Com a chegada da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o mundo volta a falar sobre um tema urgente: o papel da natureza no enfrentamento das mudanças climáticas. E o Brasil está no centro dessa conversa, não só por sediar, pela primeira vez, a conferência, mas também por sua imensa riqueza natural.
Nosso país abriga cerca de 20% da biodiversidade global distribuída em seis biomas — Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa — e concentra 60% do território da maior floresta tropical do planeta, a Amazônia. Além disso, possui diversas cidades banhadas pelo Oceano Atlântico, que oferece alimentos, recursos energéticos, turismo, transporte e oportunidades econômicas para milhões de pessoas.
Mesmo para quem vive longe do mar ou das florestas, esses ecossistemas são essenciais. Eles regulam o clima, garantem a produção de alimentos, purificam o ar e a água e sustentam a economia. Proteger esses ambientes é, portanto, proteger a base da prosperidade econômica e social. Sem natureza saudável, não há agricultura produtiva, energia acessível ou estabilidade financeira. É aqui que o conceito de educação financeira sustentável ganha força: entender que cuidar dos recursos naturais é também cuidar do nosso futuro econômico.
A COP30, que acontece este ano no Brasil, é um momento estratégico para refletirmos sobre o papel que cada um de nós — cidadãos, empresas e governos — têm na construção de uma economia mais verde e resiliente. Entenda, a seguir, por que as florestas e os oceanos são o ponto de partida dessa transformação.
O valor invisível das florestas
As florestas cobrem cerca de um terço da massa terrestre do planeta e são o lar de mais da metade das espécies de animais, plantas e insetos do mundo. Mesmo com essa presença decisiva, muitos dos “serviços” que elas prestam passam despercebidos — e são essenciais para a vida humana, para o clima e para a economia. Veja abaixo alguns deles e entenda o valor da floresta em pé.
Preservação da biodiversidade
Florestas saudáveis abrigam milhões de espécies de plantas, animais, fungos e microrganismos, muitas delas ainda nem descobertas pela ciência. Cada espécie tem um papel único no equilíbrio dos ecossistemas, ajudando a manter o solo fértil, o ar puro e os ciclos da água funcionando.
Essa diversidade biológica também está diretamente ligada ao nosso dia a dia. É dela que vêm ingredientes de alimentos que consumimos, substâncias usadas na produção de remédios e até inspirações para novas tecnologias e materiais.
Regulação do clima
As árvores capturam e armazenam gás carbônico (CO₂) e ajudam a evitar aumentos extremos de temperatura. Mas, no mundo todo, cerca de 12 milhões de hectares de floresta são destruídos por ano. Esse desmatamento responde por cerca de 25% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEEs).
Ao frear o desmatamento e investir em restauração florestal, poderíamos diminuir até 30% das emissões globais de gases que aquecem o planeta. Estima-se que, nos próximos dez anos, as florestas poderão responder por até 50% dos esforços necessários para mitigar as mudanças climáticas.
Ciclo da água e abastecimento
As florestas alimentam rios, influenciam chuvas e ajudam a manter o abastecimento de água para lavouras e cidades, fornecendo água potável para quase metade das maiores cidades do mundo. Sem essa função, as secas se agravariam, a agricultura sofreria e o abastecimento urbano ficaria mais vulnerável.
Segurança alimentar e subsistência
Comunidades tradicionais, povos indígenas e milhões de famílias rurais dependem diretamente das florestas para alimentação, extrativismo, madeira, remédios naturais e sustento. As florestas também geram empregos e renda por meio da bioeconomia, turismo sustentável e produtos naturais — o que mostra que cuidar delas é também cuidar do desenvolvimento humano e social.
A floresta em pé é boa para o mundo
Florestas saudáveis garantem muito mais do que beleza natural: elas sustentam a produtividade agrícola, a geração de energia e a estabilidade econômica a longo prazo. Cuidar das florestas é, portanto, cuidar do próprio desenvolvimento sustentável do país.
Manter a floresta em pé significa reconhecer o seu valor econômico, social e ambiental. Cada árvore preservada ajuda a regular o clima, proteger o solo e manter o ciclo das chuvas, evitando perdas bilionárias causadas por secas, enchentes e desastres climáticos.
Além disso, a floresta viva movimenta economias locais e regionais. Cadeias produtivas sustentáveis, como o extrativismo de frutos e óleos, a bioeconomia amazônica e o turismo de natureza, geram renda e oportunidades ao mesmo tempo em que incentivam a preservação ambiental. É um exemplo concreto de como a conservação pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento — garantindo qualidade de vida hoje e no futuro.
A importância dos oceanos
Os oceanos, por sua vez, são o pulmão azul do planeta. Eles cobrem mais de 70% da superfície da Terra e são essenciais para a sustentação da vida, influenciando o clima, a economia e a nossa própria sobrevivência. Estima-se que o oceano gere cerca de US$2,5 trilhões em bens e serviços todos os anos, o equivalente à geração da sétima maior economia do mundo.
Além de regular o clima, os oceanos fornecem alimentos, medicamentos e recursos energéticos, tanto minerais quanto renováveis. Eles sustentam a pesca, oferecem atividades de lazer e abrigam ecossistemas marinhos de valor incalculável. E mais: funcionam como uma “super-estrada” natural, conectando economias e transportando bens e pessoas ao redor do planeta. Entenda sua importância para cada um dos temas a seguir.
Sustentação da vida e combate às mudanças do clima
Os oceanos têm um papel crucial na regulação climática e no ciclo da água. Eles produzem cerca de metade do oxigênio que respiramos e absorvem mais de 25% das emissões de CO₂ geradas pelas atividades humanas. Desde o início da era industrial, os oceanos também armazenaram mais de 90% do calor gerado pelo aquecimento global e absorveram aproximadamente um terço das emissões de carbono do planeta.
Se protegidos e restaurados, ecossistemas essenciais como manguezais, pradarias marinhas e marismas podem capturar mais de 1,4 bilhão de toneladas de carbono por ano até 2050, contribuindo significativamente para a mitigação das mudanças climáticas. Além disso, a evaporação oceânica é fundamental para o ciclo da água e para a formação de chuvas em todo o mundo, garantindo a disponibilidade de água doce para pessoas, cidades e agricultura.
Alimentação
Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo dependem do mar como principal fonte de proteína. Peixes, crustáceos e outros frutos-do-mar não apenas garantem dietas nutritivas, mas também sustentam a economia de muitas comunidades costeiras, gerando empregos e renda.
Emprego e subsistência
Para muitas pessoas, os oceanos são a base da subsistência diária, garantindo trabalho, alimento e oportunidades de crescimento econômico. Eles sustentam milhões de empregos ligados à pesca, ao turismo e ao transporte marítimo, sendo uma base vital para comunidades costeiras e economias nacionais.
Biodiversidade
Segundo a Convenção sobre Diversidade Biológica, os habitats presentes no fundo do mar, por si só, abrigam entre 500.000 e 10 milhões de espécies. Ao mesmo tempo, cerca de 80% do oceano permanece inexplorado e 91% das espécies marinhas ainda não foram identificadas, tornando evidente o potencial dos oceanos para a biodiversidade do planeta.
Bem-estar
Os oceanos são parte importante de diversas culturas, servindo de inspiração para lendas, músicas e outros tipos de obras artísticas ao longo do tempo. Além disso, oferece muitas oportunidades para esporte e lazer, como natação, vela, mergulho ou simplesmente desfrutar da calmaria de estar perto do mar.
Como o desequilíbrio ambiental impacta o bolso
O colapso de florestas e oceanos não é apenas uma questão ambiental — é uma questão econômica que se reflete no dia a dia de todos nós. Quando esses ecossistemas perdem equilíbrio, os impactos financeiros aparecem em várias frentes:
- Aumento no preço dos alimentos: a perda de florestas e a degradação do solo reduzem a produtividade agrícola, aumentando o custo de alimentos básicos. Secas, enchentes e erosão tornam a produção mais cara e imprevisível.
- Elevação do custo de energia: florestas e oceanos ajudam a regular o clima e a água. Sem eles, há maior risco de interrupções em hidrelétricas, produção agrícola para biocombustíveis e até aumento da demanda por energia artificial para irrigação ou refrigeração.
- Crises hídricas e impacto urbano: a falta de chuvas e a redução de rios e reservatórios aumentam os gastos das cidades com tratamento e distribuição de água, afetando famílias e empresas.
- Perda de empregos e renda: setores econômicos diretamente ligados à natureza, como pesca, turismo, agricultura familiar e extrativismo, sofrem quando os ecossistemas são degradados. Isso se traduz em desemprego e redução de renda para milhões de pessoas.
Em resumo, não cuidar de florestas e oceanos significa pagar mais caro no dia a dia, tanto no supermercado quanto nas contas de água e energia, além de comprometer empregos, negócios e investimentos. Cuidar desses ecossistemas é, portanto, um investimento coletivo na prosperidade econômica do país e no futuro do nosso planeta.




