Como concretizar o sonho de estudar fora do Brasil

Programas de estágio, intercâmbio e bolsas tornam possível viver e estudar no exterior gastando pouco

Organizar as finanças

/ 19 Fev 2026 / 8 min. leitura
como se planejar para um intercâmbio ou para estudar fora do Brasil

Estudar no exterior pode ser uma oportunidade única de aprendizado e vivência cultural para quem deseja ganhar fluência em outro idioma, conhecer lugares diferentes e expandir a visão de mundo. Pode, ainda, ajudar a desenvolver habilidades como autonomia e capacidade de adaptação, importantes tanto na vida pessoal quanto para o futuro profissional.

Não é à toa que  muitas pessoas têm o desejo de fazer um curso e residir algum tempo fora do país. Se você é uma delas, saiba que com planejamento, organização e empenho esse sonho pode se tornar realidade. Para isso, é preciso “quebrar” o plano em pequenos passos, criar metas e organizar-se desde cedo. Veja, a seguir, algumas dicas de como fazer isso.

1. Defina seu objetivo e escolha seu destino

Antes de qualquer coisa, pergunte-se: o que eu desejo alcançar com a experiência no exterior? Aperfeiçoar o idioma, fazer uma graduação ou apenas um curso de curta duração? Escolha o curso ou programa que mais combina com seus objetivos. Com um objetivo definido, fica mais fácil escolher o país, a cidade e a instituição que melhor atendem às suas expectativas. Considere fatores como cultura local, clima, custo de vida e oportunidades para isso.

2. Saiba tudo sobre o seu destino

Antes de embarcar nessa experiência, é importante informar-se sobre o país que você escolheu, incluindo seus tipos de clima, costumes e idioma. Se você não domina a língua, a dica é aprender o necessário para participar de processos seletivos para cursos e bolsas e aproveitar melhor a experiência. 

Isso será importante para a sua adaptação, interação com colegas e imersão na cultura local. Peça ajuda de amigos e conhecidos para estudar e ofereça, em troca, algo que você possa fazer, como cuidar das crianças por algumas horas ou hospedar o animal de estimação da família durante uma viagem.

3. Coloque todos os custos no papel

Faça as contas para entender quanto dinheiro você precisará poupar para pagar as despesas de moradia, alimentação, internet, transporte, saúde, livros e materiais didáticos, entre outros. A partir daí, estabeleça metas factíveis de valores que irá poupar todo mês, e por quanto tempo fará isso. Em seguida, defina estratégias para chegar lá: fazer bicos de final de semana para ganhar um dinheiro extra, converter seus presentes de aniversário e Natal na moeda do país e assim por diante.

Lembre-se: estudar fora do Brasil envolve custos que vão além da passagem de avião e matrícula. Por isso, faça um planejamento financeiro detalhado, sem esquecer das atividades de lazer e diversão. Estar preparado evita surpresas e garante que você possa aproveitar a experiência com mais tranquilidade.

4. Organize a documentação

organize-se para estudar fora do brasil

Visto, passaporte, seguro viagem e certificados acadêmicos são documentos indispensáveis, além de itens como carteira de vacinação internacional em dia, quando for o caso. Pesquise com antecedência os requisitos da instituição educacional e do país de destino e organize todos os papéis para evitar contratempos. Para facilitar, mantenha uma cópia digital e outra impressa de cada um dos documentos. Dependendo do caso, também pode ser necessário ter cópias autenticadas ou apostiladas.

Outro documento que merece atenção é a comprovação de proficiência no idioma, exigida em muitos processos seletivos de intercâmbios. Exames como TOEFL ou IELTS costumam ser solicitados para cursos em inglês, com notas mínimas que variam conforme a instituição e seus objetivos. 

5. Faça um cronograma de estudos para as provas e processos seletivos

Há uma série de programas de intercâmbio que permitem conciliar trabalho e estudo, programas de estágio remunerados e, também, instituições que oferecem bolsas para cursos de graduação, pós-graduação e pesquisa em diversos países. Eles possibilitam estudar fora gastando pouco ou de graça.

Muitos desses programas têm inscrições abertas nos primeiros meses do ano e outros acontecem nos meses seguintes. Listamos, a seguir, os principais deles. Faça uma busca na internet para encontrar outros. Organize uma agenda para não perder os prazos, conheça as regras para participação e prepare-se para viver uma experiência incrível.

Bolsas de estudos

Erasmus+: mantido pela Comissão Europeia, o programa financia projetos de mobilidade e cooperação entre instituições de ensino, organizações de juventude e entidades de formação na Europa e em países parceiros. São custeados os estudos de alunos, professores, atletas, funcionários administrativos de universidades e servidores públicos que atuem no ramo da educação. O processo de 2026 já está aberto. 

Fundação Estudar: seleciona jovens universitários de até 34 anos para bolsas de estudos para graduação, pós-graduação e intercâmbio acadêmico no Brasil e no exterior. Além do apoio financeiro, o aluno recebe suporte para acelerar seu desenvolvimento.

Fulbright: mais de 5 mil brasileiros já foram beneficiados pelo programa binacional criado em 1946 em uma parceria entre o governo dos Estados Unidos e órgãos brasileiros como a CAPES. A Comissão Fulbright Brasil planeja oferecer, até 2027, múltiplas chamadas para brasileiros em diferentes modalidades, incluindo doutorado sanduíche, programas de mestrado artístico (MFA), bolsas para professores e pesquisadores, e assistentes de ensino de língua portuguesa nos EUA. Algumas bolsas podem incluir isenção de taxas acadêmicas, auxílio mensal, seguro-saúde e passagens aéreas.

Santander Universidades: oferece bolsas de curta e média duração em universidades estrangeiras por meio de programas como Top España, que financia cursos de língua espanhola na Universidade de Salamanca, e Ibero-Americanas, com oportunidades em países como Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai, Colômbia e México. O portal Santander Open Academy reúne essas oportunidades em uma plataforma global sem fins lucrativos, conectando estudantes a bolsas, cursos de desenvolvimento de habilidades e estágios em parceria com universidades ao redor do mundo, em diversas áreas do conhecimento.

Lemann Fellowship: a Fundação Lemann concede bolsas integrais e parciais para pós-graduação (mestrado,  doutorado e pós-doutorado) nas áreas de Educação, Políticas Públicas, Saúde Pública e Empreendedorismo Social em algumas das melhores universidades do mundo, como Harvard, Stanford, Columbia, Oxford, Yale e MIT (Massachusetts Institute of Technology). 

Holland Scholarship: o Ministério da Educação, Ciência e Cultura da Holanda mantém o programa Holland Scholarship, que oferece bolsas de estudos no valor de 5 mil euros (cerca de R$ 28 mil) para estudantes de fora do Espaço Econômico Europeu (EEA) e cobre os custos referentes ao primeiro ano em uma universidades do país. Esta ajuda é um complemento e não cobre os custos totais de mensalidade ou moradia, portanto pode ser combinada com outras fontes de financiamento. Para entrar, você precisa ser nativo de um país que não integre a EEA, além de não possuir diploma em universidades holandesas. As inscrições geralmente vão de fevereiro a maio. 

Chevening: o governo britânico concede bolsas de pós-graduação a alunos de mais de 160 países, incluindo o Brasil, desde que eles sejam aprovados em universidades do Reino Unido. As inscrições são feitas por candidatos que atendam aos critérios de elegibilidade, incluindo a conclusão da graduação há pelo menos dois anos e o acúmulo de, no mínimo, 2.800 horas de experiência de trabalho após a graduação. O programa cobre passagens de ida-e-volta, anuidade escolar e despesas pessoais. Acompanhe a abertura de inscrições no site do programa.

United World Colleges (UWC): o programa oferece bolsas de estudos para fazer o Ensino Médio em um dos 14 países onde há escolas UWC, entre eles, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Holanda e Suazilândia. Podem participar jovens entre 15 e 18 anos, por meio de seleções nacionais realizadas no segundo semestre. Não é obrigatório o conhecimento prévio de inglês na fase inicial de candidatura, já que há suporte para aprendizagem linguística. 

Programas de intercâmbio

Grupo de estudantes intercambistas de diversas nacionalidades e etnias

Intercâmbio cultural e de trabalho: o Au Pair facilita que jovens vivam com uma família hospedeira em outro país. Participantes de 18 a 26 anos (com exceção da Europa, que permite até 30 anos) cuidam de crianças e realizam tarefas domésticas leves em troca de hospedagem, alimentação e mesada. A duração varia de 12 a 24 meses. Nos EUA, o pagamento mínimo semanal é de cerca de US$195,75, e na Alemanha, cerca de €280 por 30 horas semanais. O programa permite melhorar o idioma local e vivenciar a cultura do país. 

Trabalho & Estudo: em vários países é possível combinar estudos e trabalho. Isso porque, em destinos como Austrália, Irlanda e Nova Zelândia, o visto de estudante permite trabalhar meio período durante as aulas e mais horas nos períodos de férias. Os empregos mais comuns são em áreas como comércio, hotelaria e serviços. Saiba mais a seguir.

  • Irlanda: o visto Stamp 2 permite trabalhar até 20 horas semanais durante as aulas e 40 horas nas férias. Dublin concentra a maioria das vagas, principalmente em pubs, cafés, restaurantes e hotéis. A remuneração, a facilidade de viajar para outros países europeus e a grande comunidade brasileira atraem muitos estudantes.
  • Austrália: com o visto de estudante (subclass 500), é possível trabalhar até 48 horas a cada quinzena durante o curso. Sydney, Melbourne e Gold Coast oferecem vagas no setor de serviços, onde cursos de inglês (ELICOS) e técnicos (VET) são altamente valorizados. O país também permite vistos de trabalho após os estudos.
  • Canadá: vistos de estudante para cursos com seis meses ou mais de duração costumam permitir trabalho remunerado em período parcial durante as aulas e integral nas pausas, especialmente em cursos técnicos e vocacionais (Co‑op). Para aproveitar, é preciso estar matriculado em um curso que tenha, no mínimo, seis meses de duração, em uma escola designada pelo governo canadense. 
  • Nova Zelândia: estudantes de inglês ou de graduação podem trabalhar 20 horas por semana. As principais vagas são em turismo, hotelaria e agricultura. O país se destaca pela segurança, qualidade de vida e cultura receptiva.
  • Malta: para cursos acima de 12 semanas, estudantes podem solicitar licença de trabalho após 90 dias, com até 20 horas semanais. As vagas se concentram em turismo, hotelaria e iGaming. Além do aprendizado de inglês, Malta é linda e um bom começo para explorar a Europa.

Work and Travel: o programa J‑1 permite que estudantes universitários trabalhem nos Estados Unidos durante as férias de verão. Os participantes precisam ter inglês intermediário, estar matriculados em universidade presencial e, em alguns casos, garantir a oferta de emprego antes de solicitar o visto. O programa geralmente dura de 2 a 4 meses, com carga horária média de 30h semanais, em que você poderá ganhar salários de US$8,50 a US$12 por hora, além de gorjeta. 

Para mais informações sobre essas oportunidades, a dica é procurar agências especializadas em intercâmbio.

Programas de estágios

IAESTE: programa de estágio em empresas estrangeiras, o IAESTE (International Association for the Exchange of Students for Technical Experience) promove o intercâmbio entre estudantes universitários em mais de 80 países. Com ele, você pode ter uma experiência profissional no exterior, dentro de sua área de estudo, por até doze meses. Durante esse período, recebe uma bolsa auxílio para cobrir as despesas com acomodação, transporte e alimentação.

AIESEC: o programa Talentos Globais da AIESEC possibilita que você trabalhe em uma empresa internacional, vivenciando diferentes culturas, ao mesmo tempo em que desenvolve habilidades essenciais de liderança e trabalho em equipe. A instituição também desenvolve programas voltados para voluntariado, aprendizado de idiomas e experiência em ensino.



Matéria publicada em 16/01/2021 e atualizada em 19/02/2026.