O aluguel ficou caro? Avalie as possibilidades antes de mudar

Dicas para negociar seu contrato, reduzir custos e equilibrar os gastos com moradia.

Organizar as finanças

/ 09 Out 2025 / 4 min. leitura
Confira as dicas para negociar o aluguel e evitar os transtornos da mudança

O percentual de famílias que moram em imóveis alugados pulou de 18% para 23% entre 2016 e 2024, segundo o IBGE, um aumento de 45,4%, representando quase 18 milhões de residências. No mesmo período, o número de casas próprias quitadas diminuiu, mostrando uma transformação no perfil habitacional do país.

O aluguel é mais comum entre os jovens: quase um terço das pessoas entre 25 e 29 anos vivem em imóveis alugados, fatia que vai diminuindo com a idade, chegando a 9,2% entre os maiores de 70 anos. Para muitos, ele se tornou a porta de entrada para a vida adulta e independente. É, também, uma das principais despesas mensais, que sofre reajustes ano a ano pelo  IGP-M, que subiu mais de 4% nos últimos 12 meses.

Diante desse cenário, reduzir gastos com aluguel pode trazer um alívio significativo para o bolso. Mas antes de pensar em mudar de imóvel, uma alternativa é negociar diretamente com o proprietário, buscando ajustes ou condições que facilitem o pagamento. Essa conversa não precisa esperar a data de renovação do contrato. Se gosta do lugar onde mora, negociar pode ser vantajoso para você e também para o dono do imóvel. Veja por quê.

Entendendo o reajuste do aluguel

O reajuste do aluguel está previsto em contrato e segue um índice escolhido pelas partes. Os mais comuns são o IGP-M e o IPCA. Esses índices servem de referência para atualizar o valor anualmente: o contrato diz qual índice será usado e a data em que o aumento será aplicado. Em junho de 2025, por exemplo, o IGP-M acumulou 4,39% nos últimos 12 meses, impacto que pesa diretamente no bolso dos inquilinos. Isso significa que um aluguel que era R$2.000 passaria para R$ 2.087,80 com o reajuste de  4,39%, calculado sobre o IGP-M.

Ter esse valor em mente é importante antes de conversar com o proprietário. Avalie se o reajuste cabe em seu orçamento e, se for propor um acordo, confira também:

  1. O que diz o seu contrato sobre reajuste e carência
  2. Como está o valor dos aluguéis no mercado local

Índices nacionais nem sempre refletem o preço pedido em cada bairro e, por isso, é útil pesquisar anúncios de imóveis semelhantes (mesma metragem, número de quartos, proximidade a transporte) e levantamentos para ter parâmetros de comparação. Reúna esses dados em um arquivo (prints, links, planilhas) para levar à negociação, pois números objetivos costumam pesar mais do que argumentos genéricos.

Dicas para renegociar o valor do aluguel

Fez os cálculos e o reajuste do aluguel não cabe no seu bolso? Antes de procurar um novo lugar, vale a pena conversar com o proprietário para ver alternativas. Veja algumas dicas para isso: 

Tudo começa pela organização financeira

Liste receitas e despesas, calcule quanto do seu rendimento já vai para moradia e defina o teto que consegue pagar sem comprometer outras contas essenciais. Uma regra prática usada por muitos é não comprometer mais do que 30% da renda líquida com moradia.Com esse limite em mente, avalie opções de proposta: 

  • Pedir congelamento do reajuste por alguns meses
  • Solicitar redução percentual temporária
  • Oferecer contrato por mais tempo em troca de desconto 
  • Propor pagamento adiantado parcial (quando possível) em troca de abatimento

Lembre as vantagens de ter você como inquilino

Mostrar ao proprietário que você é um inquilino responsável pode facilitar negociações e até possibilitar ajustes no aluguel. Pagamentos em dia, cuidado com o imóvel e boa comunicação são sinais de confiança e estabilidade, que tornam sua permanência vantajosa para ambas as partes.

Conheça os direitos e deveres do inquilino

Estar bem informado ajuda não apenas a proteger seu bolso, mas também a construir um relacionamento de confiança e respeito mútuo com o proprietário, facilitando negociações e evitando conflitos.

Dentre os deveres mais importantes do inquilino estão pagar o aluguel em dia, cuidar do imóvel como se fosse seu, respeitar o contrato e comunicar problemas ou danos com antecedência. Por outro lado, ele também tem direitos que garantem sua segurança, como receber o imóvel em condições adequadas, ter privacidade, exigir manutenção quando necessário e receber aviso prévio em caso de reajuste.

O aviso sobre eventuais reajustes no aluguel deve ser dado pelo proprietário com até 30 dias de antecedência. Assim, o inquilino tem tempo para preparar-se financeiramente.

Seja transparente e objetivo

No encontro com o proprietário, siga um processo transparente:

  1. Prepare os dados (orçamento pessoal, pesquisas de mercado, cálculo do reajuste)
  2. Proponha opções realistas e mensuráveis (ex.: “posso pagar R$ X por 6 meses”)
  3. Escute a contraproposta e avalie o impacto financeiro concreto para ambos
  4. Formalize o acordo por escrito. Sem documentação, qualquer um dos lados pode sofrer risco legal. Se houver imobiliária intermediando, peça que ela registre o aditivo e guarde comprovantes

É vantagem mudar? Saiba todos os gastos

gastos extras que muitos inquilinos esquecem de calcular.

Muita gente pensa em trocar de imóvel assim que o aluguel aperta no orçamento. Mas, antes de tomar essa decisão, é importante calcular todos os custos envolvidos. Em muitos casos, a mudança pode sair mais cara do que tentar uma negociação com o proprietário atual. Veja o que deve entrar nessa conta:

  1. O primeiro gasto é o transporte. Mesmo em mudanças curtas, contratar um serviço de frete ou empresa de carreto pode custar caro, especialmente se for necessário desmontar e montar móveis. Dependendo da distância ou da quantidade de itens, o valor pode ultrapassar um mês de aluguel.
  2. Outro ponto é a multa por rescisão antecipada. Em geral, os contratos preveem uma cobrança proporcional a três meses de aluguel quando o inquilino sai antes do prazo. Isso significa que, se ainda faltar um ano para o término, o custo pode ser bastante pesado.
  3. Além disso, quase sempre é preciso investir em pequenas reformas no imóvel antes de entregar as chaves. Pintura, troca de fechaduras, conserto de vidros ou reparos elétricos são exigências comuns, já que o contrato prevê a entrega do imóvel nas mesmas condições em que foi recebido. Esses ajustes, quando somados, podem representar mais uma despesa significativa.

E não para por aí. Na nova casa, provavelmente será necessário investir em armários, chuveiros, luminárias ou até adaptações elétricas. São gastos invisíveis na hora da visita, mas que aparecem logo nos primeiros dias após a mudança.

Por fim, não se deve esquecer do impacto da localização. Um imóvel mais barato, mas distante do trabalho ou da escola das crianças, pode gerar aumento nas despesas com transporte público ou combustível. Em alguns casos, pode até obrigar a família a buscar uma nova escola, o que também traz custos financeiros e de adaptação.

Sonha com a casa própria? Veja como chegar lá

Consórcio, Minha Casa Minha Vida ou financiamento qual caminho escolher para comprar imóvel?

Comprar um imóvel é um dos maiores passos da vida financeira de qualquer pessoa. Se você quer sair do aluguel e transformar esse sonho em realidade, é preciso planejamento. E esse processo começa muito antes de assinar o contrato.

O primeiro movimento é definir o tipo de imóvel que faz mais sentido para a sua rotina: casa ou apartamento. Depois, vem a escolha da localização. Não basta olhar apenas para o preço de venda, é preciso analisar a infraestrutura do bairro, a qualidade do transporte, a distância até o trabalho e a escola dos filhos, além do custo de vida na região. Essa avaliação ajuda a evitar decisões precipitadas que podem pesar no dia a dia.

Além do valor do imóvel em si, existem uma série de despesas adicionais. Escritura, registro, vistoria, taxa de corretagem, financiamento e o ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) entram nessa conta. Tudo isso precisa estar no planejamento para que a compra não vire uma surpresa desagradável.

Mesmo depois de receber as chaves, outros custos aparecem: reformas, compra de móveis, instalação de armários, chuveiros e luminárias, além de despesas fixas como IPTU e condomínio. Mapeando todos esses valores, você terá mais clareza sobre o custo total da casa própria e quanto tempo será necessário para alcançá-la.

Uma das principais formas de viabilizar essa conquista é o financiamento imobiliário. O banco ou a instituição financeira paga o valor total do imóvel ao vendedor, e você devolve essa quantia em parcelas mensais, acrescidas de juros. A grande vantagem é poder antecipar a realização do sonho, mesmo sem ter todo o dinheiro em mãos. 

Outra possibilidade é o Minha Casa, Minha Vida, programa do governo federal criado em 2009 e retomado recentemente com novas regras. Ele facilita o acesso à casa própria para famílias de baixa renda, oferecendo condições especiais de financiamento. 

Agora, se você não tem pressa, o consórcio pode ser uma alternativa. Nele, um grupo de pessoas se reúne, administrado por uma empresa autorizada a operar o produto e colocar a disposição no mercado. Cada participante paga parcelas mensais, que formam um fundo usado para contemplar os integrantes, seja por sorteio ou lance. 

Outro caminho que vem ganhando espaço são os leilões de imóveis. Eles geralmente acontecem quando o antigo proprietário não conseguiu pagar dívidas como financiamento, condomínio ou IPTU, e o bem é colocado à venda para quitar o débito. O atrativo é o preço: muitas vezes, os imóveis podem ser arrematados por valores abaixo do mercado. No entanto, os riscos também são maiores. Por isso, se essa for uma alternativa que você deseja considerar, é fundamental estudar o edital do leilão com atenção, consultar especialistas e calcular se o desconto realmente compensa os custos extras que podem surgir.

Entre tantas opções possíveis, não existe resposta única. A melhor escolha será sempre aquela que cabe no seu orçamento e se adapta à sua realidade.

E se você é o proprietário?

Agora, se você é o proprietário, encare a proposta de negociação como um sinal de boa vontade  do inquilino, e que pode ser vantajosa para você. Assim, você evita correr o risco de ficar meses sem receita, especialmente em um mercado com muitas opções disponíveis. Enquanto o imóvel fica desocupado, além de não receber o aluguel, você precisará arcar com o IPTU, condomínio, no caso de apartamentos, e manutenção básica do imóvel.

Assim, manter um inquilino confiável, que paga em dia e conserva a propriedade, pode ser mais vantajoso do que enfrentar meses de espera até encontrar um novo locatário. Antes de tomar uma decisão, porém, faça a sua conta: estime quanto perderia com um desconto e compare isso com o custo e o tempo médio para alugar o imóvel novamente. 

Por exemplo, se o aluguel atual é R$ 2.000 e você aceita 10% de redução (R$200), a perda mensal é R$200; e em 12 meses, R$2.400. Se prever que o imóvel poderia ficar mais de um mês vazio, a redução pode ser compensada pela economia de não ter vacância. Defina um valor mínimo aceitável e, se depender dessa renda para aposentadoria ou sustento, prefira soluções temporárias em vez de cortes definitivos. Algumas alternativas práticas: 

  • Aceitar um desconto temporário (4–6 meses) condicionado à apresentação de comprovantes (de busca ativa por emprego, por exemplo)
  • Solicitar fiador/seguro-fiança atualizado
  • Negociar um aditivo que aumente o valor novamente quando a economia melhorar