3 sonhos para realizar só depois dos 30 anos

Entenda por que vale a pena esperar um pouco para concretizar certas conquistas

10 de novembro de 2020

Entenda por que vale a pena esperar um pouco para concretizar certas conquistas


O planejamento financeiro requer mais do que apenas estabelecer metas, prazos e estratégias para realizar sonhos. Uma das características mais necessárias para que seu plano tenha êxito é a capacidade de priorizar, definindo o que deve vir antes e o que pode esperar. Certas realizações, se iniciadas muito cedo na vida, têm potencial para atrasar outros planos, gerando dívidas altas, custos fixos significativos e grandes frustrações quando algum imprevisto surge. Conheça alguns exemplos pela história de três personagens inspirados em casos reais.


Carro, um sonho que pode virar pesadelo

Depois de cinco anos se apertando em ônibus e metrô para ir à escola ou à faculdade, encontrar os amigos e sair com a namorada, Carlos finalmente conseguiu um emprego e começou a receber uma renda mensal. É claro que a primeira ideia que lhe ocorreu foi comprar um carro para ter mais liberdade e ir aonde quisesse, sem depender de transporte público ou carona.

Pesquisou algumas opções e encontrou um veículo com alguns anos de uso, mas com parcelas que cabiam no seu bolso. Como não tinha dinheiro para uma entrada, precisou fazer um financiamento de 48 meses. O salário que ganhava no primeiro emprego dava justinho para pagar as prestações, o combustível e a mensalidade da faculdade, recém-iniciada. Não tinha dinheiro para o seguro nem para a manutenção, mas prometeu ser cuidadoso.

Os primeiros meses foram maravilhosos, até que o carro apresentou um problema grave, e Carlos teve que fazer uma escolha que lhe custou muito caro. Trancou a faculdade para pagar o conserto do carro. Com isso, o contrato de trabalho foi cancelado e as dívidas começaram a se acumular. Carlos não conseguiu voltar a estudar, teve que repassar o carro e hoje está em busca de um emprego para tentar retomar seus planos de se formar como advogado.


Casamento, uma ideia a amadurecer

Simone e André já namoravam desde os 15 anos. Viviam juntos o tempo todo, na escola, com os amigos e nas festas da vizinhança. Na cidade pequena onde moravam, todo mundo comentava que se casariam cedo. E foi isso mesmo o que aconteceu. Logo que André conseguiu um emprego na oficina do tio, a família começou a pressioná-lo a pedir Simone em casamento.

Acontece que Simone era sonhadora e queria convidar a cidade inteira para a cerimônia. Começaram a planejar e conseguiram agendar o casamento para o ano seguinte, parcelando o grande evento em 36 meses. Nesses três anos, metade do salário do André seria usado para pagar as prestações e a outra metade para sustentar o casal.

Com tantos compromissos assumidos, os dois adiaram os estudos e resolveram focar na vida em família. Porém, a inexperiência e a pressão de tantas contas fixas para pagar causaram vários conflitos e a história de amor não teve um final feliz. Em dois anos, eles se separaram e André ainda paga as prestações do casório.


Casa própria, um teto que precisa de pés no chão

Claudia vivia com três irmãos do segundo casamento de sua mãe, após o falecimento de seu pai. Para uma jovem estudante com um futuro promissor, dividir o quarto com sua irmã caçula, 10 anos mais nova, era muito estressante. Ela bagunçava suas coisas, não a deixava se concentrar e causava muita confusão.

O sonho de Claudia era sair de casa assim que possível, mas para isso precisava de um emprego. Começou a enviar currículos e depois de seis meses, conquistou a tão desejada vaga. Quase imediatamente, iniciou a procura por um teto que fosse só seu, pertinho do trabalho. Não queria morar de aluguel porque sempre ouviu sua família dizer que era “jogar dinheiro fora”, então usou o dinheiro da herança que seu pai lhe deixou para dar uma entrada e financiou um apartamento em 30 anos.

Sonho realizado, agora Claudia tinha tranquilidade para estudar e seguir com sua vida. Com seu salário, pagava com aperto a prestação do imóvel, as contas da casa e o financiamento estudantil, mas não sobrava nada para guardar.

Um ano depois, quando Claudia já estava adaptada ao novo estilo de vida, a sede empresa onde trabalhava mudou de cidade e ela foi convidada a assumir uma posição de mais destaque por lá. Porém, como tinha investido tudo em seu apartamento, resolveu abrir mão da oportunidade e voltou a procurar emprego para seguir morando perto do seu novo lar. Agora, espera ter novamente uma chance como aquela.


Moral da história

Os três casos acima retratam a realidade de muitos jovens que, ansiosos por realizar seus sonhos, acabam antecipando conquistas que poderiam ser adiadas, garantindo tranquilidade financeira para estudar e investir na carreira.

O primeiro emprego é a porta de entrada para a vida profissional, mas é arriscado apostar tudo nessa conquista para entrar em financiamentos de longo prazo. Isso porque o salário dessa fase da vida geralmente é muito baixo para comportar tantos compromissos fixos.

Comprar um carro, por exemplo, além das prestações, envolve gastos com combustível, impostos, seguro, manutenção, multas, entre outros, como você pode conferir na matéria Tá pensando em comprar um carro?

O casamento é uma decisão que requer maturidade e, além disso, na fase inicial da vida, a renda pequena para tantos compromissos pode causar conflitos. Não é à toa que muitas pesquisas indicam que as discussões financeiras são uma das principais causa de divórcios no mundo. Confira alguns tópicos importantes para ajudar a tomar essa decisão na matéria Vai casar? Hora de conversar sobre dinheiro.

Assim como o carro, a compra da casa própria é uma decisão que envolve muito mais do que parcelas que cabem no bolso. Direcionar todo seu dinheiro para a compra de um imóvel vai reduzir a liquidez, ou seja, a facilidade que você teria de usar seus recursos para investir em outras metas. Além disso, se prender a um único endereço deixará de ter a liberdade que você precisa nesse momento da vida para tomar decisões que podem ajudar você a dar um salto na carreira. Saiba mais na matéria Comprar ou alugar um imóvel?


Adiar o que acorrenta

Por isso, vale a pena adiar alguns sonhos que podem acorrentar você e dificultar ou até mesmo impedir que invista no que realmente faz sentido nesse momento. Nos primeiros 10 anos de vida profissional, todo dinheiro investido em estudos, cursos, línguas e oportunidades de avançar na carreira, por outro lado, irá acelerar as chances de aumentar sua renda no futuro. Leia: 4 conquistas para realizar antes dos 30 anos.

Com uma renda mais alta, pagar as parcelas do carro, da casa ou do casamento ficará muito mais fácil, pois esses compromissos irão precisar de uma fatia menor dos seus recursos. Além disso, com seus estudos concluídos, você não corre o risco de abandonar sua formação para manter as contas assumidas.

Isso não significa que você precise abandonar esses sonhos, mas pode transformá-los. Em vez de carro, que tal priorizar a mobilidade? Em dias de chuva, por exemplo, use aplicativos de transporte para levá-lo aonde precisa ir, sem a necessidade de bancar todos os custos de um veículo próprio. O casamento pode ser mais simples, sem gerar grandes despesas, para não pressionar o jovem casal com tantas contas.

Com empregos melhores e uma renda maior, daqui a alguns anos, vocês poderão organizar a festa dos sonhos. E quanto à casa própria, vale a pena pagar aluguel nos primeiros anos da vida profissional, para ter liberdade de mudar e aproveitar as oportunidades. Ou continuar vivendo na casa da família e pagar um consórcio para ter acesso a um imóvel no futuro. Ordenar suas metas de acordo com a fase da vida é um fator-chave para realizar todas as suas conquistas. Não tenha pressa e dê um passo de cada vez para chegar lá.