Aproveite os novos mecanismos criados pelos bancos para proteger a sua segurança financeira

Aplicativos e sites dos bancos passam a oferecer camadas extras de proteção.

Organizar as finanças

/ 27 Mar 2026 / 5 min. leitura
Bancos ampliam funções de proteção para reduzir golpes em celulares

Usar o celular para resolver questões financeiras é parte do dia a dia. Não é raro pagar contas, fazer transferências ou conferir o saldo enquanto esperamos alguém ou aguardamos uma consulta. A tecnologia trouxe praticidade, mas também fez crescer a preocupação com a segurança dos aplicativos bancários em casos de roubo, furto ou uso indevido do aparelho.

Em resposta a essas preocupações, instituições financeiras passaram a ampliar as camadas de proteção de seus aplicativos. Esse movimento também acompanha a evolução regulatória, a exemplo da Resolução CMN nº 5.274, publicada no final de 2025 pelo Conselho Monetário Nacional, que atualizou o arcabouço de segurança cibernética em instituições financeiras que oferecem serviços financeiros digitais.

Os clientes ganharam, assim, mais opções para controlar o uso do aplicativo em diferentes contextos, especialmente em casos de perda ou roubo do celular. 

Quais são e como funcionam os novos recursos de segurança em apps bancários

Existem diversos mecanismos de segurança que os bancos oferecem em seus aplicativos, como limites automáticos para transferências, ocultação de informações financeiras e confirmações extras de identidade em acessos considerados suspeitos. Essas soluções variam de acordo com a instituição, mas seguem uma lógica semelhante de prevenção. Nos tópicos seguintes, entenda como funcionam os principais tipos de proteção oferecidos atualmente.

#1 Cadastro de locais seguros

Alguns aplicativos permitem cadastrar locais ou redes de confiança para diferenciar acessos habituais de situações consideradas de risco. Quando o acesso ocorre longe das redes cadastradas, o aplicativo pode pedir uma confirmação extra por biometria e diminuir o limite de operações como Pix, transferências, pagamentos e até compras com cartão virtual, além de bloquear temporariamente algumas funções.

Na maioria dos casos, a ativação pode ser feita na área de segurança ou proteção do aplicativo bancário. Ali, o cliente consegue registrar endereços como casa ou trabalho, além de definir limites específicos para transferências quando estiver fora desses locais.

No Modo Rua, do Nubank, por exemplo, a função pode ser ativada ao acessar o perfil do usuário no aplicativo. Em seguida, é preciso entrar em “Segurança” ou “Central de Proteção” e selecionar a opção correspondente. Depois disso, é possível cadastrar redes Wi-Fi consideradas seguras e estabelecer o valor máximo permitido para transações fora desses ambientes.

Já o Modo Protegido, do Itaú Unibanco, pode ser configurado ao clicar na foto de perfil dentro do aplicativo e acessar a área de “Segurança”. O cliente escolhe as redes confiáveis, define limites de movimentação financeira para operações quando o acesso ocorre em outra região e, a partir daí, esse ajuste passa a valer automaticamente quando estiver em locais diferentes. 

Funcionalidades semelhantes vêm sendo adotadas por outras instituições como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco Santander Brasil, que também permitem cadastrar ambientes seguros e ajustar limites personalizados.

Na plataforma da XP, por exemplo, o “modo viagem” pode ser ativado na central de segurança. Ela permite indicar previamente novos endereços e datas em que as restrições serão flexibilizadas.

#2 Ocultação de saldo ou investimentos

Outra funcionalidade que vem sendo ampliada pelos bancos é a possibilidade de ocultar saldos, investimentos e outras informações financeiras quando o acesso ao aplicativo ocorre em um ambiente considerado de risco. A medida busca reduzir a exposição de valores disponíveis em situações como uso do celular na rua ou em locais cheios como restaurantes, ônibus, entre outros.

No BTG Pactual, por exemplo, o recurso Lugar Seguro permite que o menu de investimentos seja exibido apenas quando acessar o aplicativo em redes previamente cadastradas como confiáveis. Pelo próprio aplicativo, o cliente também pode aderir ao módulo de Segurança Extra, que reúne serviços como seguro para conta e cartão, monitoramento do CPF e envio de alertas de proteção.

Já no Mercado Pago, o Modo Blindado amplia a proteção da conta ao limitar transações, como Pix e transferências, e ocultar saldos quando o acesso acontece fora de redes Wi-Fi consideradas seguras. A configuração pode ser feita no menu de segurança do aplicativo, onde o usuário cadastra redes confiáveis, define limites de gastos e valida a ativação com reconhecimento facial.

No C6 Bank, a função Locais Seguros possibilita reduzir limites de movimentação fora dos endereços registrados e restringir ações como a exportação de extratos. A ferramenta Espaço Seguro, da XP Inc., segue lógica semelhante e permite cadastrar locais específicos para visualização de investimentos e realização de transações.

#3 Bloqueio de abertura de novas contas

O Banco Central do Brasil disponibilizou, para todos os brasileiros, o BC Protege+, um serviço gratuito voltado à prevenção de aberturas irregulares de contas em seu nome. Ao ativá-lo, você informa às instituições financeiras que não deseja abrir novas contas nem ser incluído como titular ou representante em contas de terceiros. Na prática, isso significa que, se um golpista tentar abrir uma conta utilizando seus dados, a solicitação será automaticamente bloqueada.

Para acessar o serviço, basta entrar na área logada do Meu BC, usando sua conta Gov.br nível prata ou ouro. Em seguida, localize o BC Protege+ e ative a proteção. Caso queira, é possível desativá-la a qualquer momento pelo mesmo caminho.

#4 Biometria e autenticação em duas etapas

Veja como configurar limites e biometria para proteger sua conta digital

Os aplicativos bancários também passaram a adotar mecanismos adicionais de validação de identidade. Um dos mais comuns é a biometria, que utiliza características físicas do usuário, como impressão digital ou reconhecimento facial, para autorizar acessos e transações.

Com isso, antes de entrar na conta, enviar um Pix, consultar investimentos ou alterar dados cadastrais, o cliente pode precisar encostar o dedo no sensor do celular ou posicionar o rosto diante da câmera. Esse tipo de confirmação ajuda a dificultar o uso do aplicativo por outras pessoas, inclusive em situações como perda ou roubo do aparelho.

Ferramentas como autenticação em duas etapas e confirmações adicionais para operações sensíveis também vêm sendo adotados por instituições tradicionais e digitais, ampliando as camadas de proteção disponíveis no dia a dia.

#5 Segurança do Pix

O Pix é um dos principais meios de pagamento no país e concentra um volume crescente de transferências no dia a dia. Com isso, também aumentou a atenção para golpes que exploram a rapidez das transações.

Para ampliar a proteção dos usuários, o Banco Central do Brasil vem atualizando as regras de segurança relacionadas ao Pix. Um exemplo é o limite reduzido para transações realizadas em dispositivos não reconhecidos, medida que ajuda a evitar movimentações suspeitas.

Também foram implementadas verificações mais rigorosas dos dados vinculados às chaves Pix, assim como o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite bloquear transações e recuperar valores em casos de golpe ou fraude. Saiba tudo sobre as camadas de segurança do Pix aqui.

Passo a passo para ativar funções de segurança no app do banco

Todas as funcionalidades de proteção costumam ser ativadas diretamente nas configurações do aplicativo bancário e podem ser ajustadas conforme o perfil de uso do cliente. Em geral, o caminho é parecido entre diferentes instituições.

  1. Abra o aplicativo do banco ou da carteira digital
  2. Acesse a área de perfil ou menu principal
  3. Procure por opções como “Segurança”, “Proteção”, “Privacidade” ou “Central de segurança”

Nessa seção, o usuário costuma encontrar recursos como cadastro de locais seguros, definição de limites de transações, ativação de biometria ou autenticação em duas etapas. Depois de escolher a funcionalidade desejada, o aplicativo normalmente orienta o cadastro de redes Wi-Fi ou endereços confiáveis, a definição de valores máximos para transferências e a validação por senha, token ou reconhecimento facial. 

Essas configurações podem ser revistas a qualquer momento, o que permite adaptar o nível de proteção conforme mudanças na rotina.

Dicas simples para proteger sua conta em aplicativos bancários

Ferramentas de segurança digital ajudam a reduzir riscos em caso de roubo

Mesmo com o avanço dos mecanismos de segurança nos aplicativos financeiros, alguns hábitos do dia a dia são importantes para reduzir riscos. O principal deles: nunca compartilhar senhas, códigos de verificação ou dados pessoais em ligações, mensagens ou links recebidos fora dos canais oficiais das instituições.

Também é importante manter o celular e os aplicativos bancários sempre atualizados, para garantir que eles estão acessando as camadas mais recentes de proteção, e ativar os recursos disponíveis, como biometria, autenticação em duas etapas e alertas de movimentação. 

Utilizar bloqueio de tela no aparelho, com senha ou reconhecimento biométrico, e evitar salvar dados bancários ou de cartão em navegadores e anotações digitais são medidas que ajudam a dificultar acessos não autorizados. Outro cuidado é evitar realizar transferências ou consultas de saldo em redes de Wi-Fi públicas ou em aparelhos de terceiros. Sempre que possível, prefira a rede móvel do próprio celular. 

Conferir os dados antes de confirmar um Pix, observar notificações inesperadas e acompanhar o extrato com frequência são atitudes que podem ajudar a identificar movimentações fora do padrão. 

Também é recomendável desconfiar de mensagens ou ligações com tom de urgência, como pedidos para transferir dinheiro rapidamente ou informar códigos de segurança. Em caso de dúvida, a orientação é encerrar o contato e procurar o canal oficial da instituição financeira.

Por fim, fica a dica: cadastre seu aparelho na plataforma Celular Seguro, criada em parceria pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Assim, em caso de perda, furto ou roubo, você consegue bloquear rapidamente o acesso ao aparelho e às contas bancárias. A ferramenta pode ser acessada pelo aplicativo ou pela versão web e exige cadastro prévio com a conta Gov.br.