Com o IGP-M em mais de 20%, como fica o aluguel?

Veja as dicas para renegociar e evitar a transtorno da mudança em plena pandemia

19 de dezembro de 2020

Com o IGP-M em mais de 20%, como fica o aluguel?

Em 2020, quem depende do aluguel para morar ou empreender levou um susto financeiro em dose dupla. Além da queda na renda causada pela pandemia, o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), usado como referência para reajustes nos contratos, sofreu um aumento de 21,70% de janeiro a novembro de 2020.

Embora a inflação do mesmo período tenha ficado em torno de 3,2%, o IGP-M sofre forte influência do dólar, de produtos agropecuários, como milho, trigo e carne e dos custos da construção. O aumento registrado nesses indicadores elevou o IGP-M a um dos maiores patamares desde o início do Plano Real, em 1994.

Em meio a essa crise sanitária, mudar de casa pode ser muito arriscado para a saúde, além de custoso, já que a pandemia exige vários protocolos que as empresas de mudanças precisam acrescentar ao preço do serviço. Por isso, antes de ir atrás de uma casa nova, a alternativa é conversar com o proprietário do imóvel atual e propor uma negociação. E você não precisa esperar a época de renovação do contrato para fazer isso, já que muitos proprietários estão abertos a fazer acordos para evitar de perder a renda dos aluguéis.

Se gosta do lugar onde mora e é um bom inquilino, negociar pode ser vantajoso para você e também para o dono do imóvel. Veja por quê:

Pra você

A mudança pode gerar uma série de gastos extras. Os mais comuns são:

- Transporte: você precisará contratar um serviço de transporte dos móveis e eletrodomésticos.
- Multa por rescisão antecipada de contrato: em geral, cobra-se o equivalente a 3 meses de aluguel, proporcional ao tempo que falta para o contrato terminar.
- Pequenas reformas antes de entregar as chaves: geralmente, os contratos de aluguel obrigam o locatário a devolver o imóvel nas mesmas condições em que recebeu.
- Investimentos na nova moradia: talvez você precise equipar a casa com armários, luminárias e chuveiro, por exemplo.
- Locomoção: é importante levar em conta a distância do trabalho ou da escola dos filhos. Morar mais longe pode gerar mais despesas de condução ou, até mesmo, a necessidade de buscar uma nova escola para as crianças.

Para o proprietário

A perda do inquilino pode significar alguns meses sem receita, já que há muitos imóveis disponíveis e o momento não está propício para alugar, devido ao desemprego e à crise. A demora na locação também pode representar despesas com o IPTU e com o condomínio, no caso de apartamentos.

?Aceitei a redução do valor do aluguel porque tenho um ótimo inquilino, que cuida bem da casa e é assíduo nos pagamentos?, conta Juçara de Santis, dona de um imóvel no Jardim da Glória, em São Paulo (SP). ?Estamos passando por um período de recessão e as coisas estão complicadas para todo mundo?. Fica a dica!

Prepare-se antes para negociar!

Para ser satisfatório, o resultado do diálogo entre inquilino e proprietário precisa ser bom para os dois lados. Para isso, você precisa se preparar com argumentos e informações. Confira as dicas para uma boa negociação.

Se você é o inquilino

1.     No caso de perda de emprego ou diminuição da renda familiar é importante que, antes de fazer uma proposta, você tenha clareza sobre sua situação financeira para saber se conseguirá arcar com o aluguel com desconto. Liste todos os ganhos e gastos. Se preferir, use nossas tabelas dia a dia e tabelas mês a mês para fazer isso.
2.     Caso tenha aluguel em atraso, a sugestão é negociar o pagamento da dívida com desconto ou propor o parcelamento, sem juros, para pôr os atrasados em dia.
3.     Tenha em mãos dados que podem ajudar na argumentação: pesquise preços de imóveis nas redondezas e conheça os principais indicadores de mercado, como o IGP-M e o Índice FipeZap de Locação. Este último acompanha os preços de imóveis anunciados em várias cidades brasileiras e registrou um leve aumento de 2,66% no preço médio do aluguel, entre novembro de 2019 e novembro de 2020. Já o IGP-M, índice oficial de reajuste do valor do aluguel foi de 21,70% no mesmo período.
4.     Seja flexível para aceitar e discutir uma contraproposta. É o melhor jeito de chegar a um valor que seja viável.

Se você é o proprietário

1.     Esteja aberto para negociar. Se o inquilino procurou você é porque tem a intenção de continuar no imóvel e quer fazer as coisas do jeito certo ? e isso é um ótimo sinal.
2.     Para negociar, você precisa saber qual é o valor médio do aluguel de um imóvel semelhante na região.
3.     Se você depende do aluguel para completar seu salário ou aposentadoria, faça as contas e avalie o impacto da redução em sua renda. A sugestão é definir um valor máximo para negociar.
4.     Conheça a realidade do inquilino e ofereça alternativas: caso ele tenha perdido o emprego, por exemplo, um caminho é propor um desconto por um período de quatro a seis meses, que é o tempo mínimo estimado para recolocação.

Fique de olho!

Além do aluguel, veja como é possível economizar em outros gastos da casa fazendo uma caça aos gastos invisíveis. E não esqueça de baixar as nossas planilhas. Elas vão ajudar você a se lembrar dos pagamentos e a organizar suas contas.