O Brasil tem uma das menores taxas de poupança do mundo e, nesse cenário, reina a insegurança financeira. Segundo dados da pesquisa A Saúde Financeira do Brasileiro, feita em 2024 pelo Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (ISF-B/FEBRABAN), apenas 32,4% das pessoas afirmam que conseguiriam arcar com despesas inesperadas sem entrar em dívidas. Além disso, 67,2% dos entrevistados não se sentem seguros em relação ao futuro financeiro.
A pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), revelou que 63% da população brasileira não investe dinheiro algum e 3%, por desconhecimento ou insegurança, ainda têm o hábito de guardar seu dinheiro em casa, ficando sujeitos a roubos, furtos, incêndios e outros riscos. Além disso, dinheiro parado em casa não rende e é corroído pela inflação, perdendo seu poder de compra.
Mitos e fatos sobre a poupança e o Tesouro Direto
Investir nossas economias é muito importante, pois os rendimentos diminuem o esforço que você precisa fazer para poupar, aumentando seu patrimônio. Para vencer a insegurança de investir, é preciso ir atrás de informação e, para apoiar você, listamos alguns mitos e fatos sobre os investimentos.
#1 É preciso ter muito dinheiro para investir
MITO: Tanto a poupança quanto o Tesouro Direto são ótimas opções de investimento para pequenas quantias. Os bancos não exigem valores mínimos nem cobram taxas para abrir uma conta poupança. Já o Tesouro Direto, desde o final de 2024, permite aplicações de qualquer valor, desde que elas correspondam a pelo menos 1% do valor do título que você escolher. O limite máximo de investimento, que era de R$1 milhão, subiu para R$2 milhões por mês.
#2 A poupança pode ser confiscada novamente, como aconteceu no Plano Collor
MITO: Em tempos de crise política, surgem boatos de que os investimentos em poupança poderiam ser confiscados novamente, como ocorreu em 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello. A emenda constitucional no 32/2001 modificou o artigo 62 da Constituição Federal, proibindo qualquer medida para bloquear bens, poupança popular ou qualquer ativo financeiro dos brasileiros.
Caso o governo tenha a intenção de confiscar a poupança ou outro investimento, teria que propor uma nova lei, que precisaria ser votada no Congresso Nacional, dando tempo suficiente aos poupadores para sacarem o dinheiro de suas aplicações e se movimentarem contra a medida.
Além disso, o cenário econômico de hoje é completamente diferente daquela época: o Brasil possui US$ 329 bilhões de reais em reservas internacionais que ajudam o país a se proteger das crises, não vivemos mais a hiperinflação daquele período e dependemos de investidores externos. Um confisco nas poupanças geraria muita insegurança nos investidores, que fugiriam levando seu dinheiro embora. Isso seria um “tiro no pé” para nossa economia.
#3 Com a crise na política, o governo pode dar calote no Tesouro Direto
MITO: Quando você aplica no Tesouro Direto, na prática está emprestando dinheiro para o governo. Esses títulos públicos oferecidos por meio do Tesouro Direto fazem parte da parcela da dívida do governo emitida em reais – outra parcela é a dívida externa, emitida em moeda estrangeira. Como o governo também é o dono da impressora de dinheiro do país, se faltar recursos ele imprime mais papel moeda, causando outros desequilíbrios econômicos, mas provavelmente não deixará de pagar a dívida. Por isso, títulos públicos emitidos em moeda local são considerados livres de risco de calote.
#4 No Tesouro Direto, há o risco de sacar menos do que apliquei
DEPENDE: De acordo com o título escolhido e o momento em que você decidir vendê-lo, esse risco existe. No caso dos títulos prefixados, você define a rentabilidade no momento da aplicação. Isso significa que você precisa deixar seu dinheiro aplicado até a data de vencimento para obter o rendimento combinado.
Caso precise retirar antes do vencimento, irá vendê-lo pelo valor de mercado. Se ele estiver desvalorizado, há o risco de sacar menos do que aplicou. Por outro lado, se houver uma valorização, você também pode obter uma rentabilidade maior do que contratou. Por isso, é importante se planejar antes de fazer sua aplicação.
#5 Com a queda da taxa Selic, o Tesouro Direto ganha da poupança
FATO: Sempre que a Selic (taxa de juros básica da economia) ficar abaixo dos 8,5% ao ano, a remuneração da poupança cai e passa a ser de 70% da Selic mais TR (taxa referencial). No cenário atual, em que a Taxa Selic chegou à casa dos 13,25% ao ano, a expectativa de rentabilidade da poupança é de 7,87% ao ano.
E no caso do Tesouro Direto Selic? Para facilitar, fizemos uma simulação de rendimento comparando três diferentes títulos do Tesouro e a poupança. Usamos, para isso, a calculadora disponível no site do Tesouro Direto.
Consideramos, para a simulação, uma aplicação feita em 18/02/2025, no valor de R$ 5 mil, com vencimento em 01/01/2028, em três produtos financeiros: Tesouro Selic 2028, Tesouro Prefixado 2028, Tesouro IPCA+ 2029 e Poupança. Veja como ficariam os ganhos:
| Valor investido | Data de aplicação | Data de vencimento | Valor a ser resgatado | |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | R$5.000 | 18/02/2025 | 01/01/2028 | R$ 6.808,37 |
| Tesouro Prefixado 2028 | R$5.000 | 18/02/2025 | 01/01/2028 | R$ 6.949,77 |
| Tesouro IPCA+ 2029 | R$5.000 | 18/02/2025 | 01/01/2028 | R$ 6.584,92 |
| Poupança | R$5.000 | 18/02/2025 | 01/01/2028 | R$ 6.251,17 |
Nas condições simuladas acima, que servem apenas como exemplo, o Tesouro Selic ganha da poupança mesmo com a incidência do imposto de renda (isento na poupança). Fale com o seu gerente ou faça você mesmo outras simulações para descobrir qual é o investimento mais adequado a você.
#6 A poupança rende mais porque não desconta imposto de renda
DEPENDE: A vantagem da poupança é que não há desconto da taxa de corretagem e custódia nem incidência de imposto de renda. Já no caso do Tesouro Direto, é preciso ficar atento a três custos:
# Taxa de custódia, cobrada pela Bolsa de Valores de 0,2% ao ano sobre o valor dos títulos.
IMPORTANTE! Para o Tesouro Selic, a taxa de custódia só é cobrada para valores acima de R$10 mil por CPF. Acima desse valor, a taxa será cobrada apenas sobre o excedente.
# Taxa cobrada pela Instituição Financeira que intermedia a operação. Em geral, a taxa costuma ser zero, mas é bom ficar atento porque isso muda de instituição para instituição. Veja a lista dos bancos e corretoras habilitados a operar o Tesouro Direto, com as respectivas taxas cobradas por eles.
# Alíquota de imposto de renda: é a taxa a ser aplicada em cada compra, cobrada sobre a rentabilidade. O imposto de renda possui cobrança regressiva, conforme a Lei nº 11.033, de 21/12/2004:
1) 22,5% em aplicações com prazo de até 180 dias
2) 20% em aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias
3) 17,5% em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias
4) 15% em aplicações com prazo acima de 720 dias
Faça as contas, avalie os custos e fale com seu gerente antes de decidir pelo produto de investimento. Considere, também, o prazo em que você poderá deixar o dinheiro aplicado. Quanto mais longo o tempo que o dinheiro puder ficar investido, o Tesouro Direto tende a ganhar da poupança.
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Matéria publicada em 19/11/2020 e atualizada em 18/11/2025
