Porque as empresas devem investir na educação financeira de seus colaboradores

Estimular o bem-estar financeiro dos profissionais ajuda a criar um ambiente de trabalho mais produtivo, saudável e engajador, com impactos nos resultados

a importância da educação financeira nas empresas, favorece o bem-estar e a produtividade no ambiente de trabalho
25 de julho de 2023 5 min. leitura

Vários estudos e pesquisas têm demonstrado que a desorganização financeira afeta todas as esferas da vida, inclusive o trabalho. As empresas têm percebido isso na prática e vêm tentando entender como lidar com o assunto. Afinal, já ficou claro que não é possível desassociar o que acontece dentro da casa e da família de cada colaborador do resultado que ele exibe profissionalmente. Assim, em vez de exigir que as pessoas deixem os problemas da porta para fora, a cultura corporativa contemporânea busca acolher integralmente seus times.

É aí que entra a relação entre as empresas e os enroscos financeiros de seus profissionais. Vale lembrar que a desorganização financeira não está ligada, necessariamente, aos ganhos. Há executivos de alta renda que fazem malabarismos com cartões de crédito e, ao mesmo tempo, pessoas que ganham um salário mínimo e conseguem manter as contas em dia.

A realidade fala por si: em maio de 2023, quase 72 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, segundo dados do Serasa. Mas como esse cenário impacta a vida dessas pessoas? O Índice de Saúde Financeira do Brasileiro, desenvolvido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com apoio do Banco Central (BC) e envolvimento de diferentes atores do sistema financeiro, traz dados que ajudam a entender alguns pontos importantes:

  • 71% das pessoas vivem em estresse financeiro há pelo menos um ano 
  • 46% vivem em aperto financeiro
  • 39,5% se sentem inseguras em relação ao seu futuro financeiro
  • 34,2% gastam mais do que ganham
  • 31% conseguem ter alguma sobra de dinheiro no final do mês 

O estudo mostra que, além do endividamento, a ausência de uma reserva financeira aflige um grande número de brasileiros: 80% disseram que não têm condições de arcar com uma despesa grande inesperada que venha a surgir. A importância de trabalhar a educação financeira está em outro número trazido pelo Índice: somente 45,6% dos adultos sabem onde buscar informação para tomar decisões financeiras.

Que tal descobrir como levar o tema para a sua empresa? Aqui, reunimos os benefícios de prover as ferramentas e os conhecimentos necessários para que seus colaboradores aprendam a gerenciar suas finanças de forma eficaz. 

Como o descontrole financeiro afeta o ambiente de trabalho

o descontrole financeiro afeta o ambiente de trabalho e produtividade dos colaboradores

A desorganização financeira causa um impacto negativo na vida pessoal e profissional, podendo afetar a produtividade, o engajamento, a motivação e a harmonia entre os membros da equipe. A pesquisa Employee Financial Wellness Survey 2023, feita pela consultoria PwC, revela que as preocupações com dinheiro afetam negativamente a produtividade no trabalho de um em cada três trabalhadores.

No último ano, o estresse financeiro fez com que 56% deles sofressem de insônia; 55% tiveram a saúde mental abalada, 50% enfrentaram baixa autoestima e 44% relataram problemas físicos relacionados às finanças. Conheça, a seguir, mais detalhes sobre os impactos da falta de saúde financeira no ambiente de trabalho.

# Estresse e distração

Viver preocupado com boletos, dívidas, cobranças e outros perrengues geram estresse e ansiedade constantes, fazendo com que as tarefas se tornem mais difíceis e desgastantes. Além disso, de acordo com o estudo da PwC, 44% dos funcionários com problemas financeiros perdem a concentração facilmente no trabalho. Desse total, 56% passam três horas ou mais por semana, durante o expediente, lidando ou pensando em questões relacionadas às finanças pessoais.

# Queda na produtividade e absenteísmo

Um estudo feito pela Universidade de Warwick, do Reino Unido, demonstra que a produtividade dos trabalhadores está diretamente ligada ao seu bem-estar físico e mental. O levantamento revela que pessoas felizes têm uma produtividade 12% maior do que as que vivem sob estresse. Outro impacto importante da falta de saúde financeira é o absenteísmo, com a perda de dias de trabalho em decorrência do adoecimento.

Além disso, como mostra a pesquisa da PwC, as dívidas podem afetar negativamente a autoestima e a autoconfiança, levando a pessoa a se sentir envergonhada ou incompetente. Esses sentimentos costumam minar o desempenho profissional e dificultar a busca por oportunidades de crescimento e desenvolvimento de carreira.

# Falta de motivação para trabalhar

O ciclo vicioso tende a se perpetuar, já que os profissionais com problemas financeiros costumam sentir-se desmotivados a se engajar nos desafios e no propósito da empresa. Se por um lado vivem a sensação de estagnação, falta de progresso ou recompensa, por outro, enfrentam o cansaço e a falta de ânimo para superar a situação, o que se reflete em queda do desempenho e da qualidade do trabalho.

# Maior turnover e perda de talentos

Funcionários com estresse financeiro também são mais propensos a trocar de emprego. Segundo a pesquisa da PwC, apenas 54% deles sentem que há um futuro promissor no trabalho atual, em comparação com 69% dos funcionários que não estão estressados com suas finanças. Profissionais com problemas financeiros têm, ainda de acordo com o estudo, duas vezes mais chances de buscar um novo emprego, motivados por fatores como a indenização trabalhista, levando as empresas a perderem talentos para as dívidas. 

Dicas para inserir a educação financeira no dia a dia de sua empresa

como empresas podem falar sobre educação financeira

O impacto negativo do descontrole financeiro no ambiente de trabalho pode ser amenizado com ações educativas, que podem vir na forma de um programa mais estruturado ou de maneira pontual. Veja algumas dicas para começar.

# Aplique o diagnóstico de saúde financeira 

Gratuito e planejado para ser uma ferramenta que possa ser usada por toda a sociedade, o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro pode ajudar a mapear o grau de saúde financeira dos colaboradores de sua empresa. Por trás do índice há toda uma metodologia complexa, porém, a aplicação da pesquisa é muito simples. Basta entrar no site, preencher um questionário com poucas perguntas de múltipla escolha e clicar em “calcular meu índice”.

O resultado é uma nota de vai de zero a 100. Além de permitir comparar a nota individual obtida com a nota média dos brasileiros, a ferramenta ajuda a pessoa a entender os aspectos que ela precisa melhorar para ter mais saúde financeira. Há, inclusive, a possibilidade de criar um interface própria para a sua empresa usar o índice. Para explorar essa possibilidade, fale com o time do Instituto Febraban de Educação.

# Divulgue cursos gratuitos e incentive sua equipe a aprender sobre o tema

Outra iniciativa da Febraban em parceria com o Banco Central é a Plataforma Meu Bolso em Dia. O Índice de Saúde Financeira pode ser preenchido lá, de maneira que, ao descobrir a sua nota, o usuário já pode acessar uma trilha personalizada 100% gratuita e adequada à sua realidade financeira. Os conteúdos da plataforma são gamificados, dinâmicos e muito acessíveis, com aulas, vídeos, infografias e outros recursos que facilitam e estimulam o aprendizado. 

# Use a comunicação para informar e dar pequenos “empurrões”

As pessoas, em geral, têm dificuldades para olhar suas finanças e, diante de  situações como o superendividamento, por exemplo, tendem a ficar imobilizadas por não enxergar uma luz no final do túnel. Por isso, é importante levar a elas informação de qualidade e orientação sobre como organizar o orçamento pessoal, fazer um bom uso dos produtos financeiros e se preparar para sair das dívidas, entre outros. 

Fique à vontade para compartilhar com sua equipe os artigos, e-books, planilhas e outras ferramentas gratuitas do portal Meu Bolso em Dia. A exigência que fazemos para uso dos conteúdos é citar a fonte.

# Ofereça palestras e workshops

Eventos, palestras e workshops online ou presenciais são outra maneira de engajar as pessoas em um estilo de vida mais sustentável financeiramente. Chamar especialistas para inspirar, contar suas histórias e orientar sobre orçamento e planejamento familiar, reserva de emergência, como investir e outros assuntos pode ajudar os colaboradores a olharem de uma maneira mais saudável para o dinheiro e suas finanças.

# Insira a educação financeira na jornada de aprendizagem de sua empresa

empresas podem criar metas e campanhas de incentivo ao hábito de poupar dos colaboradores 

Outra oportunidade para educar financeiramente os funcionários é inserir a educação financeira na universidade corporativa e nos programas de treinamentos de sua empresa. Nesse desenvolvimento, você pode contar com o suporte do Instituto Febraban de Educação, que realiza esse trabalho em parceria com muitas organizações.

# Crie campanhas de incentivo

As pessoas adoram desafios. Então, que tal organizar campanhas que estimulem o hábito de poupar, incentivem as pessoas a segurarem as compras parceladas no cartão por um determinado período e outras ações que façam sentido para o público interno de sua organização?

# Tenha um ambiente seguro para falar sobre dinheiro

Estar bem informado é um caminho importante, mas também é preciso oferecer um espaço seguro para o colaborador. Se a sua empresa não possui, considere investir em um canal privado de acompanhamento, atendimento e apoio psicológico, assim como sessões privadas de aconselhamento financeiro.

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