Os animais de estimação ocupam cada vez mais espaço na rotina e no orçamento das famílias brasileiras. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o país tem cerca de 170 milhões de pets, entre cães, gatos, aves, peixes e outros animais. Ou seja, 76% dos brasileiros vivem em lares com animais de estimação, o que faz o país figurar entre os três maiores mercados pet do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
O setor movimenta cerca de R$ 77 bilhões por ano no país e reúne uma grande variedade de produtos e serviços. A alimentação responde por 55% desse faturamento, mas há oportunidades em áreas como banho e tosa, medicamentos, serviços veterinários, acessórios e conveniência.
Essa diversidade mostra que o setor vai muito além da venda de ração e atende a diferentes necessidades de saúde, higiene, bem-estar, lazer e conforto. Ao mesmo tempo, os tutores estão destinando uma parcela cada vez maior da renda aos animais de estimação. Uma pesquisa da CVA Solutions, divulgada em 2026, mostra que em média 8% do orçamento mensal familiar é gasto com pets. O levantamento, que ouviu 4 mil tutores, mapeou um gasto médio de R$ 690 por mês com cães e R$ 574 com gatos.
Com mais dinheiro destinado aos pets, cresce também a procura por produtos personalizados e serviços especializados, inclusive os de maior valor agregado. É nesse cenário que ganha força o chamado mercado pet premium. Grifes de luxo, como Gucci, Louis Vuitton, Prada e Dolce & Gabbana oferecem itens de alto padrão para animais de estimação.
Para quem pensa em empreender, porém, o tamanho do setor não garante demanda nem lucratividade. Antes de investir, é importante conhecer os hábitos dos tutores da sua região, identificar necessidades ainda pouco atendidas e avaliar os custos para colocar a ideia em prática.
Continue a leitura e veja quais oportunidades podem fazer sentido para o seu perfil, suas habilidades e o dinheiro disponível para começar.
Quais são as oportunidades para ganhar dinheiro com pets?
O mercado pet comporta desde quem busca apenas fazer uma renda complementar, até quem quer estruturar um negócio de maior porte. A diferença está, principalmente, no volume de investimento inicial, na necessidade de espaço físico e no grau de especialização exigido.
Uma forma de organizar as possibilidades é pensar em três faixas: atividades que requerem pouco investimento e podem ser realizadas por pessoas com menos recursos iniciais; negócios de investimento intermediário, que demandam local próprio ou equipamentos específicos; e negócios de maior valor agregado, voltados a um público disposto a pagar mais por exclusividade e conveniência.
Cada faixa tem um público diferente e um caminho de crescimento próprio. Entenda!
Oportunidades que requerem pouco investimento
Passear com cães, hospedar animais em casa quando o espaço permite e atuar como pet sitter — cuidando de pets na casa do próprio tutor — são algumas das atividades mais acessíveis para começar no setor. Elas exigem pouco ou nenhum investimento em equipamento, podem começar com clientes da própria vizinhança ou por indicação e cabem em horários específicos ou nos fins de semana, o que permite testar a atividade antes de transformá-la em fonte principal de renda.
Serviços de transporte de animais, como levar o pet até a clínica veterinária, também têm ganhado espaço, assim como a fotografia de pets, voltada a tutores que querem registros profissionais dos animais. Outra frente que cresceu junto com a digitalização do setor é a criação de conteúdo para redes sociais de pet shops, clínicas veterinárias e outros profissionais da área.
Já a produção artesanal de acessórios, como coleiras e roupinhas personalizadas, permite trabalhar com pequenos lotes e testar a aceitação do público antes de ampliar a produção.
Oportunidades com investimento intermediário
Banho e tosa, pet shops especializados e o delivery de produtos pet exigem um investimento maior, seja em espaço físico, equipamentos ou estoque. A alimentação natural para pets também entra nessa faixa: o segmento ainda representa menos de 2% do mercado pet food no Brasil, mas cresce de 30% a 40% ao ano e já movimenta entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, segundo dados do Instituto Pet Brasil e da Abinpet, reunidos pela Abras.
Confeitarias e padarias voltadas à pets, que produzem petiscos e bolos sem ingredientes tóxicos aos animais, seguem a mesma lógica de agregar valor a um produto do dia a dia. O mesmo vale para brinquedos e acessórios de qualidade superior, que se diferenciam dos itens genéricos vendidos em grande escala.
Serviços de adestramento, day care e hospedagem também estão nessa faixa, assim como os de estética e bem-estar, que vão além do banho e da tosa convencionais e incluem hidratação, spa e outros cuidados voltados à pelagem e à pele dos animais.
Negócios de maior valor agregado
Aqui, o público está disposto a pagar mais por personalização, exclusividade ou conveniência. A alimentação personalizada, com cardápios elaborados conforme o peso, a raça e as restrições de cada animal, é um exemplo, assim como as creches e hotéis boutique, que oferecem estrutura e atendimento diferenciados em relação aos day cares e hospedagens convencionais.
Clubes de assinatura, que entregam mensalmente ração, petiscos e brinquedos, e planos e serviços de saúde animal também fazem parte desse grupo. No caso dos produtos premium, entram itens como camas de design assinado, bolsas de transporte sofisticadas, roupas feitas sob medida, coleiras e guias de materiais diferenciados e brinquedos de marcas especializadas. No segmento de luxo, há ainda acessórios de grifes, como coleiras, bolsas para transporte e outros artigos desenvolvidos especificamente para pets.
Soluções tecnológicas voltadas ao monitoramento e ao cuidado dos animais, como coleiras com GPS, comedouros automáticos e câmeras que permitem acompanhar ou interagir com o pet à distância, são itens que, em geral, também agradam a esse público.
Dicas para empreender e prosperar no mercado pet
Se você está pensando em empreender no mercado pet, alguns cuidados podem ajudar a transformar a ideia em uma atividade sustentável. Ter afinidade com animais pode ser um bom ponto de partida, mas não substitui o planejamento de um negócio.
Pesquise o mercado antes de investir
Pesquise quais produtos e serviços têm maior procura na região que pretende atuar, quais tendências estão ganhando espaço e quais necessidades dos tutores ainda não são bem atendidas. Pergunte a potenciais clientes se eles teriam interesse naquilo que você pretende oferecer, quanto estariam dispostos a pagar e quais problemas esperam resolver. Também vale observar os concorrentes: o que oferecem, quanto cobram, como divulgam o trabalho e quais são os seus diferenciais. Antes de comprar equipamentos, alugar um espaço ou montar um estoque, procure validar a ideia gastando o mínimo possível.
Escolha o que você vai oferecer
O mercado pet reúne atividades muito diferentes e tentar oferecer tudo de uma vez pode aumentar os custos, dificultar a gestão e trazer riscos para o negócio. Em vez disso, observe as necessidades dos tutores que vivem ou trabalham na região onde você pretende atuar. Quem percebe, por exemplo, que muitos deles passam o dia fora, pode encontrar uma boa oportunidade em passeio de cães, pet sitter ou day care. Já em regiões com muitos apartamentos, serviços como banho e tosa e entrega de produtos podem ser convenientes.
Também vale considerar suas próprias habilidades, o tempo disponível e a estrutura que você já tem antes de escolher o serviço. Se você já trabalha com fotografia, por exemplo, pode oferecer ensaios de pets; quem tem facilidade para produzir peças artesanais pode investir em acessórios personalizados. Com os primeiros testes, observe quais produtos ou serviços despertam mais interesse, quanto os clientes estão dispostos a pagar e quais ajustes podem melhorar a oferta antes de ampliar a operação.
Calcule quanto custa começar
Antes de comprar equipamentos, alugar um espaço ou montar um estoque, coloque no papel tudo o que será necessário para começar. Considere equipamentos, materiais, produtos, aluguel, energia, transporte, divulgação, taxas e outros gastos. Também estime os custos para manter o negócio funcionando nos primeiros meses. Isso ajuda a descobrir quanto será necessário investir e evita começar uma atividade sem dinheiro suficiente para mantê-la. Para ajudar a fazer essa conta, confira essa planilha gratuita do Meu Bolso em Dia!
Entenda se você pode ser MEI
Para quem começa pequeno e trabalha por conta própria, a formalização como Microempreendedor Individual (MEI) pode ser uma boa ideia. Mas nem toda atividade do mercado pet pode ser enquadrada nessa modalidade. Antes de abrir o CNPJ, consulte se a ocupação que você pretende exercer está entre as permitidas e confira as demais condições do MEI, como o limite de faturamento e a contratação de funcionários. A formalização também pode envolver outras exigências, dependendo da atividade e do município, como licença, alvará e regras sanitárias. Por isso, verifique tudo antes de começar.
Separe o dinheiro do negócio das despesas pessoais
Mesmo para quem começa pequeno ou trabalha sozinho, é importante manter o dinheiro do negócio separado das despesas pessoais. Ter uma conta específica facilita o controle do que entra e do que sai, ajuda a identificar os custos da atividade e evita confundir o faturamento com o dinheiro que pode ser usado no dia a dia. Assim, fica mais fácil saber quanto o negócio realmente está gerando e tomar decisões com mais segurança.
Calcule o preço e acompanhe os resultados
O preço de um produto ou serviço precisa considerar não apenas o valor gasto para produzi-lo ou prestá-lo, mas também despesas como aluguel, energia, transporte, impostos, taxas de pagamento, divulgação e perdas. Para entender como fazer esse cálculo, confira a matéria Como calcular o preço de venda de um produto ou serviço e use a planilha de precificação gratuita do Meu Bolso em Dia.
Por fim, acompanhe os resultados. Saber quanto foi vendido não é suficiente: é preciso entender quanto sobrou depois de pagar todos os custos e não sair no prejuízo. Uma empresa pode ter muitos clientes e, ainda assim, não ser lucrativa se os preços estiverem baixos ou as despesas forem altas.
Responsabilidade no mercado pet
O mercado pet envolve mais do que produtos e serviços: quem trabalha com animais também precisa considerar questões de bem-estar, saúde e responsabilidade. Isso vale especialmente para quem pretende criar e comercializar animais, mas também para quem decide incluir um pet na própria rotina.
Criação e venda de animais
O Projeto de Lei 6.191/2025, que institui o Estatuto dos Cães e Gatos, trata de questões relacionadas à proteção e ao bem-estar desses animais, incluindo aspectos da criação e da comercialização. Em tramitação no Congresso Nacional, se aprovado, poderá virar lei.
Mesmo sem ter, ainda, uma legislação específica, a atividade envolve responsabilidades que vão muito além do retorno financeiro. É necessário conhecer as características e necessidades da espécie e da raça escolhida e garantir alimentação adequada, acompanhamento veterinário, vacinação, higiene, espaço compatível e condições que preservem a saúde e o bem-estar dos animais. Também é importante manter uma quantidade de animais que possa ser cuidada adequadamente, sem comprometer essas condições.
A reprodução exige atenção especial. Um criador responsável evita acasalamentos que possam aumentar o risco de problemas hereditários e não submete as fêmeas a ciclos reprodutivos excessivos. A frequência das gestações deve considerar as características de cada animal, sua idade e condição de saúde, com orientação veterinária quando necessário. Mais importante do que estabelecer um número fixo de ninhadas é garantir que a reprodução não prejudique a saúde e o bem-estar da fêmea.
Esses cuidados ajudam a diferenciar uma criação responsável de práticas de reprodução indiscriminada, que podem contribuir para abandono, maus-tratos e comércio irregular.
Antes de iniciar a atividade, verifique também as regras sanitárias, municipais e demais normas aplicáveis à criação e à comercialização de animais, e mantenha a identificação e a documentação de origem exigidas para cada animal.
Como tornar o negócio que já tenho mais pet friendly?
Tornar um estabelecimento pet friendly pode ser uma forma de atrair novos clientes sem precisar criar um negócio totalmente voltado aos animais. A ideia, porém, vai além de simplesmente permitir a entrada de cães e gatos. Um espaço realmente preparado para receber pets precisa considerar a circulação dos animais, a segurança, a higiene e o conforto dos clientes e dos próprios bichos.
Isso pode fazer sentido para diferentes tipos de negócio, como lojas, cafés, restaurantes, hotéis, salões de beleza e outros estabelecimentos. Afinal, os animais estão cada vez mais presentes na rotina das famílias e muitos tutores procuram lugares onde possam permanecer com seus pets durante as atividades do dia a dia.
Monte um espaço adequado para os pets
Comece avaliando onde os animais poderão permanecer. Pode ser uma área específica do estabelecimento ou, quando a estrutura permitir, um espaço externo. O local deve ser seguro, fácil de limpar e não pode comprometer a circulação de pessoas ou o acesso a equipamentos, produtos e áreas de serviço.
Alguns itens simples ajudam a tornar o ambiente mais confortável. Bebedouros com água potável, petiscos, caminhas e colchonetes, área com gramado real ou artificial e, ainda, itens como saquinhos para recolher dejetos, papel ou panos e produtos adequados para higienizar eventuais acidentes são essenciais. Tapetes higiênicos podem ser úteis em determinados ambientes, mas devem ser utilizados de acordo com o perfil dos animais e com as condições de limpeza do estabelecimento.
Também é possível oferecer alguns acessórios, como ganchos ou pontos apropriados para manter a guia presa enquanto o tutor faz uma compra ou aguarda atendimento. Brinquedos podem complementar o espaço, desde que sejam seguros, higienizados regularmente e não causem conflitos entre os animais.
Pense na experiência do tutor
Ser pet friendly também significa facilitar a vida de quem está acompanhado do animal. Um estabelecimento pode, por exemplo, colocar uma identificação na entrada informando que os pets são bem-vindos e explicar de forma simples quais são as regras para a permanência. As regras podem abordar questões como uso de guia, circulação dos animais, acesso a determinadas áreas e responsabilidade do tutor pela limpeza.
Também é importante considerar que nem todos os clientes se sentem confortáveis perto de animais. Por isso, quando houver espaço suficiente, uma divisão entre áreas pet friendly e áreas sem animais pode atender melhor aos diferentes públicos.
E os estabelecimentos que trabalham com alimentos?
Restaurantes, lanchonetes, padarias e outros negócios que manipulam ou comercializam alimentos precisam ter atenção redobrada. A possibilidade de receber animais depende das normas sanitárias aplicáveis ao estabelecimento e da regulamentação do município ou do estado. Por isso, antes de fazer adaptações, consulte a vigilância sanitária local e verifique quais condições precisam ser cumpridas.
O cuidado principal é evitar qualquer risco de contaminação. O espaço destinado aos animais não deve comprometer as áreas de recebimento, armazenamento, preparo ou manipulação de alimentos. Em São Paulo, por exemplo, a legislação municipal prevê que estabelecimentos que trabalham com alimentos podem receber animais em espaço reservado e adequado na área de consumação, obedecidas as normas de higiene e saúde.
Ser pet-friendly é um diferencial para o seu negócio
Quando a adaptação é bem planejada, receber pets pode ajudar o estabelecimento a se diferenciar e a criar uma experiência mais conveniente para os clientes. O benefício não está apenas em atrair tutores que procuram lugares onde seus animais sejam aceitos, mas em transformar essa recepção em parte positiva do atendimento.
O empreendedor também pode usar a iniciativa para criar novas oportunidades de relacionamento. Ações com parceiros do mercado pet, benefícios para clientes que frequentam o espaço com seus animais e pequenos eventos podem aproximar o negócio desse público. Antes de investir, calcule os custos das adaptações e avalie se elas fazem sentido para a clientela.


