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Gatilhos de consumo

Você é o tipo de pessoa que, quando está triste, vai ao shopping fazer compras para se sentir melhor? Pensa “eu mereço” e acaba levando para casa produtos que não precisa ou pode comprar? Entra em dívidas acreditando que, no mês que vem, conseguirá dar um jeito de pagar?

Se você se reconhece em uma ou mais destas situações, saiba que você pode ter um perfil consumista ou, até mesmo, uma compulsão, que é um distúrbio derivado de causas emocionais e que vai além do consumismo.

Com a ajuda da Dra. Tatiana Filomensky, coordenadora do atendimento a compradores compulsivos do Programa de Ambulatorial dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP, mapeamos algumas situações que funcionam como gatilhos de consumo. São momentos em que o cérebro cria mecanismos de compensação ou ilusão que levam muitas pessoas a comprarem coisas desnecessárias ou em excesso.

Conheça esses gatilhos e fique atento para não ser enganado por você mesmo.


1. Promoções e liquidações

Você não precisa de uma roupa nova, mas quando está frente a frente com uma promoção ou liquidação, aquela parece ser uma oportunidade imperdível. Entra na loja, saca o cartão de crédito e acaba levando várias peças. Ao chegar em casa, se dá conta de que não precisava daquilo.

As promoções e liquidações são, sim, muito bem-vindas, sobretudo para quem sabe cuidar do próprio dinheiro. Mas, muitas vezes, elas podem ser um enorme desafio para quem não consegue se planejar ou perde o controle facilmente. Se você se encaixa neste segundo grupo, veja como se prevenir:

- Se a loja ou shopping for mesmo uma tentação e está sempre no seu caminho, mude de trajeto. Se não existe outra rota, deixe o cartão de crédito em casa.

- Planeje suas compras. Avalie o seu guarda-roupa para saber o que realmente precisa e, aí sim, aproveitar as liquidações.

- Faça o mesmo com outros produtos que costuma comprar. Se sua família consome um queijo fresco por semana, de que adianta levar três na promoção?

 

2. O top, do top, do top

Os eletrônicos estão no topo da lista das obsessões de consumo. Muitos ficam aguardando, com ansiedade, a nova versão do celular para, depois, descartarem o que tem em casa.Mas será que este comportamento vale a pena?

Reflita:

- Ter o eletrônico da moda é realmente importante para você? Por quê?

- Aquela funcionalidade nova fará uma enorme diferença no seu trabalho ou na sua vida pessoal?

- Para você, nesse momento da sua vida, ter um aparelho de última linha significa status social? Que benefícios concretos esse status pode trazer?

- Por último e não menos importante: você pode pagar por isso?



3. Levar agora e pagar depois


Para muita gente, o cartão de crédito passa uma sensação de que o dinheiro é infinito. Basta parcelar em muitas vezes, deixar para pagar no próximo mês ou usar vários cartões com datas de vencimento diferentes.

Porém, esse é um comportamento que leva ao efeito “bola de neve” das dívidas. Se esse é o seu caso, a dica é usar dinheiro vivo. Assim, você tem um melhor controle sobre o quanto pode gastar.




4. A grama do vizinho é mais verde que a sua?

A busca por status ou a necessidade de pertencimento a um grupo nos leva, muitas vezes, à comparação: “se o outro tem, eu preciso ter também”. Mas essa é uma atitude que não se sustenta ao longo do tempo, produz rombos orçamentários e está fora de moda. Esquecemos, simplesmente, que somos únicos. Cada um tem sua forma de agir, pensar e habitar o mundo.


Reflita:

- O que realmente tem valor para você e sua família?

- Quais são suas prioridades?

- Você usa seu dinheiro para realizar essas prioridades ou prefere investir naquilo que é importante para os outros?



5. Quando bater aquela tristeza...

Todos nós passamos por fases que “nos tiram do eixo”. O fim de um relacionamento, a briga com um familiar, a insatisfação no trabalho. São situações que geram sentimentos negativos. E, nessas horas, muita gente acaba se entregando à tentação das compras, como forma de compensação. De fato, o ato de consumir libera substâncias químicas no cérebro, gerando a sensação de prazer. Porém, essa sensação passa rápido e não é, necessariamente, construtiva. Aceitar esse mecanismo de “fuga” nem sempre é o melhor caminho para lidar com as questões da vida.

Quando acontecer com você, experimente:

- Chamar um amigo ou amiga para conversar. É sempre bom conhecer outros pontos de vista. E você ainda aproveita para estreitar seus laços afetivos.

- Fazer atividades físicas, artísticas ou voluntárias. São ações que também geram a sensação de prazer e estimulam mais o ser do que o ter.

- Meditar. A meditação é a ferramenta perfeita para diminuir a ansiedade, que é um dos motores do consumismo. 



 


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