Como investir em fundos ESG

O que levar em conta na hora de escolher onde aplicar o seu dinheiro e porque os investimentos lastreados em boas práticas sociais, ambientais e de governança (ESG) estão em alta

23 de julho de 2021

dicas como investir em fundos ESG e como funcionam fundos Environmental, Social and Corporate Governance

Se você gosta de investir e de diversificar seus investimentos muito provavelmente já ouviu falar dos fundos ESG, uma categoria de renda variável que conta com o diferencial da sustentabilidade. Esses fundos têm ganhado cada vez mais espaço no mercado devido às necessidades urgentes de nosso planeta, noticiadas pela mídia em todo o mundo e percebidas por milhões de pessoas preocupadas com o futuro da vida na Terra. 

Mas, se você ainda não conhece o que são os investimentos ESG, não se preocupe. Apesar de existirem há algum tempo, eles ganharam destaque recentemente em função de novas regulamentações, das exigências feitas por grandes investidores internacionais e da pandemia, que despertou a consciência social e ambiental. 

O conceito é mesmo novo por aqui:  um levantamento da área de tendências do Google mostrou que o interesse pelo conceito de ESG atingiu seu ponto mais alto no Brasil em 2020. Por isso, pensando em quem quer aliar seus investimentos a boas causas, preparamos esta matéria. Nela, você vai saber mais sobre esse nicho de mercado e como investir nele.

O que são fundos ESG

ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social & Governance – Ambiental, Social e Governança, em português. Trata-se de um tipo de investimento baseado em papeis de empresas que incorporam em sua gestão a preservação ambiental, o bem-estar social e boas práticas de governança corporativa.

Os títulos ESG, hoje, estão presentes na vida de empresas de diferentes setores econômicos e abrangem questões que vão desde a gestão do ciclo de vida dos produtos e serviços à equidade de gênero no ambiente de trabalho, passando por ações para impedir o desmatamento de florestas, a proteção de cursos de água e o uso de energia limpa e renovável, por exemplo.

A tendência é que, cada vez mais, as empresas passem a colocar os temas ESG em suas agendas, visto que mercado e o planeta vêm clamando por isso, e os resultados têm se mostrado satisfatórios em todos os sentidos. Os fundos ESG são voltados a quem está preocupado com o impacto concreto que o seu investimento traz para o planeta e para a sociedade.

Afinal, quando você compra ações ou outros títulos de determinadas companhias, você está ajudando a financiar o desenvolvimento dessas empresas. Seu dinheiro ele pode estar – ou não – alinhado aos seus valores e prioridades. Já parou para pensar sobre quais práticas você incentiva e que tipo de empresa ou projeto você está ajudando a fomentar quando investe? 

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Mercado em ascensão

Ao contrário do que se pode pensar em uma primeira olhada, os investimentos em fundos ESG não são apenas ambiental e socialmente corretos. Eles também têm trazido bons resultados para seus investidores e para as empresas que emitem os papeis escolhidos para compor as carteiras desses fundos.

No segundo semestre de 2020, os fundos ESG alcançaram a marca de 1 trilhão de dólares em patrimônio, um crescimento de 25% — quase o dobro da média do mercado, que foi de 13%. Os dados são do relatório Exame Invest Pro, divulgado no final do ano pela Revista Exame. Também no ano passado, 95% das carteiras baseadas em índices de sustentabilidade ESG performaram melhor que os índices das bolsas de valores que não adotam esses critérios.

Rentabilidade e desempenho

Os fundos ESG funcionam como os fundos de investimentos tradicionais, exceto pelo fato de que seus gestores escolhem papeis de empresas que estão evoluindo em seus modelos sustentáveis, otimizando seus processos e criando uma imagem positiva perante seus clientes, funcionários e comunidades onde estão presentes. Os investidores que demandam esse tipo de produto o fazem, também, por razões econômicas.

Ao enxergar mais profundamente os diferentes aspectos dos negócios das empresas, indo além dos resultados econômicos, a tendência é ter um maior controle sobre riscos. Uma companhia que faz uma boa gestão de suas operações evita multas e os desgastes de imagem gerados por acidentes ambientais ou por não oferecer as condições ideais para que as mulheres que contratam conquistem cargos de liderança, por exemplo. Situações como essas, quando vão a público, podem gerar perdas para os investidores.

Não é possível, é claro, afirmar que o lucro é garantido, já que o mercado de ações sempre estará sujeito a muitas oscilações e muitos riscos. Porém, há uma tendência de que os fundos formados por papéis de empresas comprometidas com práticas ESG possam trazer mais resultados no longo prazo.  

Como escolher o fundo ESG para investir

Luzia Hirata, consultora da área de investimentos sustentáveis, diz que o primeiro passo para investir em fundos ESG é conhecer bem o perfil das empresas em que esses fundos investem. Como vimos, há uma tendência de que os fundos ESG apresentem menor oscilação, mas isso não quer dizer que não possam sofrer altas e baixas.

O melhor caminho para entender melhor esses riscos é fazendo pesquisas. Vale, aqui, entender a composição das carteiras desses fundos na plataforma que onde você costuma investir, conversando com sua corretora ou com o gerente de investimento de seu banco. Descobrindo os papeis que formam a carteira, procure notícias na internet e no site das empresas para entender melhor se as políticas e práticas que elas adotam estão aderentes às suas expectativas.

Você também pode fazer buscas diretas para identificar os produtos ESG mais adequados ao seu perfil. Uma boa dica dada por Luzia Hirata é fazer uso, nas buscas, de “fundos ESG” e de palavras-chave que você considera importantes: sustentabilidade, diversidade, gestão ambiental ou preservação da Amazônia, por exemplo. Isso irá ajudar a encontrar os fundos disponíveis e que tenham esses enfoques.

Por fim, antes de decidir de fato o produto no qual você irá investir, é interessante ficar atento a outra dica dada pela consulta: pesquisar bastante a respeito do fundo, bem como sobre a experiência do gestor. “Embora as informações ainda não sejam muitas, é possível encontrar conteúdo em sites de plataformas de investimentos e mesmo em lives de Instagram. Na dúvida, consulte sempre o gerente de seu banco”, recomenda Luzia. 

Ela também explica que é possível começar a investir com quantias pequenas, a partir de R$ 100,00. Ah, e não esqueça de conferir como funciona a cobrança de impostos sobre aplicações financeiras!

Diversificar sem perder o foco

Embora possam ser relativamente mais previsíveis, como já vimos, os investimentos em renda variável –  fundos, ações, opções, contratos futuros, ETFs, BDRs, entre outros, são investimentos de risco. Por isso, não devem ser vistos como única opção. Uma sugestão é utilizá-los como forma de diversificar, caso você já tenha formado a sua reserva de emergência e possa deixar o dinheiro aplicado por mais tempo.

Nessa situação, é possível fazer escolhas com mais tranquilidade e contribuir com um mundo mais sustentável por meio da maneira em que você investe. Mas, caso você ainda não tenha conseguido formar uma reserva de emergência ou tenha um plano de previdência privada, talvez seja melhor pensar bem e, quem sabe, deixar os fundos ESG para quando tiver essas metas consolidadas.

Para aprender mais sobre os fundos ESG, vale fazer uma busca por um curso gratuito sobre o tema. Há uma série deles na internet, oferecidos por instituições de peso, como a B3 (bolsa de valores).  Basta fazer uma busca para encontrar o que tem mais o seu jeito. E para saber mais sobre fundos de investimento em geral, não deixe de ler esta outra matéria que fizemos sobre o assunto. 

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