Impostos sobre investimentos financeiros

Entenda como eles são cobrados e aprenda a calcular a rentabilidade líquida de suas aplicações

4 de setembro de 2020

Entenda como eles são cobrados e aprenda a calcular a rentabilidade líquida de suas aplicações

A cobrança de impostos sobre aplicações financeiras é um tema que gera dúvidas entre muitos investidores e pessoas que querem começar a investir. Quais são os impostos cobrados, como é a incidência deles e qual o ganho real do investimento são algumas das perguntas mais comuns. Vamos responder a algumas delas. A primeira informação que você precisa saber é que existem apenas dois impostos sobre seus investimentos: o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Outro fator importante é que eles incidem apenas sobre os rendimentos que você obtiver e não sobre o valor total investido. De modo geral, a cobrança tanto do IR quando do IOF funciona em uma tabela regressiva, ou seja, quanto mais tempo você mantiver seu dinheiro investido, menor será a alíquota do imposto. 

Tabela do IR por tipo de investimento:

1. Ações e opções de ações

2. Renda fixa e fundos de longo prazo

Exemplos de títulos de renda fixa: Tesouro Direto, CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio). Nos fundos de longo prazo, o prazo médio dos títulos é superior a 365 dias.

3. Fundos de curto prazo

Nesses fundos, o prazo médio dos títulos é inferior a 365 dias.

4. Fundos de previdência

5. Fundos de ações

Imposto sobre operações financeiras:

A tabela do IOF abaixo vale para todos os tipos de investimentos.

Como fugir da mordida dos impostos?

Agora que você já conhece as alíquotas dos impostos vem a boa notícia: existem situações em que eles não são cobrados. Assim como a poupança, há investimentos que também são isentos de Imposto de Renda. São eles:

# LCI: ao investir em Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), você empresta dinheiro ao setor imobiliário e recebe juros por conta disso no futuro.

# LCA: ao investir em Letras de Crédito Agrícola (LCAs), você empresta dinheiro ao setor do agronegócio e recebe juros por conta disso no futuro.

# CRI: similares às LCIs, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) permite que você empreste dinheiro ao setor imobiliário e receba juros por conta disso no futuro.

# CRA: similares às LCAs, ao investir em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), você empresta dinheiro ao setor do agronegócio e recebe juros por conta disso no futuro.

# Debêntures incentivadas: debêntures são títulos que empresas emitem para levantar dinheiro para financiar seus projetos. Quando investe nesses títulos, você empresta dinheiro para essas empresas e recebe uma taxa de juros pelo tempo que os recursos ficarem investidos. Fique de olho: há diversos tipos de debêntures, mas apenas as incentivadas são isentas de IR.

# Ações: não, você não leu errado. Dá para investir em ações sem pagar IR. A variável que determina ou não a cobrança do imposto é o valor do lucro obtido na operação. Para ganhos líquidos de até R$ 20 mil, não há cobrança de IR.

# Dividendos: algumas empresas oferecem o pagamento de dividendos para seus acionistas, como forma de tornar seus papéis (ações) mais atrativos. Os dividendos são uma fração do lucro da companhia e quem recebe essa remuneração não paga IR sobre ela.

Como calcular quanto vou pagar de IR?

Agora que você já entendeu a cobrança de impostos sobre investimentos, vamos entender como isso funciona na prática? Selecionamos dois exemplos de investimentos para demonstrar o cálculo da rentabilidade líquida, ou seja, o ganho real da aplicação.

O primeiro é um investimento muito comum para quem está começando: o Tesouro Direto. Vamos supor que você invista hoje R$ 1.000,00 no Tesouro Prefixado 2023 para resgatar sua aplicação daqui a três anos. A estimativa é que seu investimento renda R$ 101, totalizando um valor de resgate de R$ 1.101 bruto, ou seja, sem descontar os impostos. Qual será seu ganho real nessa aplicação?

Lembra que só existem dois impostos que incidem sobre investimentos? O IR e o IOF. Nesse exemplo, como a aplicação será mantida por um período maior do que 30 dias, a cobrança de IOF é isenta. Entretanto, há cobrança de IR. Mas como ela funciona mesmo?

O primeiro ponto que você precisa atentar é que a cobrança é feita apenas sobre a rentabilidade (R$ 101) e não sobre o valor total (R$ 1.101). O segundo ponto é por quanto tempo a aplicação foi mantida: no caso, mais de 721 dias. Consultando a tabela do IR, a alíquota do imposto para esse período é de 15%.

Agora é hora da matemática: 15% de R$ 101 é R$ 15,15. O ganho líquido desse investimento, portanto, é calculado subtraindo R$ 15,15 de R$ 1.101. O resultado é R$ 1.085,85. Lembrando que aqui ainda precisa abater R$ 6,10 de taxa cobrada pela bolsa de valores, o que gera um líquido de R$ 1.079,75. Para efeito de comparação, se você colocar R$ 1.000 na poupança por três anos, a expectativa, considerando a atual taxa da Selic (2%) é que você chegue lá com ganhe R$ 1.060,91.

Como calcular quanto vou pagar de IOF?

O segundo exemplo é de um investimento em renda fixa privada: a LCI. Vamos supor que você tenha investido R$ 10.000 nesse título, mas precisou resgatar o dinheiro 20 dias depois. O valor resgatado foi de R$ 10.100, sendo R$ 100 de lucro. Qual seu ganho real sobre a aplicação?

É necessário descontar os impostos. A LCI é isenta de IR, então você não precisa se preocupar com isso dessa vez. Mas como o resgate do investimento foi feito antes de 30 dias, há incidência de IOF.

Consultando a tabela desse imposto, a alíquota para esse prazo é de 33%. Fazendo a conta: 33% do rendimento (R$ 100) é R$ 33. Para calcular a rentabilidade real, basta subtrair R$ 33 do lucro (R$ 100). O resultado é R$ 67.