Como reduzir os custos do condomínio

Dicas para enxugar despesas que encarecem a taxa de condomínio

20 de abril de 2021

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Como diminuir a taxa de condomínio e o que fazer para reduzir gastos com água, energia e horas extras

A pandemia já fez seu primeiro aniversário e segue sem que ninguém consiga prever quando ela terá fim. Perda de renda e emprego, dificuldades para recolocação e doença: são muitos os problemas enfrentados pelas famílias nesse momento. A crise econômica elevou a inadimplência nos condomínios, com um número maior de pessoas que não conseguem pagar a taxa todo mês.

Como reduzir os custos do condomínio?

Ainda que em alguns locais, como São Paulo, a taxa de inadimplência chegou a ser reduzida, em outros, ela disparou. Em Salvador, por exemplo, segundo o Sindiconet, a inadimplência chegou a 30% após a pandemia. No Distrito Federal, a 24,6%, e no Rio de Janeiro a 14%. Vale lembrar que a lei proíbe o condomínio de privar o morador inadimplente dos serviços a que ele tem direito, como água, luz, gás ou uso das áreas espaços comuns.

Num cenário tão complicado para os brasileiros, mais do que nunca, é importante reavaliar constantemente as despesas em busca de oportunidades para reduzir os gastos, beneficiando as finanças do condomínio e permitindo, inclusive, reduzir o valor pago pelos moradores. Neste artigo, trazemos algumas recomendações para isso. Os principais pontos para reduzir a taxa de condomínio são:

  1. Reduzir a inadimplência;
  2. Faça uma gestão eficiente dos recursos humanos que atuam no condomínio.
  3. Busque alternativas sustentáveis para luz, gás e uso da água.
  4. Invista em manutenção preventiva para economizar com reformas e reparos.

O que é a taxa fixa de condomínio

Ao comprar ou alugar um apartamento, você assume uma despesa mensal fixa para custear a manutenção das áreas e serviços comuns do edifício. Essa taxa, nada mais é do que a soma de todos os gastos do prédio dividida pelo número de apartamentos daquele imóvel. Mas, quando recebe o boleto do condomínio, você sabe exatamente o que está pagando? É o que você confere a seguir.

Como o dinheiro do condomínio é usado

Como informa Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), em entrevista publicada no portal da entidade, o dinheiro dos condomínios costuma ser usado da seguinte maneira:

  • 50% a 70%, aproximadamente, para o pagamento de salários e encargos dos funcionários.
  • 15%, em média, para a conta de água.
  • 10 a 12% para a conta de energia elétrica.
  • 10 a 15% para a conservação das instalações e elevadores, seguros, reparos, material de limpeza e outros.
  • 10 a 15% para o fundo de reserva (gastos emergenciais).

Agora que você conhece os itens que mais pesam no bolso de proprietários e locatários de imóveis, que tal ajudar seu condomínio a fazer uma boa gestão dos recursos e a reduzir custos? Afinal, o condomínio é um bem comum, que deve ser zelado por todos.

Colocando a lupa nos gastos de condomínio

Como reduzir gastos com energia

A instalação de sensores de presença, de maneira que as lâmpadas fiquem acessas apenas quando há pessoas nos corredores de elevadores, garagens e áreas de circulação, ajuda a fazer uma boa economia. Muito provavelmente seu prédio deve ter trocado a iluminação por lâmpadas LED. Mas é sempre bom dar uma conferida se não sobrou nenhuma lâmpada convencional por aí, principalmente nos prédios mais antigos.

O uso de sistemas de energia solar fotovoltaica também é uma alternativa cada vez mais viável para diminuir os gastos com eletricidade. Hoje, há no mercado opções para financiar sua aquisição, com prazo de pagamento estendido.

Dependendo do tamanho da instalação, o sistema pode gerar energia tanto para as áreas comuns quanto para os apartamentos. É necessário, contudo, que o prédio tenha espaço disponível para instalar as placas solares. Veja aqui como funciona a energia fotovoltaica nos condomínios para você se preparar para colocar o tema em pauta na próxima reunião do seu prédio.

Como reduzir a conta de água

A água tem um peso expressivo na conta do condomínio. A medida de maior impacto na redução desse gasto, de acordo com Hubert Gebara, é a instalação de hidrômetros individualizados para cada apartamento. “O consumo de água costuma cair entre 25 e 30% após a separação da leitura e da conta de água”, diz ele, na entrevista publicada no portal do Secovi-SP.

Outras medidas que podem ajudar:

  • Fazer inspeções regulares para identificar e corrigir vazamentos
  • Instalar sistemas de coleta e aproveitamento da água de chuva na limpeza e rega de jardins
  • Instalar reguladores e redutores de vazão em torneiras e chuveiros nos apartamentos e áreas comuns
  • Troca de vasos sanitários com caixa acoplada, que gastam cerca até 75% menos água

Economizando nas reformas e benfeitorias

Antes de realizar qualquer benfeitoria, como a reforma ou instalação de parquinho, quadra ou academia, é preciso fazer o orçamento do condomínio. Ao organizar as entradas e saídas mensais de dinheiro, é possível identificar onde pode haver economia. E, aí sim, juntar o dinheiro suficiente para realizar a obra.

Considerando o cenário atual de pandemia, é necessário levar em conta o bolso e a segurança dos moradores, oferecendo material descartável e álcool gel para as pessoas que forem trabalhar no prédio. Outras medidas são a obrigatoriedade do uso de máscaras e higienização frequente dos elevadores e áreas comuns.

Controle das horas extras dos funcionários do prédio

Dimensionar corretamente a necessidade de funcionários para o condomínio é o melhor jeito de evitar o pagamento de horas extras, que pode ser significativo. Alguns prédios têm optado por adotar o porteiro eletrônico, um sistema em que o próprio condômino identifica e autoriza a entrada de pessoas. E, com isso, pode-se reduzir o número de funcionários para manter a portaria 24 horas.

Mas esse recurso, em geral, é adotado apenas em edifícios com poucos apartamentos e, de todo modo, não há como abrir mão do zelador e do faxineiro. É necessário analisar caso a caso. De qualquer forma, não deixe de tentar levar essa pauta para a reunião de condomínio para que todos possam pensar a respeito.

Participe e estimule seus vizinhos a participar das reuniões

Desde os jovens aos moradores mais experientes, a sugestão é que todos participem da gestão do condomínio, trazendo alternativas inteligentes e ideias simples que podem fazer a diferença no dia a dia e no bolso de todos no final do mês. Esse é, também, uma forma de todos se sentirem responsáveis pelas questões de seu condomínio.

Inadimplência da taxa de condomínio na pandemia

Guilherme Sarno Amado, diretor de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente na Regional Secovi em Santos, em entrevista ao portal da entidade, lembrou as dificuldades do condomínio para manter as contas em dia e as estratégias para contornar a inadimplência. “O condomínio passou a necessitar de mais recursos, ao mesmo tempo que muitos moradores tiveram redução salarial ou passaram pelo processo de desemprego”, afirmou.

Segundo o diretor, o condomínio não tem condições de parar de cobrar as cotas. “As saídas propostas pelas Administradoras de Condomínios passam pela renegociação com prestadores de serviço e corte de gastos desnecessários, entre outras ações, de forma a garantir o pagamento dos colaboradores e das tarifas essenciais”, completou.

A economia deve ser sempre um objetivo, mas ela não pode prejudicar o conforto nem a segurança no condomínio.

Retomada econômica

Em entrevista ao portal Sindiconet, Isabella Pantoja, proprietária do escritório Pantoja advogados, especializado em assessoria jurídica condominial, afirma que, quando começou a pandemia, com o fechamento do comércio, houve um aumento no índice de inadimplência. “Porém, muitos condomínios suspenderam a taxa extra e paralisaram a cobrança judicial das unidades para ajudar na retomada de quem estava com dificuldade de pagar condomínio”.

Segundo ela, no entanto, as cobranças voltaram a ser feitas. “As pessoas priorizaram o pagamento de outras contas, mas agora estão sendo cobradas de seus condomínios, o que explica o aumento do número de ações judiciais por inadimplência, inclusive quando comparado com período anterior à pandemia”, analisa a advogada.

Tira-dúvidas sobre a inadimplência em condomínios

O que pode acontecer se o condomínio não for pago?

O primeiro passo é uma cobrança administrativa. Depois disso, é feito um pedido de pagamento extrajudicial. Geralmente, a ação na justiça só tem início após três meses de inadimplência.

Quanto tempo pode durar uma ação judicial para pagamento de condomínio?

De acordo com o novo Código de Processo Civil, as cotas de condomínio em atraso cobradas na Justiça passam a ter natureza de título executivo extrajudicial. Isso torna a cobrança mais rápida, pois não é necessária a discussão da sua legitimidade. O devedor pode receber ordem de pagamento de dívida com prazo de três dias para quitação. Se o pagamento não ocorrer, o juiz pode determinar bloqueio de contas bancárias ou de outros bens.

Uma dívida condominial pode acarretar perda do apartamento?

A cobrança não pode ser suspensa. Como recomenda o especialista Guilherme Sarno Amado, fazer renegociações é a melhor saída.

Sim. Os débitos vão acumulando no decorrer do processo. Dependendo do acúmulo, o juiz determina penhora de bens podendo chegar à perda do imóvel.

Como reduzir a inadimplência no condomínio

A cobrança não pode ser suspensa. Como recomenda o especialista Guilherme Sarno Amado, fazer renegociações é a melhor saída.

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Texto originalmente publicado em 16/08/2016. Atualizado em 20/04/2021


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