Mobilidade sustentável: como adotar melhores práticas de transporte no seu dia a dia

O modo como você se desloca pela cidade mexe com o seu bolso e com o planeta

Vida Sustentável

/ 18 Nov 2025 / 4 min. leitura
pensar em mobilidade sustentável é pensar no futuro do planeta - e de cada um de nós.

No mês em que Belém do Pará se prepara para receber a trigésima edição da Conferência das Partes da ONU (COP30), o olhar do mundo se volta para as discussões sobre o clima e o futuro do planeta. Mas as preocupações com o meio ambiente e as mudanças climáticas vão muito além das negociações internacionais — elas passam também pelas nossas escolhas do dia a dia.

A forma como nos deslocamos, por exemplo, tem um peso importante nesse debate. A queima de combustíveis fósseis continua sendo uma das principais fontes de emissão dos gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. Por isso, pensar em mobilidade sustentável — com meios de transporte menos poluentes e mais eficientes — é pensar também em um futuro mais sustentável.

E há boas notícias: um novo relatório da Parceria Zero Emission Bus Rapid-deployment Accelerator (ZEBRA) aponta que a América Latina tem um dos mercados de transporte elétrico que mais cresce no mundo. Com mais de R$23 bilhões investidos e mais de 7 mil veículos em operação, cidades como São Paulo, Santiago (Chile) e Bogotá (Colômbia) estão acelerando a eletrificação do transporte público e abrindo caminho para soluções mais verdes. 

Além de reduzir o impacto ambiental, a mobilidade sustentável pode fazer diferença também no bolso. Trocar o carro por alternativas mais limpas e eficientes — como bicicletas, transporte público, caronas ou veículos elétricos — ajuda a economizar com combustível, estacionamento e manutenção. Em algumas cidades, há ainda incentivos fiscais e tarifas reduzidas para quem opta por meios de transporte menos poluentes. Com planejamento e pequenas mudanças na rotina, é possível diminuir custos e também contribuir para um futuro mais verde.

O impacto dos transportes no bolso

Ter um carro é o sonho de muitas pessoas, mas o veículo pode pesar — e muito — no orçamento. Além do valor de compra ou do financiamento, há gastos fixos com combustível, manutenção, seguro, impostos e estacionamento. Outras despesas variáveis, como manutenção, lavagem e possíveis multas e pedágios também precisam ser consideradas, além de eventuais imprevistos, como um pneu furado, etc.

donos de automóveis têm que prever gastos fixos e outras variáveis no orçamento mensal.

O combustível também pesa no bolso. Dependendo do tipo de combustível escolhido, do modelo do carro, da distância percorrida e do tempo de uso do veículo, você pode gastar entre R$400 e R$700 por mês.

Quando se coloca tudo na ponta do lápis, buscar alternativas de deslocamento pode representar uma economia significativa ao longo do ano — e ainda trazer benefícios ambientais e de qualidade de vida.

Transporte individual

Como vimos, o uso de carros e motocicletas particulares envolve altos custos com combustível, manutenção e estacionamento, além de emitir gases de efeito estufa. Os carros elétricos são uma alternativa para quem depende de transporte individual. 

Movidos a baterias recarregáveis, eles não emitem gases poluentes e podem reduzir significativamente os gastos com combustível e manutenção. Porém, o alto custo do veículo e a insuficiência de pontos de recarga ainda são um entrave para a ampliação da frota sustentável no Brasil.

Transporte público coletivo

Oferece menor custo por passageiro e reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa por passageiro. A ampliação de frotas elétricas e o incentivo ao transporte coletivo são estratégias essenciais para cidades mais sustentáveis e acessíveis.

Mobilidade ativa

Tem custo e impacto ambiental zero, além de trazer ganhos para a saúde física, mental e reduzir a pegada ambiental. Ao caminhar ou pedalar em deslocamentos curtos, você reduz gastos, evita congestionamentos e incorpora hábitos saudáveis ao dia a dia. A chegada dos patinetes e bicicletas elétricas compartilhadas também têm ganhado espaço em capitais como São Paulo, Recife e Brasília.

Evoluindo para a mobilidade sustentável

A transição para uma mobilidade mais sustentável já começou a ganhar força em várias cidades brasileiras. Prefeituras têm adotado medidas para reduzir as emissões de poluentes, melhorar o transporte público e oferecer alternativas seguras e acessíveis para quem quer deixar o carro em casa.

Os principais projetos de mobilidade sustentável pelo Brasil

#São Paulo

Em São Paulo, por exemplo, a ampliação da malha cicloviária é uma das principais apostas: a cidade já conta com cerca de 778 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas permanentes, e novos trechos continuam sendo implantados para conectar bairros e facilitar o uso da bicicleta como meio de transporte diário. Além disso, o município investe na modernização da frota de ônibus, com metas de substituição progressiva dos veículos a diesel por modelos elétricos ou movidos a biocombustível. 

Plano Hidroviário de São Paulo (PlanHidro SP)

Entre as iniciativas que apontam para um futuro mais sustentável, a capital paulista aposta também nas águas. O Plano Hidroviário de São Paulo (PlanHidro SP), previsto no novo Plano Diretor Estratégico, propõe resgatar a relação da cidade com seus rios e represas, transformando-os em alternativas limpas e integradas de transporte. A proposta é aproveitar cerca de 180 quilômetros navegáveis — entre os rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí e as represas Billings e Guarapiranga — para o deslocamento de passageiros e cargas de forma mais eficiente e menos poluente.

Aquático-SP

Em operação desde 2024, o Aquático-SP é o primeiro serviço público de transporte hidroviário da capital. Ele liga os terminais Cantinho do Céu e Parque Mar Paulista, na represa Billings, e já transportou cerca de 500 mil passageiros em seu primeiro ano. A iniciativa reduz o tempo de deslocamento, melhora a mobilidade na Zona Sul e ainda contribui para a diminuição das emissões de gases poluentes.

O plano também prevê o uso de embarcações de carga — capazes de substituir até 600 caminhões por dia — e a criação de ecoportos, áreas de lazer e espaços de educação ambiental ao longo das margens. Com previsão de implantação para os próximos 30 anos, o PlanHidro SP deve ampliar as travessias hídricas com embarcações elétricas e terminais modernos, unindo mobilidade, sustentabilidade e qualidade de vida.

#Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, projetos de mobilidade ativa também vêm sendo fortalecidos, com o aumento do número de ciclovias, bicicletários e integração entre os modais — especialmente entre o metrô, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o sistema de bicicletas compartilhadas. A capital fluminense aprovou, em 2024, a Lei nº 8.264, que determina a substituição gradual da frota de ônibus municipais por veículos 100% elétricos até 2040, incluindo infraestrutura de recarga. 

Programa RJ Mobilidade Sustentável

O estado lançou, também, o programa RJ Mobilidade Sustentável, que já opera ônibus a gás natural e biometano em linhas intermunicipais, como Rio–Barra Mansa e Duque de Caxias–Barra da Tijuca, e testa ônibus totalmente elétricos, como na linha Xerém–Barra da Tijuca, avaliando conforto, autonomia e custos operacionais. O planejamento inclui metas do pacote climático a serem realizadas até 2050, com eletrificação completa da frota e ampliação de corredores sustentáveis, além de investimentos em infraestrutura de abastecimento de gás e biometano para veículos pesados.

#Curitiba

Em Curitiba, a prefeitura tem investido em corredores exclusivos e na introdução de ônibus elétricos e híbridos, ampliando o alcance de uma frota mais limpa e eficiente. Com o projeto “Caminhar Melhor”, já foram qualificadas mais de 80 km de calçadas, com caminhos mais planos, seguros e acessíveis.

#Manaus

Manaus, por sua vez, investe na renovação da frota de ônibus, com a incorporação de novos veículos com motores Euro 6, que reduzem em até 77% a emissão de poluentes. Atualmente, a cidade conta com cerca de 28 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, e a meta é aumentar esse número para incentivar deslocamentos mais sustentáveis. A capital do Amazonas também foca nos ônibus hidroviários, que atendem comunidades ribeirinhas e ajudam a reduzir o tempo de deslocamento, além de diminuir a emissão de gases do efeito estufa. 

Em Belém, sede da COP30, a administração pública  vem apostando na integração entre modais terrestres e fluviais, preparando-se para se tornar uma vitrine da mobilidade sustentável na Amazônia.

Essa movimentação não se restringe às ruas. O Brasil se prepara para apresentar, durante a COP30, um projeto inovador que promete marcar uma nova etapa da mobilidade limpa: um barco movido a hidrogênio verde. Fruto da parceria entre a Itaipu Binacional e empresas do setor de energia e tecnologia, o modelo é o primeiro do tipo no país e opera sem qualquer emissão de poluentes — seu único resíduo é água pura. 

A embarcação, feita em alumínio, será utilizada inicialmente em ações de coleta seletiva e transporte em áreas ribeirinhas, demonstrando o potencial do hidrogênio verde como alternativa energética sustentável. O combustível é produzido a partir de fontes renováveis, como a energia solar e hidrelétrica, e representa uma das apostas mais promissoras para descarbonizar o transporte aquaviário.

Dicas práticas para ser mais sustentável no dia a dia

Pequenas atitudes no dia a dia podem ter um impacto real na preservação do meio ambiente e, de quebra, ajudar no equilíbrio do orçamento. E adotar uma mobilidade mais consciente pode ser uma das formas mais simples de começar.

trocar o carro por meios de transporte mais sustentáveis traz ganhos para a sua saúde e a do planeta.

Quando estiver parado no trânsito, olhe ao seu redor: quantos carros estão ocupados com mais de um passageiro? Utilizar aplicativos de carona, como BlaBlaCar, Waze Carpool ou o Buser, por exemplo, é uma maneira prática de dividir viagens, economizar combustível e reduzir o número de carros nas ruas. Além de cortar custos, compartilhar trajetos também diminui a emissão de gases de efeito estufa e o trânsito nas grandes cidades.

Nos trajetos curtos, vale optar pela caminhada ou pela bicicleta. Essas alternativas têm custo zero, emissão nula de CO₂ e ainda promovem saúde, bem-estar e qualidade de vida. Em muitas cidades, os sistemas de bicicletas compartilhadas tornam essa opção ainda mais prática e acessível, especialmente em regiões centrais e próximas a estações de transporte público.

Também é possível ser mais sustentável com ações simples, como planejar rotas para evitar deslocamentos desnecessários, combinar diferentes modais (metrô + bicicleta, por exemplo) e manter o veículo em boas condições, o que reduz o consumo de combustível e as emissões de poluentes.

Que tal combinar com os pais dos colegas de escola dias alternados para levar e buscar as crianças que moram perto? Além de reduzir o número de carros nas ruas, ainda garante momentos divertidos para a criançada.

Impactos no planeta

A escolha de meios de transporte mais sustentáveis tem reflexos diretos sobre o meio ambiente, a saúde e até o orçamento das famílias. Diminuir o uso de veículos movidos a combustíveis fósseis significa reduzir a emissão de gases de efeito estufa e de poluentes que comprometem a qualidade do ar. E isso traz benefícios concretos para todos: menos poluição, mais qualidade de vida e, consequentemente, mais equilíbrio nas finanças pessoais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição do ar causa cerca de 7 milhões de mortes por ano no mundo. Na América Latina, esse número chega a 367 mil pessoas, e no Brasil, estima-se que mais de 50 mil vidas sejam perdidas anualmente por doenças associadas à má qualidade do ar, como as respiratórias e cardiovasculares. Além disso, um levantamento da OMS aponta que fatores ambientais, como ar e água contaminados, são responsáveis por cerca de 233 mil mortes evitáveis todos os anos no país.

Esses números revelam que a mobilidade urbana não é apenas uma questão de deslocamento, mas também de saúde pública e justiça social. Quanto mais as cidades investirem em transporte coletivo limpo, ciclovias, áreas verdes e calçadas acessíveis, menores são os índices de poluição e maior é o bem-estar da população. A mobilidade ativa — caminhar, pedalar, usar o transporte público — ajuda a prevenir doenças, reduz o estresse e melhora a convivência nas cidades.

Além do impacto ambiental e social, há também o benefício financeiro. Optar por meios de transporte alternativos, como transporte coletivo ou bicicletas, diminui gastos com combustível, manutenção e estacionamento — despesas que pesam cada vez mais no orçamento das famílias. No fim das contas, ser sustentável é também uma forma inteligente de cuidar do próprio bolso.