Finanças Pessoais: Como criar um plano B para manter as contas em dia

Como se proteger do excesso de otimismo que nos leva a correr riscos sem medir consequências

A importância do plano B: casal faz planos
5 de novembro de 2021 6 min. leitura

Costumamos começar o ano cheios de novos planos, objetivos e metas. Este ano, tudo vai ser diferente! Em relação às finanças não é diferente. É natural olhar para o futuro com uma visão mais positiva, procurando deixar as frustrações e obstáculos para trás e pensando sempre que dias melhores virão.

Ver o mundo com otimismo é saudável e nos ajuda a seguir em frente e batalhar na vida para alcançar nossas conquistas. Entretanto, pela ótica do planejamento financeiro, enxergar o futuro sempre com óculos cor-de-rosa pode ser um tanto arriscado.

De acordo com a psicologia econômica e a economia comportamental, a mente humana tende a superestimar a probabilidade de eventos positivos e subestimar o risco de ocorrerem eventos negativos na vida.

Quando projetamos nosso futuro, temos uma maior tendência a acreditar que seremos ricos e saudáveis do que a pensar que podemos sofrer um acidente, contrair uma doença ou perder o emprego.

Este comportamento é chamado de “viés do otimismo” e, em excesso, pode levar a atitudes de maior risco no presente. Exemplos: deixar de usar o cinto de segurança, fumar ou comprometer boa parte da renda com dívidas. Mesmo que tenhamos conhecimento sobre as estatísticas de mortes no trânsito, doenças ligadas ao tabagismo ou taxas de desemprego ou de endividamento.

Brasileiros são mais otimistas

O povo brasileiro é considerado um dos mais otimistas do mundo segundo a Pesquisa Global de Otimismo, conduzida em 2019 pela empresa internacional de pesquisas de mercado YouGov. De acordo com o estudo, 76% dos brasileiros se consideram otimistas, enquanto a média global é de 56%.

Pergunte a qualquer pessoa que já fez o financiamento do carro, por exemplo, se na hora que assinou o contrato de 48 meses, passou por sua cabeça a possibilidade de ocorrer, dentro dos quatro anos seguintes, um único imprevisto que impedisse ou dificultasse o pagamento do compromisso financeiro. É muito provável que não.

Quando tomamos uma decisão financeira, tendemos a calcular e ponderar com base apenas na fotografia do presente. Então, uma pessoa que está empregada e bem de saúde agora, decide assumir uma dívida que vai impactar suas finanças pelos próximos quatro anos, sem levar em conta que, nesse meio tempo, imprevistos podem acontecer.

Homem impedindo que uma fileira de dominós desmorone

Entenda melhor seus riscos

Então, isso significa que não se pode mais financiar um bem ou tomar um empréstimo de longo prazo? De jeito nenhum. Apenas é importante tomar alguns cuidados para evitar que o excesso de otimismo crie falsas expectativas de sucesso e impeça de enxergar os riscos que está assumindo ao tomar suas decisões financeiras.

Uma boa dica é se perguntar “E SE...” toda vez que estiver pensando em assumir um novo compromisso. Antes de assinar um contrato, fechar um negócio, mudar de casa, planejar a vinda de um filho ou qualquer outra decisão que tenha impactos no médio e longo prazo, faça uma lista de perguntas e procure pensar em alternativas para respondê-las.

  • E SE acontecer algum imprevisto e os gastos aumentarem?
  • E SE um de nós ficar desempregado?
  • E SE o custo de vida no bairro novo for mais alto?
  • E SE forem trigêmeos?
  • E SE surgir uma oportunidade de negócios nesse período?

O que fazer para prevenir riscos financeiros

Outra sugestão é fazer o exercício de pensar no contrário do que você espera que aconteça, reunir a família e avaliar como poderiam se preparar para a situação mais difícil possível.

Por exemplo, se o casal estiver comprando uma casa com base na renda composta pelos dois, imaginem uma situação radical em que ambos fiquem desempregados. Em seguida, avaliem as saídas disponíveis hoje para honrar seu compromisso, respondendo a perguntas como as seguintes.

  • Quanto temos em caixa? Temos alguma reserva financeira?
  • Que outros bens possuímos e podemos vender para pagar as parcelas da casa?
  • Quanto tempo teremos para reagir?
  • Quem poderia nos auxiliar?
  • Que outros caminhos podemos traçar?

Embora pareça que esse tipo de exercício é assunto para pessimistas de plantão, preparar a mente para situações imprevistas e criar o plano B é fundamental. Assim, você pode ter segurança de que está tomando uma decisão consciente, planejada e não está se deixando levar por expectativas excessivamente otimistas e atalhos mentais que possam prejudicar seus planos.

Independentemente da decisão que se queira tomar, como regra geral, sempre vale lembrar algumas precauções, como formar uma reserva de emergência para usar em caso de um evento urgente e inesperado, fazer seguros para proteger seus principais bens de riscos e programar sua aposentadoria para garantir sua tranquilidade no futuro.

Com planejamento e pé no chão, você constrói sua prosperidade e realiza suas conquistas com muito mais consistência e segurança.

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Matéria publicada em 21 de janeiro de 2021 e atualizada em 05 de novembro de 2021

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