Como organizar as contas da empresa e do empresário no início do ano

O ano chega acompanhado de várias despesas tanto para a empresa quanto para o empresário. Entenda a importância de se planejar para não misturar as despesas pessoais com as do negócio.

Mulher fazendo a gestão das contas da sua empresa
10 de janeiro de 2022 4 min. leitura

Conteúdo produzido pelo Sebrae-MG para o Meu Bolso em Dia

Todo final de ano acontece com uma série de despesas eventuais que podem afetar o caixa de uma empresa. Normalmente, o caixa já está abalado pelo pagamento do 13º salário aos colaboradores nos meses de novembro e dezembro. E em janeiro, podem chegar as despesas com IPVA sobre os veículos da empresa e de IPTU que incide sobre os imóveis utilizados. Em vários estados e prefeituras, esses tributos começam a ser pagos no início do ano. E muitas vezes, são oferecidos descontos para o pagamento à vista.

E se isso já não fosse o suficiente, o empreendedor também se vê diante de uma série de contas na virada do ano. Aos gastos com presentes e festividades natalinas, somam-se os gastos com matrícula escolar e, também, material escolar para aqueles que têm filhos na escola.

Para os que têm propriedades imobiliárias e veículos, o IPTU e IPVA também se apresentam. E, na maior parte dos casos, fazer o pagamento integral e à vista pode representar uma boa economia. Só é preciso cuidado e planejamento nesse momento, para entender se o pagamento do valor total de uma conta não irá comprometer outras despesas futuras. O que fazer então?

Cuidado para não comprometer o caixa da empresa 

Não comprometa o caixa da empresa

Primeiro, vamos dizer o que não pode ser feito em hipótese alguma: comprometer o caixa da empresa. As despesas pessoais devem ser pagas com recursos do empreendedor e as despesas do negócio com o caixa da empresa.

Para o Sebrae, “quando o empreendedor mistura as finanças pessoais e do seu negócio pode acontecer a falsa impressão de que os negócios vão bem e as contas estão todas no azul, quando na verdade o dinheiro em caixa veio do seu “bolso”. Ou que está ruim, quando ele está fazendo bons negócios e acaba consumindo tudo em contas pessoais. Se não separar as contas, sua gestão se torna mais desorganizada, o que vai trazer problemas futuros e pode colocar sua empresa em uma canoa furada.”

É importante que o empreendedor, seja ele dono de uma pequena ou média empresa, defina um valor para a sua própria remuneração, um salário. Isso é o que chamamos de pró-labore, essencial para o pagamento das despesas pessoais do empresário.

Não há regra para cálculo desse valor, que pode ser definido de forma fixa, quando é estipulado um valor fixo mensal, ou variável, quando o pró-labore for definido de acordo com um percentual do lucro líquido mensal da empresa. Assim, fica mais fácil separar aquilo que pode ser gasto para as despesas pessoais do empresário, sem comprometer mais do que o caixa da empresa poderia suportar.

E se o bolso do empreendedor ou o caixa da empresa não tiver disponibilidade para quitar todos os compromissos? 

A primeira providência é verificar aquilo que poderá ser parcelado. Isso ajudará bastante na quitação desses compromissos. “Deve-se evitar ao máximo recorrer à empréstimos, limites do cheque especial ou qualquer outra maneira de crédito do mercado financeiro”, é o que diz Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), em entrevista ao Valor Investe. Segundo Domingos, “isso apenas se tornaria uma bola de neve, devido aos juros altíssimos cobrados”.

Construa uma reserva financeira para o pagamento das contas do início do ano

Reserva financeira para o pagamento das contas do início do ano

Mas e os descontos? Dá uma dor no coração quando não se consegue aproveitar uma oportunidade de pagar menos imposto, não é mesmo? A saída então é se preparar para, na próxima virada do ano, aproveitar essa oportunidade. E como se pode fazer isso? Com planejamento financeiro.

O primeiro passo é saber qual o montante seria necessário para quitação dessas despesas de início de ano. Tanto as relativas à empresa, quanto àquelas do próprio empreendedor. Depois, dividir o valor apurado pelo número de meses até o final do ano. E a cada mês separar o valor relativo às contas da empresa do caixa dela e o valor relativo às contas pessoais da renda do empreendedor. 

É importante que o empreendedor estabeleça as metas necessárias para chegar ao objetivo pretendido. Assim, fica bem mais fácil visualizar os resultados gerados pelas suas ações.

Com esse planejamento e com a disciplina a cada mês, empreendedor e empresa chegarão preparados ao final do ano para aproveitar a oportunidade de ter gastos menores.

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