Sair das dívidas é um desafio, mas quando entendemos melhor nossa atual situação fica mais fácil buscar uma solução eficaz. Apesar de muitas vezes serem usados como sinônimos, os termos endividamento, inadimplência e superendividamento retratam realidades financeiras bem distintas.
Para ajudar a entender cada uma delas, trazemos alguns exemplos práticos de cada situação, com dicas para identificar os sinais de alerta do endividamento de risco e atitudes que podem ajudar a mudar o jogo e ter uma vida financeira mais saudável.
O que significa estar endividado
Joaquim tem 26 anos, é músico e sempre quis ter uma bateria. Com o dinheiro que sobra no fim do mês, após pagar as contas, não dá para comprar o instrumento à vista. Para conseguir realizar seu sonho, fez a compra em dez parcelas no cartão de crédito, que tem pago todos os meses em dia.
Ele tem, assim, uma dívida, mas não tem contas em atraso. Afinal, o parcelamento acaba sendo, na maioria das vezes, a única opção viável para comprar coisas mais caras, como uma moto, um carro ou uma bateria, no caso do Joaquim. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de janeiro de 2026, essa é a realidade de 79,5% das famílias brasileiras.
Boa parte dessas pessoas está com as contas em dia. Nesse caso, ter uma dívida significa, simplesmente, que você tem um compromisso financeiro para uma data futura. Caso uma parcela não seja paga em dia ou um valor não seja quitado na data determinada, aí sim podemos dizer que você está com as contas atrasadas — o que pode ter consequências negativas como o pagamento de multas e juros.
Boas práticas para quem está endividado
Confira algumas dicas para manter suas parcelas em dia:
- Se você costuma esquecer as datas de vencimento, coloque alertas no celular para lembrar do dia de pagamento das parcelas que você assumiu.
- Faça uma lista com todas as contas a pagar e coloque-a em um lugar visível para não atrasar nenhuma parcela.
- Antes de assumir uma dívida, pergunte-se sempre se o dinheiro que entra todo mês é suficiente para pagar as despesas fixas (aluguel, contas de luz e água, internet, convênio médico, etc.) e as prestações que irá contratar.
- Controle tudo o que você compra no cartão de crédito para garantir que vai sobrar dinheiro para pagar o valor total da fatura no vencimento.
O que significa estar inadimplente
Joana, 34 anos, é mãe solo, trabalhadora e, mesmo se esforçando para fechar as contas no azul, o que ela ganha nem sempre é o suficiente para arcar com as despesas da casa e de seus dois filhos. Ela usa o cartão de crédito no supermercado e para comprar outras coisas do dia a dia. Porém, quando a fatura chega, com frequência ela paga o valor mínimo e financia o restante. Até que, num determinado mês, deixou de pagar e acabou tendo seu nome negativado.
Quando deixamos de quitar as prestações ou parcelas assumidas, sejam do cartão de crédito ou de qualquer tipo de empréstimo, carnê ou boleto, nos tornamos inadimplentes. Nesse caso, nosso CPF pode ser incluído nas listas de restrição dos birôs de crédito, como Serasa, SPC ou Boa Vista. Segundo dados de janeiro de 2026 apurados pela Serasa, 81,3 milhões de pessoas no Brasil estão nessa situação.
Dicas para colocar as dívidas em dia
Para evitar que a dívida se transforme em uma bola de neve, é importante agir rápido. Embora muitas vezes a inadimplência, como a de Joana, não seja propriamente uma escolha, frequentemente pessoas que poderiam manter as contas em dia acabam ficando inadimplentes por falta de organização ou compras feitas sem planejamento.
Para se prevenir, é importante atentar para alguns sinais de alerta de que você pode estar perdendo o controle das finanças: gastar mais do que ganha no mês, fazer malabarismos para pagar as contas da casa, usar o cartão de crédito para compras do dia a dia, parcelar a fatura com frequência e não acompanhar os gastos ou parcelas do cartão.
O primeiro passo, para isso, é manter o orçamento pessoal ou familiar em dia. Você pode contar com a planilha orçamentária gratuita do Meu Bolso em Dia para ajudar nessa organização.
Caso você já esteja inadimplente, a dica é procurar as empresas e instituições financeiras o mais rápido possível para renegociar suas dívidas. Outra dica é aproveitar o Mutirão de Negociação e Orientação Financeira para conseguir um acordo em condições diferenciadas.
Uma opção é buscar uma fonte de renda extra e reservar o dinheiro para quitar as parcelas. Independentemente da sua escolha, é importante resolver a situação o mais rapidamente possível. Isso é importante para a saúde financeira e, também, saúde mental.
# DICA: O Mutirão de Negociação e Orientação Financeira acontece de 1 a 31 de março de 2026. Se você tem dívidas em atraso com bancos, financeiras e cooperativas de crédito, aproveite para colocar a vida em ordem. Saiba mais.
O que significa estar superendividado
Thales, de 43 anos, é motorista de caminhão e passa a maior parte dos dias na estrada. À distância, manda dinheiro para a esposa, Gislene, e os filhos do casal. Ao longo dos anos, Thales acumulou várias dívidas diferentes. A coisa piorou desde que Gislene ficou doente e os gastos médicos se tornaram mais uma despesa mensal. Hoje, para pagar as dívidas, ele precisaria deixar de pôr comida na mesa da família.
A situação vivida por Thales é chamada de superendividamento. Segundo a definição do Banco Central, o superendividamento acontece quando uma pessoa de boa-fé se vê impossibilitada de pagar suas dívidas atuais ou futuras e passa a ter dificuldades de suprir suas necessidades básicas, como alimentação, moradia, saúde, o que pode causar repercussões psicológicas, familiares e sociais.
Como sair do superendividamento
Se você já se encontra em situação de superendividamento, é importante buscar o apoio do órgão de proteção e defesa do consumidor da sua região. Isso porque o superendividamento tem tratamento previsto na Lei 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento. De acordo com esta lei, quem contrata crédito, mas fica totalmente impossibilitado de honrar seus compromissos financeiros — seja por desemprego, doença ou qualquer outra razão que impacte no orçamento —, deve ter um tratamento diferenciado na negociação.
Para acessar a proteção prevista na Lei, você pode contar com o apoio dos Procons e outras instituições que prestam orientação, dão treinamentos, intermediam acordos com os credores, prestam assessoria jurídica e, em alguns casos, dão apoio psicológico aos consumidores. Tudo de graça.
Para saber mais sobre o tema, a dica é fazer o curso gratuito sobre superendividamento da Plataforma Meu Bolso em Dia. Com linguagem simples, vídeos curtos e muitas dicas práticas, o curso guia você rumo à retomada do controle de sua vida financeira.
Lembre-se: você não está sozinho
Como vimos, endividamento, inadimplência e superendividamento são coisas distintas e, para cada uma dessas situações, há soluções diferentes. Como sempre, o mais importante é estar bem informado e ter cuidado para não deixar as finanças fugirem do controle.
Conte com a gente para aprender a gerenciar sua vida financeira, traçar estratégias para sair da inadimplência e buscar ajuda para vencer o superendividamento. Aproveite, também, o Mutirão para renegociar dívidas com descontos especiais.
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Matéria publicada em 03/11/2022 e atualizada em 02/03/2026.





