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Professor, você pode ser um educador financeiro

O professor tem um papel essencial na formação de cidadãos conscientes, que saibam fazer boas escolhas para o seu futuro e para a comunidade onde vivem. Afinal, o ambiente escolar é propício para que crianças e adolescentes desenvolvam suas capacidade de conviver, compartilhar e refletir sobre os impactos de suas decisões e atitudes.

Inserida nesse espaço, a educação financeira contribui com esse desenvolvimento. “A educação financeira passa, sobretudo, pela criação de hábitos e costumes que embasam as atitudes das crianças e adolescentes no presente e que estarão refletidos no comportamento dos adultos do futuro. É um ciclo virtuoso”, diz a superintendente da AEF-Brasil (Associação de Educação Financeira do Brasil), Cláudia Forte.

Ela dá um exemplo: “Quando ensinamos uma criança de seis anos a fechar a torneira enquanto lava a maçã para o lanche na escola, estão contidos nesse ensinamento alguns princípios norteadores, como o da economia de recursos naturais e poupança de outros recursos que vão auxiliá-lo em situações muito mais complexas em sua vida adulta”.

Cláudia reforça a importância no professor na transmissão de tais conhecimentos. “Possibilitar que os alunos recebam conhecimentos sobre educação financeira é despertar neles uma consciência crítica em relação ao consumismo e à sustentabilidade, à arrecadação de impostos e à justa aplicação dos recursos públicos para a melhoria da vida em comunidade”.

 

Porque falar de finanças

- A educação financeira ajuda a criança e o adolescente a:

- Melhorar a compreensão em relação a conceitos e produtos financeiros.

- Desenvolver os valores e as competências necessários para tomar consciência das oportunidades e riscos das escolhas financeiras.

- Fazer escolhas bem informadas e a adotar ações que melhorem o bem-estar, comprometidos com o futuro.

- Resolver desafios cotidianos, ajudando a realizar sonhos individuais e coletivos.

(Fonte: Orientações para Educação Financeira nas Escolas/ENEF)

 

Como levar o tema para a escola

Se você é professor e se encantou com essa ideia, tem à sua disposição o Programa de Educação Financeira nas Escolas, uma iniciativa da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) que mobiliza diferentes setores da sociedade na promoção da educação financeira no Brasil. O programa tem como proposta conectar o tema, de modo multidisciplinar, a outros assuntos que já fazem parte do contexto escolar.

Para isso, coloca à disposição livros, vídeos e outros materiais que ajudam a trabalhar os conteúdos de educação financeira, de modo adequado, em cada série do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Para o Ensino Fundamental, são 18 livros – 9 livros do aluno e 9 do professor –, além de 14 vídeos que facilitam a compreensão dos assuntos abordados. O material completo está disponível para download gratuito. Acesse aqui.

Para o Ensino Médio, são três livros do aluno e três do professor, além de cadernos de atividades. O primeiro livro trata da economia financeira em casa e na vida social, com situações didáticas e lúdicas que permitem entender os conceitos de renda, despesa, receita e orçamento. Sonhos e vida real são tratados no livro 2, que aborda trabalho e empreendedorismo. O terceiro livro da série permite que o aluno do Ensino Médio entenda as conexões entre a economia brasileira e global, formando um pensamento crítico e cidadão. Faça o download aqui.

 

Inspire-se!

Veja os depoimentos de professores que já levaram a educação financeira para a sala de aula.

“Trabalhamos a consciência dos alunos em relação ao dinheiro com atividades como a feira de escambo ou um passeio cultural em que eles têm o desafio de gastar o mínimo possível. Outra ferramenta recorrente é a planilha orçamentária, que eles usam para encontrar soluções para situações bem práticas, como a da família que precisa se organizar para comprar uma máquina de lavar. Resolvendo o problema, aprendem a importância do planejamento para realizar um sonho e que dinheiro é uma coisa boa, que precisamos saber administrar. A mudança no comportamento dos alunos é visível”.

Márcia Pinto Simione, que utiliza as planilhas e os conteúdos do Meu Bolso em Dia nas aulas de cálculo financeiro dos cursos técnicos de Administração e Logística da ETEC Jaraguá, em São Paulo (SP), e da ETEC Benedito Storani, de Jundiaí (SP).


“Quando a Secretaria de educação trouxe o material do Programa de Educação Financeira para o estado, a equipe da escola abraçou essa ideia. É o terceiro ano que trabalhamos com os livros do Ensino Médio. O assunto passou a fazer parte não apenas das aulas de matemática, mas também das aulas de língua portuguesa, geografia, biologia, enfim de todas as disciplinas. Nem sempre é fácil entender como inserir o assunto, mas a conscientização todas as disciplinas podem trabalhar. Os alunos aprendem a calcular percentagens, economizar e medir o quanto economizaram em determinado período na conta de água e de energia, por exemplo. Sabemos que a mudança de comportamento ocorre dentro de suas casas, porque os pais trazem isso para as reuniões. É um trabalho árduo, mas transformador”.

Marcelo José de Souza Melo, que usa os livros do Programa de Educação Financeira nas Escolas nas aulas de matemática do Colégio Pré-Universitário de Araguaína, no Norte do Tocantins, cidade que é referência em educação pública no país.



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