Como as mudanças climáticas mexem com o seu bolso

Entenda a relação entre dinheiro e meio ambiente e o que você pode fazer para construir um novo estilo de vida para um mundo cada vez mais desafiador

4 de junho de 2021

Pote de moedas entre duas mãos

As mudanças climáticas já são uma realidade e irão afetar mais e mais pessoas e empresas ao redor do mundo, com impactos no custo de vida e na perenidade dos negócios. Em muitos locais, elas já provocam períodos prolongados de seca, aumento de enchentes, furacões e tempestades, elevação do nível do mar e alterações nos ciclos da água, prejudicando o acesso a esse recurso.

Esses são apenas alguns dos efeitos relacionados às mudanças climáticas que mexem diretamente com o nosso bolso. Veja alguns dos principais problemas gerados e o que eles têm a ver com o dinheiro: 

  • Desertificação, com a perda de terras produtivas para cultivo  
  • Perda de safras, com escassez e aumento de preços dos alimentos
  • Aumento de pragas e doenças, gerando mais enfermidades e gastos com saúde
  • Perda de moradia e prejuízos ao emprego decorrentes de tempestades e alagamentos
  • Redução da biodiversidade, levando à extinção de espécies (animais e plantas) 
  • Aumento do custo de energia em função da redução dos volumes de água nos reservatórios 
  • Escassez de água, exigindo que se busque esse recurso mais longe, encarecendo seu preçoMãos
Aparando_a_horta em matéria sobre mudanças climáticas

As mudanças climáticas e você

Ou seja, mudanças climáticas impactam o custo de vida no curto prazo, além de ameaçar nossa existência no longo prazo. E um número cada vez maior de pessoas estão se dando conta dessa realidade! 

A pesquisa A Importância da Amazônia para o Brasil, os Brasileiros e o Mundo, feita em 2020 pelo Observatório Febraban, revela que 96% dos cidadãos estão preocupados com as questões ambientais. Quase 90% têm apreensões relacionadas à preservação da Amazônia e 77% disseram que a Amazônia é muito importante para o Brasil.

E para você, essa também é uma questão? Afinal, há algo que possamos  fazer a respeito? A resposta é sim! A seguir, você confere algumas alternativas para contribuir com a redução dos efeitos das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, construir sua resiliência pessoal e financeira, preparando-se para viver em um mundo de maior escassez e cada vez mais desafiador.

Investir em energia solar

O Brasil tem um modelo energético baseado em hidrelétricas, mas ainda é grande a dependência de combustíveis fósseis (carvão mineral e derivados de petróleo) para a geração de eletricidade. E essas são as principais fontes de emissão dos gases de efeito estufa, que levam ao aquecimento global e às mudanças do clima.

No entanto, nosso país possui uma fonte inesgotável de energia renovável e limpa: o sol. O uso da energia solar ainda é incipiente no território nacional, mas tem um potencial gigantesco de crescimento. Vale lembrar que não são só grandes empresas que podem investir nisso. 

Com o uso de placas fotovoltaicas, a energia pode ser gerada pelos próprios consumidores, em suas casas e escritórios, com uma série de benefícios. Além disso, há, hoje, sistemas simples e acessíveis para iluminar o jardim ou aquecer a água do chuveiro, por exemplo, usando a energia solar. Veja algumas opções em diferentes faixas de preço.

Lavando_a_mao em matéria sobre mudanças climáticas

Use energia solar gastando até R$ 1.000

Com um investimento um pouco maior, você tem acesso a tecnologias ecológicas ainda mais sofisticadas. É o caso da energia solar térmica, que permite aquecer a água usada em torneiras, chuveiros e piscinas, por exemplo. O sistema é formado por coletores solares, que são placas metálicas, muitas vezes com vidro, que fazem a captação da luz e aquecem a água. 

Hoje, já podem ser encontrados módulos na faixa de R$ 700, que trazem até 70% de redução no consumo de energia elétrica para o aquecimento de água. Esses coletores são instalados em telhados ou outros lugares onde ficam mais expostos aos raios solares e fixados a um sistema de tubulação, por onde a água circula. Nessa estrutura, é instalado também um reservatório térmico (boiler), onde a água quente fica armazenada para uso.

Gere sua própria energia

Você também pode investir em um sistema fotovoltaico para gerar a energia elétrica necessária para abastecer a sua casa ou empresa. Funciona assim: você instala os equipamentos, usa a energia e “vende” o que sobrar para a distribuidora local, em troca de créditos para abater na conta de luz.

É possível, dessa maneira, zerar a conta de energia, dependendo do tamanho da instalação. Em muitos países, se você produz mais energia do que usa, pode vender o excedente diretamente a outros consumidores. Isso não vale, por enquanto, no Brasil. Se a energia gerada não for suficiente, ela é complementada pela rede elétrica convencional.

Assim como os coletores solares, o sistema fotovoltaico é uma estrutura modular, formada por uma série de placas que são acopladas ao telhado ou instaladas em outros espaços que recebem mais radiação solar. A instalação demanda acessórios, além da contratação de uma empresa especializada. Como cada residência tem dimensões e características, é necessário um projeto específico. As placas são vendidas em kits com preços a partir de R$ 8.000.

O que mais você pode fazer

Captar a água de chuva

Quem mora em casa também tem como captar, tratar e usar a água da chuva. Instalados geralmente no solo, esses reservatórios contam com uma estrutura de bombeamento para eliminar as impurezas da água. Como são muitas opções e modelos disponíveis no mercado, os preços também variam muito. Você encontra desde minicisternas por R$ 900 até outras bastante robustas por cerca de R$ 14.000.

O investimento vale a pena porque, além de ajudar o meio ambiente, você reduz a conta de água. A economia varia de caso a caso, de acordo com o consumo e a capacidade do equipamento adquirido, mas pode chegar a até 50%, segundo os especialistas. A dica é ler também: Como eliminar o desperdício de água.

Usar lâmpadas econômicas

As questões ambientais nos convocam diariamente a repensar nosso jeito de viver e pensar nossas escolhas. É preciso parar e revisitar atitudes cotidianas, aquelas que estão no “piloto automático”. Preferir andar a pé ou cultivar uma horta, por exemplo, podem parecer decisões pequenas, mas que fazem muita diferença. Ou, ainda, valorizar os pequenos produtores e comerciantes locais, comprando de estabelecimentos que temos perto de casa.

Igualmente importante é saber como estamos direcionando nosso dinheiro. É aquela velha máxima: ter 20 calças jeans em vez de duas ou três não é bom para o bolso nem para o planeta. Para entender melhor essa relação, leia o artigo O que suas escolhas de consumo dizem sobre você? 

Evitar as perdas de alimentos e outros desperdícios

Perda de alimentos na geladeira, uso excessivo de produtos de limpeza e itens que vencem na despensa e vão parar o lixo, além de minar o orçamento, prejudicam o meio ambiente. O problema pode ser contornado a partir da organização das compras no supermercado. Veja as dicas para controlar outros desperdícios que podem ser evitados: Faça uma caça aos gastos invisíveis e economize.

Conectar as crianças à natureza

Desde a infância, é possível transmitir aos pequenos os valores que queremos que eles entendam e pratiquem agora e no futuro. A consciência de que fazemos parte do meio ambiente e a importância do valor do dinheiro, em todos em suas dimensões e significados, pode ser construída e estimulada já nos primeiros anos de vida. São passos que formarão adultos mais responsáveis e integrados ao mundo. Para esta abordagem, você pode acessar dicas práticas sobre educação financeira e consumo na matéria É de pequeno que se aprende e Crianças e natureza.


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