Conta de luz: fique atento para não apagar suas economias

Saiba como poupar energia em períodos de bandeira vermelha

8 de julho de 2021

como economizar energia na conta de luz com bandeira vermelha

As contas de luz têm chegado com bandeira vermelha, ou seja, mais caras para o consumidor. Isso acontece em função do período de seca, em que os reservatórios de água estão mais baixos e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aciona as usinas termelétricas — que possuem um custo de operação elevado — para compensar a queda na geração de energia das usinas hidrelétricas. 

O fato é que o Brasil enfrenta a pior estiagem dos últimos 91 anos e, também, sua pior crise hídrica, o que irá levar a uma alta de até 20% na conta de luz a partir de julho, segundo a ANEEL. O aumento se dá pela elevação do preço da bandeira vermelha – que já está em vigor e adiciona R$ 6,24 na conta para cada 100 kWh consumidos ao mês. Com o reajuste, a chamada “bandeira vermelha patamar 2”, deverá passar a custar mais de R$ 7 a cada 100 kWh consumidos.

7 dicas de como economizar energia em períodos de bandeira vermelha

Entenda a sua conta de luz

Ao se deparar com as letras miúdas da sua conta de luz, você já deve ter se perguntado o que elas significam. Para entender e evitar sustos, é preciso saber que, além dos impostos comuns, como ICMS, PIS/PASEP e COFINS, a conta também mostra as variações do preço da energia conforme a quantidade consumida em determinados períodos.  São as chamadas bandeiras tarifárias, que você conhece abaixo.

Entenda os diferentes tipos de bandeiras tarifárias e seus valores

O sistema de bandeiras tarifárias tem por objetivo sincronizar os preços e custos, equilibrando o balanço das despesas das distribuidoras com a aquisição de energia e as tarifas cobradas dos consumidores. Ele também busca sensibilizar a sociedade para a necessidade do consumo consciente desse recurso. As bandeiras, portanto, indicam o valor e a origem (hidrelétricas e termelétricas, por exemplo) da energia no sistema, e são divididas em três principais: 

  • Bandeira verde: indica que existe reservatório de água suficiente para geração de energia pelas hidrelétricas. Quando isso ocorre, não é preciso ativar as termelétricas, que além de caras, também poluem mais. Nesta bandeira, não há custos adicionais além do consumo padrão.
  • Bandeira amarela: alerta para a necessidade de diminuir o consumo geral, pois já estão sendo utilizados outros meios para gerar energia. É cobrado R$ 1,50  para cada 100 quilowatt/hora consumido. 
  • Bandeira vermelha: indica que o sistema de geração já está em uma situação crítica e é preciso acionar mais termelétricas para suprir a demanda, o que encarece o valor das contas. A bandeira vermelha tem 2 patamares: no patamar um, o valor adicional é de cerca de R$ 4,00 para cada 100 quilowatt/hora consumido. Já no patamar dois, o valor adicional é de cerca de R$ 6,00 para cada 100 quilowatt/ hora.

Por que é importante entender as cores da Bandeira?

Com as bandeiras tarifárias, o consumidor tem um papel mais ativo no controle de seu consumo de energia. Ao saber, por exemplo, que a bandeira está vermelha, você pode adaptar seus hábitos e diminuir o valor da conta (ou, pelo menos, impedir que ele aumente). 

Fique de olho no relógio

Também é interessante estar atento aos horários de pico do consumo. Ele acontece entre 18 e 21 horas, de segunda à sexta-feira, quando mais famílias estão com as luzes acesas e muitas pessoas no banho ao mesmo tempo. Sempre que possível, troque o horário do banho e apague as luzes quando não estiver no ambiente. 

horários de pico no consumo de energia, conta de luz bandeira vermelha

Como economizar energia em períodos de bandeira vermelha

Então, como fazer para não estourar o orçamento de energia? Para reduzir os gastos com a conta de luz, é fundamental fazer o uso eficiente de energia elétrica e evitar desperdícios. Veja a seguir 7 dicas para não apagar suas economias.

Dica #1: Aproveite a luz natural

Casas e comércios com grandes janelas e cores claras nas cortinas, paredes, móveis e tapetes, não necessitam de tanta iluminação artificial, pois aproveitam melhor a luz do dia. Outra dica é o uso de espelhos, que além de refletir os raios solares no ambiente, trazem a sensação de amplitude nos espaços. Pense nisso quando escolher seu novo imóvel ou planejar sua reforma.

Dica #2: Use lâmpadas econômicas

Foi-se o tempo das lâmpadas incandescentes, que mais aqueciam que iluminavam. Mas ainda existem opções que gastam além do que deveriam. As lâmpadas LED proporcionam uma significativa economia de energia até mesmo em relação às fluorescentes, e há ainda outra opção: as lâmpadas solares. 

Elas podem iluminar ambientes externos e internos, e não dependem de um especialista para instalar. Basta ter uma boa fonte de luz natural para carregá-lo (uma janela dá conta do recado). Quer saber mais sobre lâmpadas solares e outros usos da energia fotovoltaica? Confira nessa matéria: Como as mudanças climáticas mexem com o seu bolso.

Dica #3: Saia do stand by

Sabe aquela luzinha vermelha que fica acesa quando você desliga seu aparelho de TV, monitor de computador, micro-ondas ou aparelho de som? Ela significa que os eletrodomésticos estão em modo stand by, um verdadeiro ladrão silencioso de energia, que pode representar até 12% do consumo de luz em uma casa. Se um aparelho de som for usado por duas horas, duas vezes por semana, ficando o resto do tempo em stand-by, em um mês vai consumir energia suficiente para usá-lo por quatro meses. Por isso, fica a dica para os aparelhos que você usa pouco: deixe fora da tomada e só ligue quando realmente for utilizá-los.

Dica #4: Tire os carregadores da tomada

Já carregou o celular, o tablet e o notebook? Desconecte da tomada. Saiba que manter os carregadores dos dispositivos eletrônicos sem uso na tomada pode aumentar o consumo de 1 a 5 Watts de energia por carregador. Se uma família de 4 a 5 pessoas deixar cerca de 10 carregadores na tomada durante o mês, o desperdício mensal pode chegar a 25 KWh. Supondo que o KWh custe em média R$ 0,50, esse simples esquecimento poderia pesar R$ 12,50 na sua conta de luz!

Dica #5: Não esqueça da vida no banho

O chuveiro elétrico continua sendo o grande vilão do consumo de energia nas residências, respondendo por cerca de 30% da conta de luz, e isso sem contar a conta de água. Por isso, banhos mais curtos, em temperatura morna ou fria, podem fazer grande diferença no seu bolso. 

Dica #6: Use sua geladeira com eficiência e não entre numa fria

Os refrigeradores mais antigos podem consumir, em média até 80 KWh por mês. Se você tem condições de trocar por um modelo mais eficiente, as chances de fazer uma boa economia são grandes. 

Para saber qual é o melhor, consulte o comparativo de marcas que têm o selo PROCEL antes de tomar uma decisão. E mesmo que sua geladeira já tenha o selo de eficiência, algumas atitudes podem reduzir ainda mais o peso deste equipamento na sua conta:

  • Posicione o refrigerador em local ventilado, longe de paredes, raios solares, fogões e estufas.
  • Verifique o estado das borrachas de vedação. Se não estiverem “grudando” direito, troque.
  • Não utilize a parte traseira para secar roupas ou sapatos. Tá certo que nossas avós faziam muito isso, mas essa é uma das tradições que não devem ser mantidas.
  • Regule o termostato de acordo com a estação do ano.
  • Espere os alimentos esfriarem antes de guardar no refrigerador. Nada de guardar panela quente!
  • Descongele periodicamente.
  • Jamais forre as prateleiras, pois isso impede a troca de temperatura interna, essencial para manter os alimentos refrigerados com o menor consumo de energia.

Dica #07: Use e abuse das ferramentas e simuladores

Além das bandeiras tarifárias, outras situações como as estações do ano, a quantidade de pessoas que usam energia no local e eletrodomésticos danificados podem afetar o custo de sua conta de luz. Procure a companhia de energia da sua região para obter mais informações.

Há na internet diversas opções de simuladores que ajudam a entender melhor o consumo de energia. Assim, você pode saber onde estão os seus principais gastos e o que pode ser feito para reduzir a sua conta de luz. Não deixe de fazer uma pesquisa na web para encontrar estas ferramentas!

Entenda a tarifa social da conta de luz

A tarifa social está disponível para pessoas de baixa renda ou que pertencem a grupos vulneráveis. O desconto varia de acordo com a faixa de consumo (veja na tabela abaixo) e é progressivo: quanto menos se consume, maior o abatimento. 

Quem pode se beneficiar da tarifa social?

  • Famílias inscritas no Cadastro Único, com renda mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo.
  • Idosos com 65  anos ou mais. 
  • Pessoas com deficiência que recebam o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social.
  • Famílias inscritas no Cadastro Único, com renda mensal de até três salários mínimos, que tenha portador de doença ou deficiência e cujo tratamento, procedimento médico ou terapêutico requeira o uso continuado de aparelhos que, para o seu funcionamento, demandem consumo de energia elétrica.
  • Famílias indígenas ou quilombolas inscritas no Cadastro Único, desde que o consumo não ultrapasse 50 Kwh por mês. 

Como ativar o benefício da Tarifa Social

Para contar com a Tarifa Social, um dos integrantes da família deve entrar em contato com a distribuidora de energia elétrica de sua cidade, apresentando a seguinte documentação:

  • Nome, CPF e Carteira de Identidade ou outro documento de identificação com foto.
  • Código da Unidade Consumidora - ou mais conhecido como número de instalação elétrica.
  • Um número de identificação social como o NIS, Cadastro Único ou o Número do Benefício, quando do recebimento do Benefício de Prestação Continuada.
  • Apresentar o relatório e atestado subscrito por profissional médico, no caso de famílias com uso continuado de aparelhos.

Para saber mais sobre como economizar energia...

Veja se a distribuidora de energia do seu estado possui um aplicativo para que você possa acompanhar o seu consumo, a fim de evitar sustos e não apagar as suas economias. Consulte no site da ANEEL a lista de distribuidoras oficiais dos estados brasileiros ou identifique na sua conta. Se ainda restarem dúvidas, procure o site oficial da Agência Nacional de Energia Elétrica. 

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Este artigo foi publicado originalmente em 04/04/2020 e atualizado em 08/07/2021


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