quantidade de parcelas que deseja antecipar.

Como evitar o superendividamento

O primeiro cuidado ao contratar qualquer tipo de crédito é não recorrer a ele com frequência, utilizando-o como complemento do salário. Para evitar que isso aconteça, confira as dicas e ferramentas para fazer seu orçamento e organizar as suas finanças. A seguir, veja também as recomendações do Banco Central para a contratação de empréstimos e cartões consignados:

  • Compare taxas e custos antes de contratar: não avalie apenas a taxa de juros. Verifique também o CET (Custo Efetivo Total), que reúne juros, tarifas, seguros e demais encargos da operação.
  • Verifique se a instituição é autorizada: antes de contratar, confirme se a instituição financeira está autorizada a funcionar pelo Banco Central e habilitada a oferecer a modalidade de crédito desejada.
  • Leia o contrato com atenção: confira informações como valor total da dívida, prazo de pagamento, número de parcelas, taxa de juros e condições para quitação antecipada antes de assinar qualquer documento.
  • Nunca assine documentos em branco: todos os campos devem estar preenchidos e as condições da contratação precisam estar claras antes da assinatura.
  • Evite intermediários que prometem facilitar a aprovação: desconfie de pessoas que oferecem crédito rápido ou vantagens em troca de pagamentos, comissões ou acesso a dados pessoais.
  • Proteja seus dados bancários: senhas, cartões, códigos de autenticação e dados de acesso devem permanecer sob seu controle. Essas informações não devem ser compartilhadas com terceiros.
  • Avalie o impacto da parcela no orçamento: como o consignado é descontado diretamente da renda, é importante verificar se o valor das parcelas permitirá manter o pagamento das demais despesas do dia a dia.
  • Conheça seus direitos na portabilidade: se outra instituição oferecer condições mais vantajosas, é possível transferir a dívida. Antes da mudança, compare custos, prazos e regras do novo contrato.
  • Não contrate crédito em nome de terceiros: mesmo quando se trata de amigos ou familiares, a responsabilidade pela dívida continuará sendo de quem assinou o contrato.

Vale, também,acompanhar o nível de comprometimento do orçamento. Embora a legislação estabeleça limites para o consignado, é importante avaliar quanto da renda mensal pode ser destinada ao pagamento de empréstimos, financiamentos e parcelamentos. Quanto maior o valor comprometido com dívidas, menor tende a ser a capacidade de lidar com despesas inesperadas, formar uma reserva de emergência ou manter outros objetivos financeiros. 

Fique atento ao golpe do crédito consignado

Saiba como identificar golpes envolvendo empréstimos consignados e proteger seus dados

Com a ampliação do acesso ao crédito consignado e as mudanças nas regras implementadas em 2026, é importante redobrar a atenção para tentativas de fraude que usam o nome de bancos, do INSS ou de programas do governo para enganar consumidores usando como isca o crédito consignado.

Esse golpe acontece, em geral, de duas maneiras. Na mais comum, os golpistas entram em contato pelo WhatsApp, e-mail ou telefone. Passando-se por funcionários de instituições financeiras, oferecem um empréstimo consignado vantajoso, seja nos valores de contratação, seja nas taxas de juros. Em seguida, pedem por um pagamento antecipado, para a liberação do dinheiro.

Também é comum que criminosos enviem mensagens sobre supostas atualizações cadastrais, desbloqueio de margem consignável, liberação automática de crédito ou confirmação de contratos. Em caso de dúvida, procure diretamente a instituição financeira ou os canais oficiais do INSS e do governo federal. 

Em outros casos, os golpistas fingem ser de alguma instituição financeira e pedem a confirmação de dados pessoais ou envio de documento com foto. Com os dados ou documentos em mãos, abrem contas ou até mesmo criam cartões de crédito em nome da vítima.

Vale lembrar que, desde maio de 2026, a contratação de novos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS exige validação por biometria facial no Meu INSS. Por isso, desconfie de propostas que prometam contratação sem confirmação de identidade ou mediante pagamento antecipado. 

Como se proteger de golpes

Não importa qual a abordagem, existem algumas medidas que sempre podem ser tomadas para garantir mais segurança:

  1. Cuidado com seus dados pessoais: nunca informe seus dados pessoais por WhatsApp, telefone ou e-mail. Esse tipo de dado deve ser preenchido apenas em aplicativos ou sites oficiais de empresas reconhecidas.
  2. Não forneça suas senhas: nunca forneça suas senhas, códigos de autenticação ou credenciais da conta Gov.br por nenhum meio. Bancos e instituições financeiras não solicitam essas informações por telefone, mensagem ou e-mail, não importa o caso.
  3. Não faça depósitos para estranhos: nunca faça pagamentos antecipados para obter um empréstimo e desconfie ainda mais se houver alguma pressão para que a transação seja feita rapidamente.
  4. Utilize os canais oficiais das instituições financeiras: negocie apenas com instituições financeiras reconhecidas e utilize os canais oficiais para contratar crédito, tirar dúvidas ou confirmar informações recebidas por terceiros.
  5. Desconfie de promessas fáceis: ofertas com aprovação garantida, juros muito abaixo dos praticados no mercado ou liberação imediata sem análise merecem atenção. Antes de contratar, confira as condições do empréstimo e pesquise a reputação da instituição financeira.

Adotar esses cuidados pode ajudar a reduzir o risco de fraudes e tornar a contratação do crédito consignado mais segura. Em caso de dúvida, interrompa a negociação e procure diretamente a instituição financeira pelos canais oficiais de atendimento.

Como evitar ligações indesejadas com oferta de crédito consignado

Você pode cadastrar seu número de telefone no Não Me Perturbe, um serviço gratuito que permite bloquear ligações de telemarketing com ofertas indesejadas de crédito consignado. Para isso, basta acessar a plataforma e solicitar o bloqueio. 

Após a solicitação, o bloqueio será efetivado em até 30 dias corridos. Caso queira acompanhar o status da solicitação ou cancelar o bloqueio, basta acessar a plataforma utilizando seu login e senha.

Atenção: o bloqueio não se aplica a ligações realizadas para confirmação de dados, prevenção a fraudes, cobrança de débitos, retenção de solicitações de portabilidade (com ou sem oferta de refinanciamento) ou oferta de outros produtos bancários e modalidades de crédito.

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Matéria atualizada em 10/06/2026.