Autoengano e mentiras financeiras

5 mentiras que contamos a nós mesmos sobre dinheiro e seus impactos em nossas vidas financeiras e como não se endividar

1 de abril de 2021

Homem de Óculos Preocupado Olhando Computador

Em muitas culturas, o dia 1º de abril é conhecido como o Dia da Mentira e usado para pregar peças e contar lorotas. Ao que tudo indica, essa fama surgiu devido a uma mudança no calendário ocorrida na França no século XVI, quando o rei Carlos IX trocou para 1º de janeiro a data de celebração do Ano-Novo, que antigamente ocorria de 25 de março a 1º de abril, marcando o início da primavera no hemisfério norte. As pessoas que resistiam à troca da data e seguiam comemorando como antes eram chamadas de “bobos de abril”.

Seja qual for sua origem, a data nos lembra da nossa capacidade de mentir para nós mesmos quando não aceitamos mudanças a nosso redor ou nos recusamos lidar com a verdade. A necessidade que o ser humano tem de se proteger da dura realidade é tão grande que inspirou o livro Autoengano, do economista Eduardo Gianetti. A obra traz uma reflexão sobre a necessidade que o ser humano tem de se iludir em coisas do dia a dia e as implicações que isso pode ter em nossa vida pública e pessoal.

O dinheiro é um dos assuntos que mais nos convida a encarar os fatos da nossa vida, por isso é tão comum nos enganarmos para evitar de lidar com ele. A seguir, você conhece 5 mentiras sobre dinheiro que contamos a nós mesmos e como elas podem impactar a vida financeira. E ainda confere algumas dicas para sair dessa.

1. Se eu olhar minhas contas vai ser pior

O medo de descobrir que a real situação financeira é pior do que imaginamos gera uma atitude de negação que nos impede de colocar as contas no papel. Esse receio pode ser maior ainda para o pequeno empreendedor. Quem tem um negócio próprio convive com desafios cotidianos e olhar para as contas, muitas vezes, causa arrepios. 

Para se proteger de decepções, a pessoa tenta fugir de planilhas e gráficos, diz a si mesma que “não é boa com números”, que “não tem tempo” ou que “seu talento é vender, não controlar”. O resultado dessa resistência é deixar as dívidas se acumularem e saírem do controle, gerando uma bola de neve. 

A dica é colocar todas as contas e as entradas de dinheiro no papel. E, se fazer isso for muito complicado, buscar o auxílio de um profissional de planejamento financeiro, que possa auxiliar nesse mapeamento e mostrar alguns caminhos para superar os desafios. Conhecer o tamanho do problema é o primeiro passo para vencê-lo. Veja dicas e ferramentas para organizar suas finanças e se preparar diante de incertezas neste artigo: Fazer o orçamento nunca foi tão importante.

2. Mês que vem eu começo a poupar

A procrastinação é um autoengano clássico. Para não assumir sua falta de disciplina, o ser humano cria datas imaginárias para suas resoluções e promete a si mesmo que vai começar “na segunda-feira”, “no mês seguinte”, “no primeiro dia do ano” ou “assim que terminar de pagar aquelas parcelas”. 

Só que esse dia nunca chega, pois quando a data se aproxima, surge um imprevisto, uma conta vence, aparece uma oportunidade imperdível e mais uma vez o compromisso com a reserva acaba sendo adiado  e, em muitos casos, nunca é cumprido. 

A consequência desse autoengano é a falta de uma reserva para emergências, o adiamento de sonhos e uma grande frustração por não honrar com a promessa feita a sua própria consciência. Para quebrar esse ciclo vicioso, a sugestão é programar uma aplicação automática na instituição com a qual você trabalha. Feito isso, o dinheiro é poupado automaticamente, sem que seja necessário esperar sobrar para começar a poupar. Veja outras técnicas e truques para hackear o cérebro e escapar dessa armadilha.

3. No fim, tudo dá certo

O otimismo excessivo na hora de tomar decisões financeiras pode nos tornar míopes para os riscos envolvidos em cada operação. Essa ideia cor-de-rosa de que “no fim, tudo se ajeita” nos faz esquecer das eventualidades e dos imprevistos que possam surgir no meio do caminho, especialmente quando a decisão envolve um compromisso de longo prazo, como o financiamento de um imóvel ou a poupança de recursos para a aposentadoria, por exemplo. 

Estudos mostram que dois a cada três aposentados no mundo jamais pouparam para a velhice e isso aumentou sua insegurança financeira, gerando estresse e despreparo para lidar com os desafios dessa fase da vida. Ser otimista é saudável para realizar conquistas, mas é fundamental ter os dois pés no chão e se cercar de todas as garantias possíveis para evitar surpresas. 

Quando precisar tomar uma decisão financeira importante, pense em tudo o que pode dar errado e prepare um plano B como alternativa para solucionar cada situação. Se tudo der certo, você estará no lucro, mas se algo não ocorrer como espera, estará preparado. Explicamos melhor os impactos do excesso de otimismo nas finanças neste artigo: A importância do plano B.

4. Quem não se endivida, não realiza

É muito fácil se enganar com a ideia de que só é possível conquistar algo na vida assumindo dívidas, em vez de poupar e esperar ter o dinheiro para comprar à vista. Afinal, somos imediatistas por natureza e queremos ter agora o que desejamos. A poupança envolve autocontrole, paciência e disciplina para adiar a satisfação imediata em prol de objetivos futuros, o que geralmente requer esforço e renúncia.

A melhor forma de se convencer das vantagens de comprar à vista é fazer a conta. Multiplique o valor das parcelas do produto desejado pelo número de prestações e descubra quanto você poderá economizar se investir até ter o valor suficiente para oferecer ao vendedor. Lembre-se que ter dinheiro na mão garante poder de barganha, ou seja, um ótimo desconto. Veja 10 ideias para fazer bons negócios neste artigo: Pechinchar não é pecado

5. Não dá para cortar nada do meu orçamento

Sabemos o quanto é difícil tomar decisões que restringem a nossa qualidade de vida. Ninguém deseja cortar despesas ou reduzir o padrão de consumo, por isso nos enganamos com a ideia de que tudo é essencial e não há espaço para revisões no orçamento. 

Preferimos seguir empurrando os problemas com a barriga do que encarar a realidade, que às vezes envolve sair daquele apartamento com o condomínio muito alto, vender o carro, mudar os filhos de escola e outras medidas que geram frustração e sentimento de fracasso. O fato é que, às vezes, é preciso dar um passo para trás agora, para dar dois passos à frente no futuro.

Uma boa análise do custo de vida pode mostrar os “vazamentos” financeiros da família e abrir espaço para economizar fazendo algumas mudanças que evitarão muitos problemas no futuro. O segredo é reunir a família e focar no que é essencial para seu bem-estar, aprendendo a ser flexível para mudar o que não está funcionando o quanto antes e evitar a perda do controle enquanto ainda há tempo. Explicamos como avaliar se você está dando um passo maior que as pernas neste artigo: Seu padrão de vida cabe no seu bolso?

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